HC 699183 - DECISAO
O habeas corpus foi denegado por ser via inadequada para reexaminar decisão de regressão de regime, cuja impugnação deve ocorrer por agravo em execução; adicionalmente, o Juízo das Execuções fundamentou adequadamente a sustação do regime aberto e a regressão ao regime fechado em razão de novo crime cometido durante...
Source-derived case information.
- Parties
- Ministério Público: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 November 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória (liminar Indeferida E Mérito Julgado)
- Outcome
- habeas corpus denegado
- Legal Topics
- Regressão De Regime, Livramento Condicional, Sustação Do Regime, Recurso Cabível: Agravo Em Execução, Bis in Idem (alegação)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Ministério Público Federal
Ministério Público
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória (liminar Indeferida E Mérito Julgado)
Legal Issues
- 1 Via inadequada do habeas corpus para reexame de decisão que determinou regressão de regime (deve ser agravo em execução)
- 2 Possibilidade de regressão 'per saltum' ao regime mais gravoso em razão de novo crime cometido durante o período de prova
- 3 Necessidade ou não de trânsito em julgado para caracterização de falta grave
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi denegado por ser via inadequada para reexaminar decisão de regressão de regime, cuja impugnação deve ocorrer por agravo em execução; adicionalmente, o Juízo das Execuções fundamentou adequadamente a sustação do regime aberto e a regressão ao regime fechado em razão de novo crime cometido durante o período de prova, situação autorizada pelo art.118 da Lei de Execução Penal e pela jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
habeas corpus denegado
Orders
- Indefere-se liminarmente o writ nos termos do art. 663 do CPP e art. 248 do Regimento Interno do TJSP
- Denega-se a ordem de habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em face de acórdão assim ementado (fl. 13): Habeas corpus - Cometimento de novo crime durante cumprimento de pena - Inconformismo ante determinação de regressão para regime prisional mais gravoso pelo Juízo da Execução - Via inadequada para análise do pedido. Em sede de habeas corpus é inviável reexaminar decisão que determinou a regressão do reeducando no respectivo regime prisional. A matéria deve ser apreciada em grau de recurso pelo próprio Tribunal de Justiça, mas em sede de Agravo em Execução. Consta dos autos que o Juízo das Execuções, ao analisar notícia de novo delito praticado pelo apenado, o qual se encontrava em livramento condicional, suspendeu o cumprimento da pena no regime aberto e determinou a regressão para o regime fechado. Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus, tendo o Tribunal de origem indeferido liminarmente o writ, ante a existência de recurso próprio. Alega o impetrante que "a r. decisão de fls. 50 de primeiro grau, possui contornos de maior gravidade, pois não estabeleceu justificativa para a efetiva imprescindibilidade da transferência do paciente ao regime fechado indefinidamente". Salienta que "a regressão para o regime inicial mais gravoso e a conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade caracterizou bis in idem, evidenciando-se a coação ilegal ao direito de liberdade individual do paciente". Requer liminarmente e no mérito, "seja fixado o regime aberto ao paciente ou subsidiariamente a prisão domiciliar". Indeferida a liminar e prestadas as informações, manifestou-se o Ministério Público Federal pela prejudicialidade do writ. O acórdão impugnado assim dispôs (fls. 14-15): Indefere-se liminarmente o presente writ, nos termos do art. 663 do Código de Processo Penal e do art. 248 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de São Paulo. A via eleita não se presta a funcionar como substitutivo do agravo em execução, recurso cabível para o reexame da matéria ora ventilada. Inviável, no restrito âmbito do writ, o enfrentamento do tema levantado na impetração. Ao sentenciado competia manifestar seu inconformismo pela via recursal adequada, que é o agravo em execução. Nas hipóteses em que tenha havido interposição dentro do prazo legal, deve o reeducando simplesmente aguardar a decisão do Tribunal; naquelas situações nas quais, todavia, simplesmente deixou que mencionado prazo transcorresse in albis, nada mais há para ser feito, estando a questão preclusa. Não se concebe, de qualquer modo, a alegação da i. Defesa no sentido de que a r. decisão recorrida seria deficiente em sua fundamentação. O Magistrado a quo fundamentou e bem apreciou os elementos carreados ao feito que estava sendo processado por outro crime, cometido, durante o período de prova, tendo asseverado que sua convicção no sentido da sustação cautelar do regime aberto, determinando-se a