HC 911601 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus por não estar demonstrada flagrante ilegalidade que justifique sua utilização como substituto de recurso; subsidiariamente, a remição pretendida não pode ser reconhecida porque, havendo remissão já homologada pela conclusão do ensino médio via ENCCEJA, admitir nova remissão pelo ENEM...
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- Parties
- Paciente: WAGNER MENDES DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Da Impetração
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Remição De Pena, Habeas Corpus, ENEM, ENCCEJA, Bis in Idem, Duplicidade De Homologação
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Parties
WAGNER MENDES DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Da Impetração
Legal Issues
- 1 possibilidade de remição de pena por aprovação no ENEM quando já houve remição por aprovação no ENCCEJA
- 2 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso ordinário
- 3 existência de flagrante ilegalidade para justificar intervenção de ofício
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus por não estar demonstrada flagrante ilegalidade que justifique sua utilização como substituto de recurso; subsidiariamente, a remição pretendida não pode ser reconhecida porque, havendo remissão já homologada pela conclusão do ensino médio via ENCCEJA, admitir nova remissão pelo ENEM implicaria duplicidade de homologação do mesmo nível educacional e bis in idem, entendimento assentado na jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de WAGNER MENDES DA SILVA, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS, no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 0755035-29.2023.8.07.0000. Consta dos autos que, na execução penal, foi indeferido o pedido de remição de pena por estudo em razão da aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM/2022, porque já foi beneficiado o paciente com a homologação de dias remidos pela aprovação no ENCCEJA - Ensino Médio/2019, o que importaria em dupla homologação de remição pelo estudo relativo ao Ensino Médio. Opostos embargos de declaração apontando contradição na decisão, foram rejeitados. Interposto Agravo em Execução, o Tribunal de origem negou provimento. Aduz a possibilidade de remição de penas aos condenados aprovados no ENEM, ainda que já tenha concluído o ensino médio anteriormente. Sustenta que não há dúvidas de que é plenamente possível a remição de pena pela aprovação total ou parcial no ENEM, mesmo que o paciente já tenha sido anteriormente beneficiado com a remição de pena por aprovação no ENCCEJA, mormente porque os exames representam fatos geradores diversos e esforço singular para cada finalidade alcançada com a aprovação (e-STJ fl. 13). Requer a concessão da ordem para que seja reconhecido a remição da pena referente às horas de estudo em razão da aprovação no ENEM 2022. O Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem (fls. 71/72). É o relatório. DECIDO. Esta Corte - HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, relator Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/06/2020, DJe de 25/08/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC n. 180.365/PB, Primeira Turma, relatora Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, DJe de 02/04/2020; AgRg no HC n. 147.210/SP, Segunda Turma, relator Ministro Edson Fachin, julgado em 30/10/2018, DJe de 20/02/2020 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. O Juiz de Execução ao indeferir o pedido de remição, assim se manifestou (e-STJ fl. 292): Outrossim, consigno que o ora apenado foi beneficiado com a homologação de dias remidos pela aprovação no ENCCEJA - Ensino Médio, conforme decisão de Mov. 218.1. Assim, a homologação do pleito em análise importaria em dupla homologação de remição pelo estudo relativa ao Ensino Médio, importando em verdadeira quebra de isonomia em relação aos demais custodiados. Assim, INDEFIRO o pedido formulado. Sobre a controvérsia, o Tribunal a quo assim consignou na ementa do acórdão (e-STJ fl. 414): PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DAPENA. APROVAÇÃO NO ENCCEJA 2021 E ENEM 2022. DUPLICIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBLIDADE. PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE. RECURSO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conferindo interpretação mais ampla ao artigo 126, da LEP, admite a remição proporcional das horas de estudo, em razão de aprovação em algumas áreas de conhecimento do ENCCEJA. 2. A aprovação do agravante no ENCCEJA/ENEM deve ser considerada para fins de remição, sobretudo, porque representa dedicação do interno ao estudo, durante a execução penal, como forma de alcançar a finalidade ressocializadora da pena. 3. No entanto, não se afigura possível a remissão pela aprovação no ENEM quando já deferida a remição pela conclusão do ensino médio pelo ENCCEJA. Vale dizer, se a aprovação no ensino médio já foi homologada para fins de remição de pena, por meio de certame realizado em momento anterior, impossível nova remição pelo mesmo nível de escolaridade, sob pena de se incorrer em uma duplicidade de homologação. 4. Recurso conhecido e desprovido. As decisões das instâncias ordinárias estão em consonância com o entendimento desta Corte Superior, pois, caso reconhecida a remição nos termos pretendidos pelo impetrante, ocorreria indevida cumulação dos dias já remidos por aprovação em edição anterior do ENCCEJA, consequentemente, não se mostra admissível, por se tratar de duplicidade de benefícios pelo mesmo fato gerador, sob pena de bis in idem. Ademais, a jurisprudência desta Corte é no sentido de que o objetivo da remição é de recompensar o preso pelo esforço que demonstra em crescer intelectualmente por galgar os diversos níveis de educação, não simplesmente reduzir a pena. A realização do mesmo exame não demonstra evolução, mas a mera reiteração da realização de uma prova para abatimento de pena, o que, obviamente, constitui concessão em duplicidade do benefício pelo mesmo fato, não restando configurado qualquer acréscimo intelectual. (AgRg no HC nº 592.511/SC, Quinta Turma, Rel. Min. Félix Fischer, julgado em 8/9/2020). Confira-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. DECISÃO FUNDAMENTADA EM ELEMENTOS CONCRETOS. APROVAÇÃO PARCIAL NO ENEM E NO ENCCEJA. MESMAS ÁREAS DO CONHECIMENTO. DUPLICADE DE BENEFÍCIO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A parte que se considerar agravada por decisão de relator, à exceção do indeferimento de liminar em procedimento de habeas corpus e recurso ordinário em habeas corpus, poderá requerer, dentro de 5 dias, a apresentação do feito em mesa relativo à matéria penal em geral, para que a Corte Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a. 2. No caso, os fundamentos das instâncias ordinárias não se mostram desarrazoados ou ilegais, uma vez que a remição de pena, em razão de aprovação do paciente no exame ENCCEJA, configuraria bis in idem de remição na mesma execução penal, tendo em vista que já fora agraciado em razão de sua aprovação, em 2015, no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) (AgRg no HC n. 627.958/SC, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Conv ocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 5/10/2021, DJe de 8/10/2021). Ainda que se trate de exames distintos, as provas se referem à certificação de conclusão pelo mesmo nível (médio) educacional, inviabilizando a concessão do benefício em apreço pelo mesmo fato gerador, pois configurada a sua duplicidade. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 842.165/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA POR ESTUDO. ENEM. REMIÇÃO JÁ DEFERIDA PELA APROVAÇÃO NO ENCCEJA. DUPLICIDADE DE BENEFÍCIO PELO MESMO FATO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica sobre a impossibilidade de nova remição pela segunda aprovação nas mesmas matérias do ensino fundamental em outro exame, a qual não pode ser duplamente considerada, sob pena de bis in idem. 2. No caso, a Corte de origem deixou de conceder a remição pela aprovação parcial no ENEM, em virtude da concessão nas mesmas áreas de conhecimento, no ENCCEJA. 3. Assim, caso reconhecida a remição nos termos pretendidos pelo Agravante, ocorreria indevida cumulação dos dias já remidos por aprovação no ENCCEJA, o que vai de encontro ao entendimento deste Superior Tribunal de Justiça, por se tratar de duplicidade de benefícios pelo mesmo fa to, o que não é admitido. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 805.511/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 22/5/2023.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA