RHC 188019 - DECISAO
O recurso foi julgado prejudicado em razão da progressão do recorrido ao regime aberto e expedição de alvará de soltura; anteriormente, a regressão cautelar do regime foi considerada legal e motivada pelo não comparecimento do recorrido para início do cumprimento da pena, sendo possível a regressão sem prévia oitiva...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: JOSE AUGUSTO DA FONSECA; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Recurso Em Habeas Corpus Prejudicado
- Outcome
- recurso em habeas corpus julgado prejudicado
- Legal Topics
- Regressão De Regime, Regressão Cautelar, Substituição De Pena Por Prestação De Serviços, Intimação Para Início De Cumprimento De Pena, Perda De Objeto
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOSE AUGUSTO DA FONSECA
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Recurso Em Habeas Corpus Prejudicado
Legal Issues
- 1 legalidade da regressão cautelar do regime de cumprimento da pena
- 2 necessidade ou não de prévia oitiva do condenado na regressão cautelar
- 3 proporcionalidade da prisão em relação à pena imposta
Ratio Decidendi
O recurso foi julgado prejudicado em razão da progressão do recorrido ao regime aberto e expedição de alvará de soltura; anteriormente, a regressão cautelar do regime foi considerada legal e motivada pelo não comparecimento do recorrido para início do cumprimento da pena, sendo possível a regressão sem prévia oitiva segundo a jurisprudência citada e o disposto no art. 118, I, da LEP.
Court Disposition
recurso em habeas corpus julgado prejudicado
Orders
- Julgo prejudicado o recurso em habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso em habeas corpus, com pedido liminar, interposto por JOSE AUGUSTO DA FONSECA, em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ, assim ementado (fls. 75/76): HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE LIMINAR. ALMEJADA REFORMA DA DECISÃO QUE DECRETOU A REGRESSÃO CAUTELAR DO APENADO DO REGIME ABERTO PARA O FECHADO. MEDIDA DESPROPORCIONAL AO QUANTUM DA PENA APLICADA. IMPROCEDENTE. APLICAÇÃO DO ART. 118, I DA LEP, QUE SUJEITA O INFRATOR ÀREGRESSÃO DO REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA MAIS GRAVOSO. 1. Ao contrário do que sustentam os impetrantes, não se cogita a existência de ilegalidade na regressão cautelar de regime do paciente, já que foi determinada, de forma motivada, para viabilizar o cumprimento da pena, diante do fato de o paciente, após ter sido intimado deixou de comparecer para iniciar o cumprimento da pena. Intimado mais uma vez para audiência de regressão o apenado também não compareceu, e como bem destacou o magistrado em sua decisão, o que denota o descaso do apenado para com as instituições, bem como o interesse deste se furtar a aplicação da lei, conforme bem destacou o magistrado a quo. 2. Inexiste ilegalidade decorrente da regressão ter sido decretada, isto é, do aberto para o fechado, porquanto a regra inserida no artigo 118, inc. I, da Lei de Execução Penal permite que a regressão seja feita com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, como no presente caso. 3. Não obstante, o caso dos autos se trata apenas de regressão cautelar, admitida pela jurisprudência pátria, e na qual não é necessária a prévia oitiva do condenado, uma vez que tal exigência somente é obrigatória na regressão definitiva ao regime mais severo. Precedentes do STJ e deste TJPA. 3. HABEAS CORPUS CONHECIDO E ORDEM DENEGADA. Consta dos autos que o recorrente foi condenado, como incurso nos arts. 129, § 9º, 147 e 148, § 1º, todos do CP, a 2 anos de reclusão e 7 meses de detenção, em regime inicial aberto, substituindo-se a pena privativa de liberdade pela pena alternativa de 940 dias de prestação de serviços à comunidade (fls. 12-15). Consta, ainda, que designada audiência para o início de cumprimento da pena, o recorrente não compareceu, apesar de regularmente intimado, tendo, então, o Ministério Público se manifestado pela decretação da prisão preventiva do condenado. "Em 07/03/2017, o Juízo proferiu decisão cancelando a substituição da pena, regredindo o regime de cumprimento da pena para o regime fechado, e determinando a prisão do paciente .. Em 24/07/2023 a Polícia Civil informou o cumprimento do Mandado de Prisão contra o paciente" (fl. 42). Impetrado habeas corpus no Tribunal de origem, foi a ordem denegada. Alega a defesa constrangimento ilegal, uma vez que o recorrente está "preso em regime fechado, há mais de 63 dias, para cumprimento de uma pena de 2 anos e 7 meses, tendo em vista o suposto descumprimento de pena restritiva de direitos" (fl. 100). Argumenta ser a prisão "totalmente desarrazoada e desproporcional, estando em situação mais grave do que a pena imposta" (fl. 100). Requer, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão ou "que sejam aplicadas medidas cautelares diversas da prisão" (fl. 103). Liminar indeferida e prestadas as informações. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do recurso ordinário, mas pela concessão de ordem de habeas corpus, de ofício, para determinar que o Juízo de primeiro grau, caso ainda não o tenha feito, proceda à realização de audiência de justificação. Em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal de origem, verifica-se que nos autos do processo de execução n. 2000026-77.2023.8.14.0038, o ora recorrente foi progredido ao regime aberto, em 3/4/2024, tendo sido expedido alvará de soltura em seu favor, o que evidencia a perda do objeto deste recurso. Ante o exposto, julgo prejudicado o recurso em habeas corpus Publique-se. Intimem-se. EMENTA