AREsp 2673364 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o exame da pretensão exigiria reavaliação do conjunto probatório (escritura, levantamento topográfico e depoimentos), o que é vedado no recurso especial pela Súmula n. 7/STJ; além disso, o Tribunal de origem concluiu que houve esbulho e que a parte...
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- Parties
- Agravante: FRANCISCA MARIA PEDRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial Não Conhecimento
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Reintegração De Posse, Ônus Da Prova, Art. 373 Do CPC, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
FRANCISCA MARIA PEDRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 inversão do ônus da prova (art. 373, I e II, CPC)
- 2 comprovação do esbulho e da posse anterior
- 3 vedação ao reexame de provas em recurso especial (Súmula n. 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o exame da pretensão exigiria reavaliação do conjunto probatório (escritura, levantamento topográfico e depoimentos), o que é vedado no recurso especial pela Súmula n. 7/STJ; além disso, o Tribunal de origem concluiu que houve esbulho e que a parte ré não comprovou fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alegado pelo autor, afastando matéria de direito federal passível de exame pelo STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoram-se os honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por FRANCISCA MARIA PEDRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA, assim resumido: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - COISAS - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA - RECURSO DOS AUTORES - ESBULHO COMPROVADO - SUBSISTÊNCIA - CONJUNTO PROBATÓRIO QUE DEMONSTRA A INVASÃO DE PARTE DO IMÓVEL DOS AUTORES (ART. 373, I, CPC) - TESES DEFENSIVAS CARENTES DE PRODUÇÃO PROBATÓRIA - INEXISTÊNCIA DE FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR (ART. 373, II, CPC) - DEMONSTRAÇÃO DA POSSE ANTERIOR, DO ESBULHO E PERDA DA POSSE, REQUISITOS SUFICIENTES PARA ENSEJAR A REINTEGRAÇÃO DE POSSE - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 373, I, do CPC, no que concerne ao ônus do autor de provar o seu direito, não se podendo inverter a ordem natural do ônus probatório, trazendo a seguinte argumentação: 8 - O fato é que, enquanto a magistrada de Primeiro Grau se ateve ao disposto no inciso I, do artigo, 373, do Código de Processo Civil, que determina incumbir ao autor a prova de seu direito, o Colegiado se ateve ao inciso II, do referido artigo 373, do mesmo pergaminho processual, que remete ao réu a incumbência de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. .. 11 - Portanto, a motivação do presente Recurso Especial se dá com fundamento na letra "a", do inciso III, do artigo 105, da Constituição Federal, vez que o v. Acordão recorrido nega vigência ao disposto no inciso I, do artigo 373, do Código de Processo Civil, para fazer prevalecer o inciso II do mesmo dispositivo, quando a ordem natural é a inversa: incumbe ao autor comprovar seu direito, para então o réu demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo ao vindicado na inicial. 12 - Pela compreensão do Colegiado, a comprovação de- veria ter sido feita pela parte requerida, e não pelo autor, o que é absolutamente inconcebível. .. 13 - No presente caso, a razão de decidir do e. Relator do v. Acordão recorrido está apenas e tão somente motivado no inciso II, do artigo 373, do Có- digo de Processo Civil, tanto que alude a outro julgado de sua relatoria a que destaca referido dispositivo. 14 - Contraditoriamente, na sequência, faz menção de texto doutrinário que demonstra o acerto da decisão de Primeiro Grau, em que se refere ao inciso I, do mencionado artigo 373, do Código de Processo Civil, no qual a e. Magistrada se embasou para decidir. A ver: (fls. 611-612). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: No caso concreto, alegou a parte autora que é possuidora do terreno de 1.309 m , de matrícula n. 14.569, do RI de Barra Velha/SC, o qual teria sido esbulhado pelos réus, que construíram um muro desrespeitando os marcos divisórios, adentrando no terreno em mais de 5 (cinco) metros de comprimento de um lado, e quase 2 (dois) metros do outro. Para comprovar suas alegações acostou aos autos escritura de compra e venda do imóvel de matrícula 14.261, do RI de Barra Velha, o qual é constituído pelo lote n. 2-A, do desmembramento de área maior, com a área total de 1.309,00 metros quadrados e as seguintes medidas e confrontações: medindo 18,70 metros de frente a oeste para a Rod. BR-101 e 18,70 metros de largura nos fundos a leste com a área 2-B; 70 metros de extensão em ambos os lados, estremando do lado direito a sul de quem da frente olha o imóvel com terras de Maria Persike de Oliveira e do lado esquerdo ao norte com a Rua 1.522, onde faz esquina (270.10-11). Também apresentou levantamento topográfico realizado por Luiz Pacheco de Souza em 5/1/2010 juntado no evento 270.12, demonstrando que houve invasão da área, em razão de ter sido apurado que a metragem está diversa da originalmente pactuada entre as partes. O referido profissional prestou depoimento nos presentes autos em duas oportunidades. .. Entendo que a prova produzida nos autos demonstra que, de fato, houve o esbulho da área dos autores pela parte requerida, uma vez que os depoimentos prestados pelas testemunhas foram no sentido de que houve a construção de um segundo muro que avançava sobre o terreno da parte autora. Por outro lado, a alegação da parte ré de que houve a diminuição do tamanho do tamanho do terreno do autor em razão da duplicação da BR-101, que teria avançado para dentro da área da parte requerente, não possui qualquer amparo nos autos. Inexiste a comprovação pelo autor de quando houve a duplicação da rodovia, tampouco de que esta teria invadido as áreas ao redor. Aliás, a parte ré sequer demonstrou que a metragem do seu terreno estava correta e em consonância com a matrícula do imóvel, provas que seriam suficientes para impedir o direito do autor, ônus que lhe incumbia, mas deixou de exercer a faculdade probatória que lhe cabia. Sabe-se que mera alegação não faz prova e o direito vive e reina sobre elementos probatórios, cabendo à ré o ônus de comprovar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 373, II, CPC) (fls. 597-599). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA