HC 1027022 - DECISAO
Por ser a reincidência condição pessoal que incide sobre a integralidade das penas unificadas na execução penal, não é possível aplicar frações diferentes para cada condenação; diante da ausência de ilegalidade manifesta e da vedação ao uso do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, a ordem não se...
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- Parties
- Paciente: JOZUEL FERREIRA DA SILVA; Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida; habeas corpus não conhecido/concedido
- Legal Topics
- Reincidência, Progressão De Regime, Unificação De Penas, Frações Para Progressão
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
JOZUEL FERREIRA DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Se a reincidência se estende a todas as penas somadas na execução penal
- 2 Se é possível aplicar frações diferenciadas para cada condenação na progressão de regime
- 3 Se há manifesta ilegalidade apta a justificar habeas corpus em substituição de recurso próprio
Ratio Decidendi
Por ser a reincidência condição pessoal que incide sobre a integralidade das penas unificadas na execução penal, não é possível aplicar frações diferentes para cada condenação; diante da ausência de ilegalidade manifesta e da vedação ao uso do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, a ordem não se concede e a liminar é indeferida.
Court Disposition
Liminar indeferida; habeas corpus não conhecido/concedido
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de JOZUEL FERREIRA DA SILVA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ assim ementado: EXECUÇÃO PENAL. RECURSO DE AGRAVO. DECISÃO QUE CONSIDERA O APENADO REINCIDENTE EM AÇÃO PENAL E INDEFERE PEDIDO DE ALTERAÇÃO DE PERCENTUAL DE CUMPRIMENTO DE PENA PARA ALCANÇAR O REQUISITO OBJETIVO PARA FINS DE PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL. INSURGÊNCIA DEFENSIVA. PLEITO DE INCIDÊNCIA DE PERCENTUAL DIVERSO. IMPROCEDÊNCIA. RECONHECIMENTO DE REINCIDÊNCIA PARA FINS DE PROGRESSÃO DE REGIME. CONDIÇÃO PESSOAL DO APENADO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Recurso de agravo interposto contra decisão que considerou o agravante como reincidente na execução penal, indeferindo o pedido de retificação do relatório da situação processual executória. O agravante alega erro na aplicação das frações para progressão de regime, sustentando que deveria ser aplicada uma fração de 2/5 para a primeira condenação, quando ainda era primário, e 3/5 para a segunda, já como reincidente. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a fração de cumprimento da pena para progressão de regime deve ser alterada para 2/5 e 3/5, em razão da alegação de erro na aplicação das frações devido à condição de reincidência do apenado. III. Razões de decidir 3. A reincidência é uma condição pessoal do apenado que se estende sobre a totalidade das penas somadas, não sendo possível aplicar frações diferenciadas para cada condenação. 4. O reconhecimento da reincidência para fins de execução penal é válido mesmo que não tenha sido considerado pelo juiz sentenciante na condenação. 5. A jurisprudência do STF e do STJ confirma que a reincidência deve ser considerada na execução penal, afetando a progressão de regime. IV. Dispositivo e tese 6. Recurso conhecido e não provido. Teses de julgamento: "A reincidência é uma condição pessoal que, uma vez reconhecida, se estende a todas as penas somadas, não sendo possível a aplicação de frações diferenciadas para cada condenação na execução penal." Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, pois a reincidência específica em crime hediondo ou equiparado não pode produzir efeito sobre todas as condenações somadas na execução penal, devendo incidir somente em relação àquelas em que o apenado efetivamente possuía tal condição. Requer, em suma, a retificação do cálculo de pena para que seja aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento), para fins de progressão de regime, às condenações em que o reeducando não era reincidente específico em crime hediondo ou equiparado. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto à controvérsia apresentada: Por consequência, as regras relativas à reincidência atingem toda a execução da pena e não é possível que no processo de execução de pena se apliquem requisitos objetivos diferentes para cada condenação (conforme a ação penal tenha reconhecido a reincidência ou a primariedade do réu). Assim, unificada a pena, há reincidência (fl. 47). Segundo entendimento firmado nesta Corte, a reincidência é circunstância pessoal que, no momento da unificação das penas, interfere na integralidade dos feitos em execução, e não somente nas penas em que ela tiver sido reconhecida, sem que se possa falar em ofensa à coisa julgada. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE RECONHECIMENTO DA REINCIDÊNCIA PELO JUÍZO SENTENCIANTE. PROCLAMAÇÃO PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE REFORMATIO IN PEJUS. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ACOLHIDOS. 1. A individualização da pena se realiza, essencialmente, em três momentos: na cominação da pena em abstrato ao tipo legal, pelo Legislador; na sentença penal condenatória, pelo Juízo de conhecimento; e na execução penal, pelo Juízo das Execuções. 2. A intangibilidade da sentença penal condenatória transitada em julgado não retira do Juízo das Execuções Penais o dever de adequar o cumprimento da sanção penal às condições pessoais do réu. 3. "Tratando-se de sentença penal condenatória, o juízo da execução deve se ater ao teor do referido decisum, no tocante ao quantum de pena, ao regime inicial, bem como ao fato de ter sido a pena privativa de liberdade substituída ou não por restritivas de direitos. Todavia, as condições pessoais do paciente, da qual é exemplo a reincidência, devem ser observadas pelo juízo da execução para concessão de benefícios (progressão de regime, livramento condicional etc)" (AgRg no REsp 1.642.746/ES, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 03/08/2017, DJe 14/08/2017). 4. Embargos de divergência acolhidos para, cassando o acórdão embargado, dar provimento ao agravo regimental, para dar provimento ao recurso especial e, assim, também cassar o acórdão recorrido e a decisão de primeiro grau, devendo o Juízo das Execuções promover a retificação do atestado de pena para constar a reincidência, com todos os consectários daí decorrentes. (EREsp n. 1.738.968/MG, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, DJe de 17.12.2019.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. REINCIDÊNCIA. RECONHECIMENTO NA TOTALIDADE DA PENA UNIFICADA. DELITOS DA MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Terceira Seção desta Corte, no julgamento do EREsp n. 1.738.968/MG/RS, de minha Relatoria, DJe 17/12/2019, estabeleceu que a intangibilidade da sentença penal condenatória transitada em julgado não retira do Juízo das Execuções Penais o dever de adequar o cumprimento da sanção penal às condições pessoais do réu. 2. Desse entendimento não destoou a Corte estadual, uma vez que, na unificação das penas, a condição de reincidente, configurada na condenação posterior, deve ser levada em conta na integralidade dos feitos em execução referentes a delitos da mesma espécie. 3. Agravo regimental desprovido (AgRg no HC n. 785.099/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 21/8/2023.) AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. REINCIDÊNCIA. CONDIÇÃO PESSOAL. INCIDÊNCIA SOBRE O SOMATÓRIO DAS PENAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA SOBRE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. I - Segundo entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça, na hipótese de haver múltiplas condenações reunidas em uma única execução penal, a reincidência incide, em regra, sobre o somatório das penas unificadas. .. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no REsp n. 1.985.451/MG, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 30.5.2023.) Nessa linha, a decisão de origem está em conformidade com a orientação do STJ. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA