HC 982875 - DECISAO
Não se verificou flagrante ilegalidade a justificar a concessão de ofício do habeas corpus; a regressão cautelar do regime, motivada por repetidas violações ao monitoramento eletrônico, encontra respaldo em jurisprudência do STJ que admite tal medida sem a oitiva prévia quando se trata de regressão cautelar, e o...
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- Parties
- Paciente: ARILSON DOS SANTOS SILVA; Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por ausência de flagrante ilegalidade
- Legal Topics
- Regressão Cautelar De Regime, Oitiva Prévia, Monitoramento Eletrônico, Falta Grave, Substituição Recursal
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Parties
ARILSON DOS SANTOS SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Cabimento do habeas corpus como sucedâneo recursal
- 2 Necessidade de oitiva prévia do apenado para regressão cautelar de regime
- 3 Possibilidade de regressão cautelar por descumprimento do monitoramento eletrônico
Ratio Decidendi
Não se verificou flagrante ilegalidade a justificar a concessão de ofício do habeas corpus; a regressão cautelar do regime, motivada por repetidas violações ao monitoramento eletrônico, encontra respaldo em jurisprudência do STJ que admite tal medida sem a oitiva prévia quando se trata de regressão cautelar, e o habeas corpus não pode substituir recurso próprio, razão pela qual a liminar foi indeferida com fundamento no art. 21‑E, IV, c/c art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
Liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por ausência de flagrante ilegalidade
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de ARILSON DOS SANTOS SILVA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ assim ementado: HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR. EXECUÇÃO PENAL. PLEITO DE REVOGAÇÃO DA REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME DO APENADO. NÃO CONHECIMENTO. DISCUSSÃO NÃO SUPORTADA PELA ESTREITA VIA DO HABEAS CORPUS. MATÉRIA AFETA À EXECUÇÃO PENAL. INCABÍVEL A IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. PRECEDENTES DA CORTE SUPERIOR E DO TJCE. INEXISTÊNCIA DE PATENTE ILEGALIDADE APTA A JUSTIFICAR A CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME EM RAZÃO DAS INÚMERAS VIOLAÇÕES AO MONITORAMENTO ELETRÔNICO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ADEMAIS, OITIVA PRÉVIA DO APENADO NÃO É EXIGIDA NESSE CONTEXTO, SENDO NECESSÁRIA APENAS PARA A REGRESSÃO DEFINITIVA. ORDEM NÃO CONHECIDA. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, pois é necessária prévia oitiva judicial do apenado antes da regressão de regime por suposta prática de falta grave, nos termos do art. 118, § 2º, da LEP. Requer, assim, que seja afastada a penalidade de regressão de regime, "restabelecendo-se o regime domiciliar com monitoramento eletrônico" (fl. 09). É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto à controvérsia apresentada: Isto porque a autoridade coatora motivou a regressão cautelar do paciente em razão das violações ao monitoramento eletrônico, referente ao período de 05 de setembro de 2023 à 28 de agosto de 2024, tendo sido fornecido o relatório completo na seq. 408.1 do processo executório de nº 0011872-07.2016.8.06.0164. Nessa perspectiva, tem-se que a decisão vergastada foi proferida de forma fundamentada e está em consonância com iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que o juízo impetrado, munido do chamado poder geral de cautela, pode decretar medidas provisórias, dentre as quais a regressão cautelar de regime prisional, de forma que inexiste flagrante ilegalidade a reparar. .. Ademais, esta Câmara, seguindo precedentes do Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento de que, em caso de prática de falta grave pelo sentenciado, é permitida a regressão cautelar do regime prisional, sendo desnecessária a oitiva prévia do condenado, a qual é exigida apenas para a regressão definitiva ao regime mais severo. .. Portanto, é possível a regressão cautelar de regime, independentemente da oitiva prévia do apenado, especialmente quando a medida se mostra necessária para assegurar os fins da execução da pena, como ocorre no presente caso (fls. 15-17). Segundo entendimento firmado nesta Corte, é possível a regressão cautelar para qualquer dos regimes mais severos, por analogia ao disposto no art. 118 da Lei n. 7.210/1984, por suposta prática de falta grave, não sendo necessária a realização de prévia oitiva do apenado, que só é indispensável na regressão definitiva. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INFRAÇÃO DISCIPLINAR GRAVE. PRIMAZIA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. OITIVA JUDICIAL NECESSÁRIA APENAS EM FACE DE REGRESSÃO DEFINITIVA DE REGIME. ANÁLISE DAS PROVAS PARA AFASTAMENTO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos a jurisprudência consolidada desta Corte Superior, em caso de prática de fato definido como crime doloso ou falta grave, consoante exegese do art. 118, § 2º, da Lei de Execução Penal, é necessária a prévia oitiva judicial do apenado antes que se proceda à regressão de regime. 2. Referida audiência é dispensada tão somente quando se trata de regressão temporária de regime, visto que " a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é sólida em reconhecer a legalidade da regressão cautelar de regime prisional sem a audiência do apenado, sendo este procedimento exigido somente quando da regressão definitiva" (AgRg no HC n. 736.226/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022). Precedentes também do Supremo Tribunal Federal. 3. É forçoso esclarecer, ainda, que tal procedimento não se confunde com a audiência de justificação realizada para a apuração da infração disciplinar grave, de modo a esclarecer o contorno fático da falta, a qual, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, "supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave durante o cumprimento da pena"" (AgRg no REsp n. 1.856.867/PR, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 1º/10/2020). 4. Na hipótese, não foi determinada a regressão definitiva, mas sim cautelar do sentenciado, o que, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não ofende o teor do Enunciado Sumular n. 533, porquanto foi determinada a instauração do respectivo procedimento administrativo disciplinar antes que se proceda à regressão definitiva. 5. Ademais, a Corte local foi categórica ao ressaltar o descumprimento das condições impostas, "mormente descumprimento do horário de recolhimento em sua residência". Assim, desconstituir o julgado de origem - no sentido de que não houve análise das provas antes da imposição da penalidade - demandaria dilação probatória, providência vedada no exame do habeas corpus. 6 . Agravo regimental não provido. (AgRg no RHC n. 174.712/MS, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 9.3.2023.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFENSIVA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES DO REGIME ABERTO. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME. OITIVA PRÉVIA DO APENADO. PRESCINDIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.. 1- Nos termos do art. 50, V, da LEP, pratica falta grave aquele que descumpre, no regime aberto, as condições impostas. 2- Na situação vertente, após ter sido convertida a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade e concedida a prisão domiciliar, por falta de vagas no regime aberto, a polícia não encontrou o executado em três oportunidades. Justificou a defesa que o recorrente trabalha em várias fazendas. No entanto, é seu dever informar à Justiça o endereço certo e atual, o que não fez. Assim, mostrou-se o apenado descaso e destemor para com a Justiça. 3- Evidenciando-se a prática de falta grave, consistente no descumprimento das condições imposta ao regime aberto, na modalidade prisão albergue domiciliar, é cabível a regressão cautelar do regime prisional pelo Juiz das execuções, sem a exigência da oitiva prévia do sentenciado, necessária apenas para a regressão definitiva ao regime mais severo. .. (AgRg no HC n.º 438.243/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 06/08/2019, DJe 13/08/2019) 4- Não houve violação da Resolução 474/2022 do CNJ, a qual prevê intimação do condenado por sentença definitiva para dar início ao cumprimento da pena, hipótese diversa dos autos em que o recorrente, a par não ter comparecido, desde setembro/2019, para cumprir a prestação de serviços comunitários inicialmente estabelecida em audiência admonitória, deixou de atender às intimações do Juízo e não foi encontrado por três vezes no endereço informado nos autos . 5- Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 806.034/MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24.3.2023.) Na mesma linha: AgRg no HC n. 709.680/AL, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 21.2.2022; AgRg no HC n. 728.791/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 27.4.2022. Nessa linha, não tendo sido determinada a regressão definitiva de regime, não há ofensa ao enunciado da Súmula n. 533/STJ. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA