HC 947740 - DECISAO
Habeas corpus denegado porque não houve comprovação idônea da frequência e do método avaliativo dos cursos apresentados, requisito imposto pela jurisprudência e pela Recomendação n. 44 do CNJ para a remição de pena, com especial rigor em cursos à distância.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ADEMAR STOINSKI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- denego o habeas corpus
- Legal Topics
- Remição De Pena, Remição Por Estudo, Habeas Corpus, Comprovação De Frequência E Aproveitamento, Curso À Distância
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ADEMAR STOINSKI
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 controle de frequência e método avaliativo para remição por estudo
- 2 admissibilidade de remição por curso à distância
- 3 necessidade de certificação por autoridades educacionais competentes
Ratio Decidendi
Habeas corpus denegado porque não houve comprovação idônea da frequência e do método avaliativo dos cursos apresentados, requisito imposto pela jurisprudência e pela Recomendação n. 44 do CNJ para a remição de pena, com especial rigor em cursos à distância.
Court Disposition
denego o habeas corpus
Orders
- Com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, denego o habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ADEMAR STOINSKI alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 8000009-22.2024.8.24.0006, em que foi mantida a decisão "consubstanciada na remição de quinze dias da pena imposta a Ademar Stoinski em razão da realização de curso profissionalizante" (fl. 50). Ao cassar o benefício, a Corte de origem destacou que "não constam informações acerca da frequência, tampouco do método avaliativo utilizado, de modo que a efetiva realização do curso em questão não restou devidamente comprovada" (fl. 53). Com efeito, consoante o entendimento desta Corte Superior, " a norma do art. 126 da LEP, ao possibilitar a abreviação da pena, tem por objetivo a ressocialização do condenado, sendo possível o uso da analogia in bonam partem, que admita o benefício em comento, em razão de atividades que não estejam expressas no texto legal" (REsp n. 744.032/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 5/6/2006). Aliás, conforme o art. 1º, I, da Recomendação n. 44 do Conselho Nacional de Justiça, foi aconselhado aos Tribunais que: .. para fins de remição pelo estudo (Lei nº 12.433/2011), sejam valoradas e consideradas as atividades de caráter complementar, assim entendidas aquelas que ampliam as possibilidades de educação nas prisões, tais como as de natureza cultural, esportiva, de capacitação profissional, de saúde, entre outras, conquanto integradas ao projeto político-pedagógico (PPP) da unidade ou do sistema prisional local e sejam oferecidas por instituição devidamente autorizada ou conveniada com o poder público para esse fim (destaquei). "Ademais, em atenção ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, a política criminal na execução da pena deve ser voltada à sua humanização, de forma a estimular instrumentos sancionatórios mais humanos e que evitem o máximo possível a privação da liberdade" (HC n. 376.324/PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 15/5/2017). Todavia, percebe-se que a instância ordinária salientou a impossibilidade de se aferir em que condições foram concluídos os cursos, dado que os referidos certificados não trazem detalhes sobre frequência e método avaliativo. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme ao asseverar que, "ainda que concluído o curso na modalidade à distância - in casu - a remição em decorrência do estudo exige, para cada dia de pena remido, a comprovação de horas de estudo, que, dada a sistemática da lei de execução penal, encontrando-se o apenado sob a custódia do Estado, deve preceder de fiscalização e autenticidade do cumprimento dos requisitos legais" (AgRg no HC n. 478.271/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 30/8/2019, grifei). Portanto, o óbice destacado encontra respaldo no entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual " a remição de pena pelo estudo, nos termos do art. 126, § 2º, da Lei de Execução Penal, depende da certificação do curso frequentado pelas autoridades educacionais competentes, por meio de documento idôneo, a fim de cumprir os requisitos exigido na Recomendação n. 44 do Conselho Nacional de Justiça" (AgRg no HC n. 460.196/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, 5ª T., DJe 1º/7/2019, sublinhei). No mesmo sentido: .. 1. A Lei de Execução Penal permite a remição por estudo a distância, desde que observados alguns cuidados para comprovação da frequência e do aproveitamento escolares. 2. O apenado realizou curso livre, apostilado, em horário posterior ao trabalho, com duração por ele mesmo determinada. Não existia convênio nem projeto da unidade prisional militar para a atividade, e a instituição de ensino e a direção prisional não controlaram as horas efetivas de aprendizado. O estudo não foi informado, mensalmente, ao Juiz da Execução nem fiscalizado pelo Ministério Público. Nesse cenário, mero controle individual do discente, ainda que assinado pelo diretor na unidade, não se presta a lastrear a remição. 3. Agravo regimental não provido (AgRg no HC n. 524.797/RJ, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 19/12/2019, grifei). À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, denego o habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA