HC 620394 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque não se verifica flagrante constrangimento ilegal passível de correção de ofício e porque parte da matéria (alegação de que houve juntada de justificativa e sua desconsideração) não foi apreciada pelo Tribunal de origem, o que impediria o exame pelo STJ por supressão de instância;...
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- Parties
- Paciente: MARCOS VINICIUS DE PAULA SILVERIO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 34, Xx, Ristj)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Regressão De Regime, Regressão Cautelar, Monitoramento Eletrônico, Contraditório E Ampla Defesa, Supressão De Instância, Flagrante Constrangimento Ilegal
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Parties
MARCOS VINICIUS DE PAULA SILVERIO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 34, Xx, Ristj)
Legal Issues
- 1 possibilidade de regressão cautelar de regime sem prévia oitiva do condenado
- 2 eficácia e controle do monitoramento eletrônico e consequências do seu descumprimento
- 3 impossibilidade de apreciação pelo STJ de matéria não examinada pelo Tribunal de origem por supressão de instância
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque não se verifica flagrante constrangimento ilegal passível de correção de ofício e porque parte da matéria (alegação de que houve juntada de justificativa e sua desconsideração) não foi apreciada pelo Tribunal de origem, o que impediria o exame pelo STJ por supressão de instância; ademais, a jurisprudência do STJ admite a regressão cautelar do regime sem prévia oitiva do condenado quando evidenciada prática de falta grave (descumprimento do monitoramento eletrônico).
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Liminar indeferida.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpuscom pedido de liminar impetrado em favor de MARCOS VINICIUS DE PAULA SILVERIOem que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro(Agravo em execução n. 0305320-62.2014.8.19.0001). O acórdão foi resumido na seguinte ementa (fls. 72-73): Agravo de Execução Penal. Regime aberto. Regressão cautelar sem prévia oitiva do condenado. Irresignação defensiva, pugnando pela cassação da decisão do juízo a quo, com o restabelecimento do regime aberto, na modalidade PAD monitorada, devendo o apenado ser devidamente intimado para que lhe seja oportunizada a apresentação da sua justificativa. Apenado que transgrediu o sistema de monitoramento eletrônico. O regime em meio aberto não possui um controle rígido na liberdade corporal do indivíduo. Assim, para a oitiva do apenado, apresentação de justificativa de descumprimento e exercício de sua defesa, no procedimento de apuração de falta, forçoso restringir o direito ambulatorial. Não se evidencia violação aos ditames esposados no artigo 118, § 2º da Lei n.º 7210/84, que exige oitiva prévia do condenado para a regressão de regime definitiva e não cautelar. A Lei de Execuções Penais não aponta proibição à medida prévia inaudita altera pars. Precedentes desta e das Cortes Superiores. Agravante que não se mostrou readaptado às regras sociais e legais, além de não ter fortalecido seu senso de disciplina e responsabilidade, razão pela qual conserva-se a decisão atacada. Agravo conhecido e desprovido. O Juízo de primeiro grau regrediu cautelarmente o apenado para o regime semiaberto, após falta grave consistente em transgressão domonitoramento eletrônico. O Tribunal de origem, em agravo interposto pela defesa, negou provimento ao recurso. Sustenta a impetrante que o Juízo da execução decidiu pela regressão cautelar mesmo havendo petição de justificativa juntada aos autos. Alega tambéma impossibilidade de regressão de regime sem a prévia oitiva do apenado em juízo, para que possa apresentar as justificativas para o fato ocorrido. Requer a concessão da ordem de habeas corpuspara que seja declarada "a nulidade absoluta da decisão de regressão cautelar de regime, determinando-se que o Juiz da Vara de Execuções Penais profira outra com a prévia oitiva do ora Paciente em juízo, e prévia manifestação da defesa técnica" (fl. 11). A liminar foi indeferida nos termos da decisão de fls. 88-89. As informações foram prestadas às fls. 96-100. O Ministério Público Federal manifestou pelo não conhecimento do writ (fls. 102-105). É o relatório. Decido. Ainda que inadequada a impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal ou ao recurso constitucional próprio, diante do disposto no art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, o STJ considera passível de correção de ofício o flagrante constrangimento ilegal. Na hipótese, não se constata a existência de flagrante constrangimento ilegal que autorize a atuação ex officio. Em relação à questão da regressão ter ocorrido mesmo havendopetição de justificativa juntada aos autos, verifica-se que nãohouve apreciação da matéria pelo Tribunal de origem, o que inviabiliza sua análise pelo STJ, sob pena de indevida supressão de instância. Confira-se julgado a respeito: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. REGIME INICIAL. PEDIDO DE PROGRESSÃO DE REGIME. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Verifica-se que o pedido de progressão de regime prisional não foi objeto de apreciação pela Corte de origem, o que obsta o exame do tema por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de incidir em indevida supressão de instância. Precedentes. 2. Ademais, trata-se de questão atinente apenas à fixação do regime inicial para o cumprimento da pena privativa de liberdade, após a unificação das penas, nos termos do art. 111 da LEP, razão pela qual o Juízo da Execução fixou o regime semiaberto para o início do cumprimento da reprimenda. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 606.836/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 19/10/2020.) Quanto à matéria remanescente, assim dispôs o Tribunal de origem (fls. 75-80): Consta ainda, a colocação do requerente em liberdade, em 09/04/2018, ante a concessão de progressão para o regime aberto, na modalidade prisão albergue domiciliar. Não obstante, vislumbra-se cometimento de falta e descumprimento de regras atinentes à execução, nos termos da certidão do setor de monitoramento eletrônico, datado de 07/05/2019, indexador 0002 - fls.26, nos termos seguintes. "Certificamos que, conforme solicitação do Ministério Público Ref. mov. 86.1, após consulta ao sistema do setor de monitoramento eletrônico da SEAP, foi verificado que o apenado em tela compareceu ao setor de suporte e manutenção no dia 29/06/2018, para colocar o equipamento eletrônico; porém, o apenado voltou a transgredir por motivo de diversas violações por fim de bateria do equipamento, conforme certidão Ref. mov.74.1, e a tornozeleira eletrônica está desativada no sistema desde 16/07/2018, em razão dessa transgressão. O referido é verdade e dou fé.". Diante dos informes, o Parquet requereu a regressão cautelar ao regime semiaberto, considerando que o apenado não demonstra senso de responsabilidade e autodisciplina, o que restou acolhido pelo juízo. Colhe-se da decisão atacada - gn: "Merece ser acolhido requerimento ministerial de regressão cautelar apresentado pelo parquet, tendoem vista, a má conduta do apenado por diversas vezes. A questão sobre a possibilidade de regressão cautelar de regime é tema de acirrada controvérsia na doutrina e na jurisprudência. Com efeito, o art. 118, §2º da Lei de Execuções Penais dispõe que a execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita a forma regressiva quando o condenado praticar falta grave, devendo ser ouvido previamente o condenado. É certo que prevalece na doutrina a ideia da impossibilidade da regressão de regime sem a prévia oitiva do apenado, pois o mencionado dispositivo legal é expresso no tocante a tal determinação. Realmente, para a regressão de regime definitiva é imprescindível a oitiva do preso, em atendi- mento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Porém a regressão cautelar, em situação excepcional e demonstrado sério risco à execução penal, poderá ser determinada sem aquela providência, funda- mentada no poder geral de cautela, visando resguardar os interesses do Estado e da sociedade. Os objetivos da execução penal apenas não serão frustrados caso seja o apenado regredido cautelarmente de regime e, quando vier a ser preso, ao mesmo tempo em que exercerá seu direito de defesa, a administração apurará a falta cometida. Diante do exposto, considerando a falta grave praticada e a imperiosa necessidade da regressão de regime prisional para assegurar o correto cumprimento da pena privativa de liberdade, DETERMINO A REGRESSÃO CAUTELAR PARA O REGIME SEMIABERTO. Expeça-se mandado de prisão, observando-se o regime ora cautelarmente imposto. Registre-se. Comunique-se.". Com efeito, o regime em meio aberto não possui um controle rígido na liberdade corporal do indivíduo. Assim, para a oitiva do apenado, apresentação de justificativa de descumprimento e exercício de suadefesa, no procedimento de apuração de falta, forçoso restringir o direito ambulatorial. Note-se, que a convocação do penitente, sem qualquer restrição de liberdade, configuraria o desvalor da tutela e tornaria sua finalidade inalcançável. Noutro ponto, não se evidencia violação aos ditames esposados no artigo 118, § 2º da Lei n.º 7210/84, que exige oitiva prévia do condenado para a regressão de regime definitiva e não cautelar. A Lei de Execuções Penais não aponta proibição à medida prévia inaudita altera pars. .. Dessa forma, verifica-se que o ora agravante não se mostrou readaptado às regras sociais e legais,além de não ter fortalecido seu senso de disciplina e responsabilidade, razão pela qual mantém-se a decisão atacada. Pelo exposto, integrando neste, na forma regimental, o parecer da Procuradoria de Justiça, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao agravo. Não se constata ilegalidade no tocante à questão levantada,uma vez que este Tribunal tem o entendimento de que,sendo evidenciada a prática de falta grave, é cabível a cautelar regressãodo regime prisional sem a exigência de prévia oitiva do condenado, que se faz necessária apenas na regressão definitiva. Confiram-sejulgados a respeito: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.EXECUÇÃO PENAL. FALTA GRAVE. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DO REGIME ABERTO. REGRESSÃO CAUTELAR. POSSIBILIDADE. 1. É certo que, de acordo com a jurisprudência desta Corte, "evidenciando-se a prática de falta grave, é perfeitamente cabível a regressão cautelar do regime prisional pelo Juiz das Execuções, sem a exigência da oitiva prévia do condenado, necessária apenas na regressão definitiva ao regime mais severo" (HC n. 455.461/PR, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 4/2/2019). 2. Na hipótese, o agravante teria, supostamente, praticado falta grave, uma vez que descumpriu as condições do regime aberto, o que, de fato, enseja a regressão cautelar do regime prisional. 3. Agravo regimental desprovido.(AgRg no HC 632.398/SP, relatorMinistro Antonio SaldanhaPalheiro, SextaTurma, DJe 30/03/2021.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DO MONITORAMENTO ELETRÔNICO.SUPOSTA FALTA GRAVE A SER APURADA. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME PRISIONAL. POSSIBILIDADE. INFRAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça encontra-se alinhada "no sentido de que o submetido a monitoramento eletrônico deve observar as condições e limites estabelecidos para o seu deslocamento, sob pena de cometer falta grave". (HC 527.452/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (Desembargador Convocado do TJ/PE), Quinta Turma, julgado em 12/11/2019, DJe 20/11/2019) 2. Na espécie, constatado, em tese, a prática de falta grave, o Juízo das execuções suspenderá cautelarmente o benefício, ficando a apuração dos fatos e a oitiva do apenado para um momento posterior, inexistindo, portanto, o apontado constrangimento ilegal. 3. Esta Corte Superior possui entendimento pacífico no sentido de que, cometida falta grave pelo condenado, é perfeitamente cabível a regressão cautelar do regime prisional, sem a oitiva prévia do apenado, que somente é exigida na regressão definitiva. Precedentes.(AgRg no HC 355.838/GO, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 27/09/2016, DJe 11/10/2016) 4. Agravo regimental improvido.(AgRg no RHC 129.736/RS, relatorMinistro Reynaldo Soares da Fonseca, QuintaTurma,DJe 14/12/2020.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. Após o trânsito em julgado, remetam-se os autos ao arquivo.