transferência do paciente para o regime fechado, sob a seguinte e adequada fundamentação (fls. 50 dos autos principais): Haja vista que, conforme documento retro, o (a) sentenciado (a) está sendo processado (a) por outro crime, cometido, durante o período de prova e está preso (a), SUSTO o cumprimento da pena no regime aberto, com data retroativa à da nova prisão. Atualize-se o histórico de partes, emitindo-se a ficha do réu, para apuração da pena restante. Tratando-se de incidente de regressão, com sustação do regime, a natureza da prisão é, em verdade, provisória, semelhante à prisão preventiva, devendo ser cumprida, neste momento, no regime fechado. Ante o exposto, indefere-se liminarmente o habeas corpus, nos termos do art. 663 do Código de Processo Penal e do art. 248 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de São Paulo. In casu, o paciente cumpria pena em regime aberto, encontrando-se em período de prova, quando cometeu novo delito em 29/7/2020, razão pela qual houve a sustação do regime aberto, bem como a regressão cautelar ao regime fechado, inexistindo qualquer ilegalidade conforme a jurisprudência desta Corte. Nesse sentido: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REGRESSÃO PER SALTUM DE REGIME PRISIONAL. POSSIBILIDADE. O art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal, estabelece que o apenado ficará sujeito à transferência para qualquer dos regimes mais gravosos quando praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, não havendo que se observar a forma progressiva estabelecida no art. 112 do normativo em referência. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1575529/MS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 17/06/2016) "HABEAS CORPUS". EXECUÇÃO DA PENA. FALTA GRAVE. REGRESSÃO DE REGIME. PASSAGEM DO REGIME ABERTO PARA O REGIME FECHADO. SUPOSTA ILEGALIDADE NA REGRESSÃO "PER SALTUM". FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. 1. Os Tribunais Superiores restringiram o uso do "habeas corpus" e não mais o admitem como substitutivo de recursos, e nem sequer para as revisões criminais. 2. A execução da pena se submete à forma regressiva. Por isso, o condenado pode ser transferido para qualquer dos regimes previstos no art. 33, do Código Penal, dependendo de avaliação do Juízo das Execuções ou do Tribunal das circunstâncias e peculiaridades do caso concreto para decidir o regime adequado. 3. "Habeas corpus" não conhecido. (HC 273.726/MG, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, QUINTA TURMA, julgado em 25/03/2014, DJe 31/03/2014.) HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PACIENTE CONDENADO POR CRIMES DE ROUBO E TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. PROGRESSÃO AO REGIME SEMIABERTO. PRÁTICA DE NOVOS DELITOS (TRÁFICO DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO E FORNECIMENTO DE ARMA DE FOGO, DE NUMERAÇÃO RASPADA). REGRESSÃO PARA O REGIME FECHADO. POSSIBILIDADE. TRÂNSITO EM JULGADO DE SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA. DESNECESSIDADE. ORDEM DE HABEAS CORPUS DENEGADA. 1. Nos termos do art. 118 da Lei de Execução Penal, a transferência do condenado, a título de regressão, pode ocorrer para qualquer dos regimes mais rigorosos. Precedentes. 2. Na hipótese, enquanto cumpria pena no regime semiaberto, o Paciente foi indiciado pelo cometimento de novos crimes (tráfico de drogas, associação ao tráfico e fornecimento de arma de fogo, de numeração raspada). Após ouvido pelo Juízo das Execuções, foi corretamente decretada a sua regressão do regime semiaberto ao fechado, alterada a data-base para o dia 25/02/2011 e decretada a perda de 1/3 dos dias remidos, não se constatando, pois, o apontado constrangimento ilegal. 3. Basta o cometimento de fato definido como crime doloso para o reconhecimento da falta grave, sendo prescindível o trânsito em julgado da condenação para a aplicação das sanções disciplinares. Precedentes.4. Ordem de habeas corpus denegada. (HC 267.886/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJe 26/08/2013.) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REGRESSÃO PER SALTUM DE REGIME PRISIONAL. COMETIMENTO DE NOVO DELITO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. 1. A execução da pena sujeita-se à forma regressiva, podendo o condenado ser transferido para qualquer dos regimes previstos no art. 33 do Código Penal, consoante a redação do art. 118 da Lei de Execução Penal. Assim, não é necessária a observância da forma progressiva descrita no art. 112 da Lei n.º 7.210/1984, competindo ao julgador analisar as circunstâncias do caso e decidir o regime adequado à espécie. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1281950/RO, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 17/09/2013, DJe 25/09/2013.) Ante o exposto, denego o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.