HC 666955 - DECISAO
Consoante prova nos autos (confissão em audiência de justificação e reconhecimento judicial de falta disciplinar grave pela prática de furto) e à luz da jurisprudência consolidada do STJ, o art.118, I, da LEP autoriza a regressão per saltum do regime prisional, de modo que não se verificou constrangimento ilegal a...
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- Parties
- Paciente: ALEX JUNIOR LOPES; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática Denegatória
- Outcome
- Ordem de habeas corpus denegada
- Legal Topics
- Regressão De Regime, Falta Grave, Regressão Per Saltum, Progressão De Regime, Furto, Livramento Condicional, Audiência De Justificação
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Parties
ALEX JUNIOR LOPES
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática Denegatória
Legal Issues
- 1 Possibilidade de regressão per saltum do regime prisional diante de prática de falta grave/novo delito
- 2 Adequação do habeas corpus como via para discutir matéria atacável por recurso próprio
- 3 Relevância do confessionamento em audiência de justificação para reconhecimento de falta grave
Ratio Decidendi
Consoante prova nos autos (confissão em audiência de justificação e reconhecimento judicial de falta disciplinar grave pela prática de furto) e à luz da jurisprudência consolidada do STJ, o art.118, I, da LEP autoriza a regressão per saltum do regime prisional, de modo que não se verificou constrangimento ilegal a ensejar a concessão da ordem; assim, o habeas corpus foi denegado.
Court Disposition
Ordem de habeas corpus denegada
Orders
- DENEGO a ordem de habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido liminar, impetrado em favor de ALEX JUNIOR LOPES, apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (HC n. 1.0000.21.058518-8/000). Consta dos autos que o Paciente cumpre pena pela prática dos crimes previstos nos arts. 157, § 2.º, incisos I e II, do Código Penal, e 244-B da Lei n. 8.069/1990. Em 22/01/2020 foi concedida a progressão ao regime aberto. Em 08/02/2021, o Juízo das Execuções reconheceu a prática de falta grave, haja vista a notícia de que o Apenado, no dia 23/06/2020, praticou o delito de furto, bem como determinou a regressão para o regime fechado (fls. 27-30). Irresignada, a Defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, que denegou a ordem, em acórdão assim ementado (fl. 22): "EMENTA: HABEAS CORPUS - EXECUÇÃO DA PENA - FALTA GRAVE - REGRESSÃO DE REGIME "PER SALTUM" - QUESTÕES VERTENTES À EXECUÇÃO DA PENA - VIA IMPRÓPRIA - CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO VERIFICADO. É cediço que na estreita via do Habeas Corpus não é possível a análise de questões que desafiem recursos próprios, não sendo admitido o presente remédio constitucional como sucedâneo de regular recurso, salvo em casos excepcionalíssimos de flagrante ilegalidade. Considerando, que o artigo 118, inciso I, da Lei nº. 7.210/84, determina que a execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, não há que se falar em constrangimento ilegal a ensejar a concessão da ordem." Neste writ, a Defesa busca a concessão da ordem, liminarmente, nos termos do parecer do Ministério Público mineiro, que transcreve na inicial, no sentido de que recomendável a regressão para o regime semiaberto, visto que condenado que se encontra há menos de 1 (um) ano para alcançar o requisito objetivo para o livramento condicional e regrediu diretamente do regime aberto para o fechado. É o relatório. Decido. De início, destaco que " a s disposições previstas nos arts. 64, III, e 202 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do Relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com súmula ou a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores, ou a contraria" (AgRg no HC 629.625/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 15/12/2020, DJe 17/12/2020). No mesmo sentido, ilustrativamente: "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. CONCESSÃO DA ORDEM SEM OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO PRÉVIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE PROCESSUAL. HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA CELERIDADE E À GARANTIA DA EFETIVIDADE DAS DECISÕES JUDICIAIS. PROGRESSÃO DE REGIME. CÁLCULO DE PENAS. REINCIDÊNCIA NÃO ESPECÍFICA EM CRIME HEDIONDO. PACOTE ANTICRIME. OMISSÃO LEGISLATIVA. ANALOGIA IN BONAM PARTEM. APLICAÇÃO DO ART. 112, V, DA LEP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Malgrado seja necessário, em regra, abrir prazo para a manifestação do Parquet antes do julgamento do writ, as disposições estabelecidas no art. 64, III, e 202, do Regimento Interno desta Corte, e no art. 1º do Decreto-lei n. 522/1969, não afastam do relator o poder de decidir monocraticamente o habeas corpus. 2. "O dispositivo regimental que prevê abertura de vista ao Ministério Público Federal antes do julgamento de mérito do habeas corpus impetrado nesta Corte (arts. 64, III, e 202, RISTJ) não retira do relator do feito a faculdade de decidir liminarmente a pretensão que se conforma com súmula ou jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça ou a confronta" (AgRg no HC 530.261/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 24/9/2019, DJe 7/10/2019). 3. Para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica. Precedentes. .. 6. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC 656.843/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 04/05/2021, DJe 10/05/2021; sem grifos no original.) Portanto, passo a analisar diretamente o mérito da impetração. O acórdão recorrido, na parte que interessa, está calcado nas seguintes razões de decidir (fl. 23): "No caso dos autos, contudo, observo que o paciente, em cumprimento de pena em regime aberto domiciliar, teria, supostamente, praticado falta grave, consistente em novo delito, sendo o regime regredido para o fechado. Como se observa, o paciente foi ouvido em sede de audiência de justificação, oportunidade em que confessou a prática de novo delito. Após, o devido procedimento de apuração, foi reconhecida judicialmente a prática de falta disciplinar e determinada a regressão do regime aberto para o fechado. Nesse sentido, imperioso destacar que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacificado acerca da possibilidade de regressão per saltum, não havendo que se observar a forma progressiva estabelecida no artigo 112 da LEP, o que se verifica na hipótese." De fato, o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que "a prática de falta grave, decorrente ou não de nova condenação, justifica a regressão do regime de cumprimento de pena do reeducando, ainda que estabelecido de forma mais gravosa do que a estabelecida na sentença condenatória, sendo admitida a regressão por salto" (AgRg nos EDcl no REsp 1.703.504/RO, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 04/06/2018). No mesmo sentido: "EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMETIMENTO DE FALTA GRAVE. REGRESSÃO PER SALTUM DE REGIME PRISIONAL. POSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que o art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal, estabelece que o apenado ficará sujeito à transferência para qualquer dos regimes mais gravosos quando praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, não havendo que se observar a forma progressiva estabelecida no art. 112 do normativo em referência (STJ. AgRg no REsp 1575529/MS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 17/06/2016) (AgRg no REsp 1672666/MS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, j. 13/03/2018, DJe 26/03/2018). 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no REsp 1.773.347/RO, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 27/11/2018, DJe de 10/12/2018; sem grifos no original.) "EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. PENA CONDENANDO AO REGIME ABERTO. NOTÍCIA DO COMETIMENTO DE NOVO DELITO. REGRESSÃO PER SALTUM. POSSIBILIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e este Superior Tribunal de Justiça, por sua Terceira Seção, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. 2. O art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal, estabelece que o apenado ficará sujeito à transferência para qualquer dos regimes mais gravosos quando praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, não havendo que se observar a forma progressiva estabelecida no art. 112 do normativo em referência (STJ. AgRg no REsp 1575529/MS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 17/06/2016) (STJ, AgRg no REsp 1672666/MS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, j. 13/03/2018, DJe 26/03/2018). 3. Habeas corpus não conhecido." (HC 456.990/PR, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe de 02/10/2018; sem grifos no original.) Ante o exposto, DENEGO a ordem de habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PRÁTICA DE NOVO DELITO NO CURSO DA EXECUÇÃO (FURTO). RECONHECIMENTO DE FALTA DISCIPLINAR DE NATUREZA GRAVE. REGRESSÃO DE REGIME PER SALTUM. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. ORDEM DE HABEAS CORPUS DENEGADA.