AREsp 2527746 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o Município recorrente não indicou de forma precisa os dispositivos legais federais supostamente violados nem apontou o dissídio interpretativo exigido, incorrendo na deficiência de fundamentação impedidora do conhecimento do recurso, nos termos da Súmula n.284/STF,...
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- Parties
- Agravante: Município de Itabaiana
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual Na Segunda Turma Do Superior Tribunal De Justiça (04/06/2024 a 10/06/2024)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno, mantendo a decisão recorrida.
- Legal Topics
- Reintegração Em Cargo Público, Tutela Antecipada, Admissibilidade De Recurso, Súmula 284/stf, Enunciados Administrativos N.2 E N.3/stj
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Parties
Município de Itabaiana
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual Na Segunda Turma Do Superior Tribunal De Justiça (04/06/2024 a 10/06/2024)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula n.284/STF por deficiência de fundamentação nas razões recursais
- 2 requisitos de admissibilidade conforme Enunciados Administrativos n.2 e n.3 do STJ e aplicação dos CPC de 1973/2015
- 3 existência ou não de contrapartida indenizatória por nomeação tardia decorrente de decisão judicial
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o Município recorrente não indicou de forma precisa os dispositivos legais federais supostamente violados nem apontou o dissídio interpretativo exigido, incorrendo na deficiência de fundamentação impedidora do conhecimento do recurso, nos termos da Súmula n.284/STF, observados os critérios de admissibilidade previstos nos Enunciados Administrativos n.2 e n.3 do STJ.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno, mantendo a decisão recorrida.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal e no art. 21‑E, V, do Regimento Interno do STJ.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 04/06/2024 a 10/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO EM CARGO PÚBLICO, C/C DANOS MORAIS E MATERIAIS. TUTELA ANTECIPADA. ENUNCIADOS ADMINISTRATIVOS N. 2 E 3/STJ. SÚMULA N. 284 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de reintegração em cargo público, c/c danos morais e materiais e pedido de tutela antecipada, objetivando reformar a sentença prolatada pelo Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Itabaiana/SE. Na sentença os pedidos foram julgados improcedentes. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada, para condenar os apelados a pagar à apelante a remuneração referente aos salários e demais benefícios, a partir do mês em que foi exonerada até a sua efetiva reintegração. II - Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n. 2 e 3, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. III - Mediante análise do recurso de Município de Itabaiana, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020. IV - Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. V - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou agravo interposto por Município de Itabaiana contra decisão que inadmitiu recurso especial com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: Nota-se que a controvérsia diz respeito contrapartida indenizatória ao candidato cuja nomeação tardia decorreu de decisão judicial, em caso similar, uma vez que o TJSE julgou em consonância com a jurisprudência firmada pelo Superior tribunal de justiça. Consignando-se, que é aplicável a regra prevista no artigo 41, §2º, da Constituição Federal, sendo reintegrada sem o direito a indenização. .. Verifica-se, então, que os trechos colacionados das razões jurídicas evidenciam a flagrante divergência jurisprudencial no que concerne ao tema da contrapartida indenizatória ao candidato cuja nomeação tardia decorreu de decisão judicial, uma vez que os acórdãos paradigmas bem se posicionam pelo não reconhecimento na indenização a partir de premissas fáticas semelhantes. .. Logo, ao contrário do que consta da r. decisão recorrida, o Município não se limitou a fazer referência às ementas dos julgados paradigmas. Apontou, sim, os trechos dos acórdãos em que restou explicitada a divergência em relação às razões de decidir do acórdão recorrido. .. Não há que se falar em inexistência comprovação da divergência jurisprudencial, tampouco em incidência da Súmula nº284do STF, como pretende a decisão agravada. .. Nesse cenário, verifica-se que o acórdão recorrido vai de encontro ao entendimento consolidado nesta Corte, segundo o qual, consoante a exegese do artigo 41, §2º, da Constituição Federal, quanta inexistência de contrapartida indenizatória ao candidato cuja nomeação tardia decorreu de decisão judicial. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO EM CARGO PÚBLICO, C/C DANOS MORAIS E MATERIAIS. TUTELA ANTECIPADA. ENUNCIADOS ADMINISTRATIVOS N. 2 E 3/STJ. SÚMULA N. 284 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de reintegração em cargo público, c/c danos morais e materiais e pedido de tutela antecipada, objetivando reformar a sentença prolatada pelo Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Itabaiana/SE. Na sentença os pedidos foram julgados improcedentes. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada, para condenar os apelados a pagar à apelante a remuneração referente aos salários e demais benefícios, a partir do mês em que foi exonerada até a sua efetiva reintegração. II - Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n. 2 e 3, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. III - Mediante análise do recurso de Município de Itabaiana, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020. IV - Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. V - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n. 2 e 3, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. Mediante análise do recurso de Município de Itabaiana, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF." (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.