HC 954599 - DECISAO
A ordem foi denegada porque o paciente já havia obtido remição por aprovação no ENCCEJA, e a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de vedar nova remição pela mesma matéria/exame, haja vista que o objetivo da remição é recompensar evolução intelectual e não permitir abatimento de pena em duplicidade pelo mesmo...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ALEX JUNIOR MACHADO; Ministério Público Federal: Ministério Público Federal - Subprocurador-Geral da República Mario Ferreira Leite
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- ordem denegada
- Legal Topics
- Remição Da Pena, ENEM, ENCCEJA, Coação Ilegal, Direito De Locomoção, Bis in Idem, Jurisprudência Do STJ
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Parties
ALEX JUNIOR MACHADO
Paciente
Ministério Público Federal - Subprocurador-Geral da República Mario Ferreira Leite
Ministério Público Federal
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 possibilidade de remição da pena por aprovação no ENEM/ENCCEJA quando já houve remição anterior pelo mesmo fato gerador
- 2 configuração de coação ilegal no direito de locomoção em razão de decisão do Tribunal de origem
- 3 impossibilidade de remição em duplicidade (proibição de bis in idem)
Ratio Decidendi
A ordem foi denegada porque o paciente já havia obtido remição por aprovação no ENCCEJA, e a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de vedar nova remição pela mesma matéria/exame, haja vista que o objetivo da remição é recompensar evolução intelectual e não permitir abatimento de pena em duplicidade pelo mesmo fato gerador.
Court Disposition
ordem denegada
Orders
- Denego a ordem.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ALEX JUNIOR MACHADO alega sofrer coação ilegal em seu direito de locomoção, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no Agravo em Execução Penal n. 0013416-20.2024.8.26.0996. A defesa pretende o reconhecimento ao direito à remição da pena do paciente, em razão de aprovação parcial no ENEM no ano de 2023. O Ministério Público Federal, em parecer do Subprocurador-Geral da República Mario Ferreira Leite, opinou pelo não conhecimento da impetração (fls. 45-49). Decido. O Tribunal de origem manteve a decisão do juízo das execuções que indeferiu o pedido de remição por estudo, porquanto "o reeducando já havia obtido remição por aprovação no ENCCEJA, de sorte que a remição agora pleiteada implica em benefício calcado no mesmo fato gerador" (fl. 12). Outra não é a compreensão do Superior Tribunal de Justiça, dado ser " p acífica a jurisprudência desta Corte quanto à impossibilidade de conceder o benefício da remição da pena em duplicidade" (AgRg no HC n. 734.881/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022, sublinhei). Nesse sentido: .. II - Não há dúvida de que o benefício da remição deve ser aplicado na situação em que o apenado obtém a aprovação no ENCCEJA ou ENEM, porquanto configura aproveitamento dos estudos realizados durante a execução da pena, conforme dispõem o art. 126 da LEP e a Recomendação n. 44/2013 do CNJ. III - Contudo, o objetivo da remição é de recompensar o preso pelo esforço que demonstra em crescer intelectualmente por galgar os diversos níveis de educação, não simplesmente reduzir a pena. A realização do mesmo exame não demonstra evolução, mas a mera reiteração da realização de uma prova para abatimento de pena, o que, obviamente, constitui concessão em duplicidade do benefício pelo mesmo fato, não restando configurado qualquer acréscimo intelectual .. (AgRg no HC n. 592.511/SC, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 15/9/2020, destaquei). .. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica sobre a impossibilidade de nova remição pela segunda aprovação nas mesmas matérias do ensino fundamental em outro exame, a qual não pode ser duplamente considerada, sob pena de bis in idem. Precedentes .. (AgRg no HC n. 608.477/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 21/6/2021, grifei). À vista do exposto, denego a ordem. Publique-se e intimem-se. EMENTA