HC 660703 - DECISAO
O aresto atacado observa a jurisprudência consolidada do STJ, segundo a qual, adquirida a condição de reincidente, esta se aplica sobre a totalidade das penas somadas para fins de cálculo de benefícios; assim, não há ilegalidade a justificar a concessão da ordem e o habeas corpus deve ser denegado.
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- Parties
- Paciente: EDUARDO PIRES DA SILVA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Denego a ordem do habeas corpus.
- Legal Topics
- Reincidência, Cálculo De Penas, Benefícios, Lei 13.964/2019
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Parties
EDUARDO PIRES DA SILVA
Paciente
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa da Lei 13.964/2019 às execuções em curso
- 2 Se a condição de reincidência se estende sobre a totalidade das penas somadas para efeitos de cálculo de benefícios
- 3 Competência do Juízo da Execução para averiguar natureza dos crimes e circunstância pessoal do condenado na aplicação do art. 111 da LEP
Ratio Decidendi
O aresto atacado observa a jurisprudência consolidada do STJ, segundo a qual, adquirida a condição de reincidente, esta se aplica sobre a totalidade das penas somadas para fins de cálculo de benefícios; assim, não há ilegalidade a justificar a concessão da ordem e o habeas corpus deve ser denegado.
Court Disposition
Denego a ordem do habeas corpus.
Orders
- Denego a ordem do habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO EDUARDO PIRES DA SILVA alega sofrer constrangimento ilegal em seu direito a locomoção, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que negou provimento ao Agravo em Execução n. 0703048-22.2021.8.07.0000, a fim de preservar o cálculo de penas realizado pelo Juízo da execução. Nas razões deste writ, a defesa pleiteia a "aplicação retroativa da Lei 13.964/2019, individualmente às execuções em curso, considerando-se a reincidência (verificada ou não) à época da formação do título condenatório" (fl. 11). Não concedida a medida liminar e prestadas as informações, foram os autos ao Ministério Público Federal, que pugnou pela denegação da ordem. Decido. Sobre a matéria posta em exame, destaco que o aresto impugnado não padece de ilegalidade, pois está em conformidade com o entendimento desta Corte. Com efeito, a jurisprudência deste Superior Tribunal é firme em assinalar que "a condição de reincidente, uma vez adquirida pelo sentenciado, estende-se sobre a totalidade das penas somadas, não se justificando a consideração isolada de cada condenação e tampouco a aplicação de percentuais diferentes para cada uma das reprimendas (HC n. 307.180/RS, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 13/5/2015, destaquei). Prevalece a compreensão de que: 1. .. a reincidência é circunstância de caráter pessoal que pode ser reconhecida na fase da execução penal e estende-se sobre a totalidade das penas somadas para efeito de cálculo dos benefícios. 2. Certamente, não cabe ao Juízo da Execução rever a sentença a cumprir. Contudo, quando houver condenação definitiva por mais de um crime, é de sua competência, no momento da aplicação do art. 111 da LEP, averiguar a natureza dos delitos (comum, hediondo ou outros a ele equiparados) e a circunstância pessoal do reeducando (primariedade ou reincidência), dados que interferem na efetivação do cumprimento da pena unificada. 3. Na hipótese, como o agravado registra pluralidade de condenações, é aplicável a fração de 1/2 sobre as penas somadas para efeito do livramento, ainda que reconhecida a sua primariedade ao tempo de algumas sentenças, pois a condição de reincidente passou a reger a execução como um todo. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 1329950/MS, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 10/12/2018). .. II - A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é firme ao declarar que a condição de reincidente, uma vez adquirida pelo sentenciado, estende-se sobre a totalidade das penas somadas, não se justificando a consideração isolada de cada condenação e tampouco a aplicação de percentuais diferentes para cada uma das reprimendas. Precedentes. .. (AgRg no HC 616.696/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 18/12/2020). Cito, ainda, o HC n. 167.967/MG, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, julgado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, publicado no DJe de 22/3/2021. no qual ficou consignado que, "Em razão da superveniência de nova condenação, na qual reconhecida a reincidência, o cálculo alusivo à concessão de benefícios, em relação ao total das penas, deve considerar a condição pessoal". À vista do exposto, denego a ordem do habeas corpus. Publique-se e intimem-se.