HC 1007393 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque atua como substituto de recurso próprio sem demonstrar flagrante ilegalidade; a Resolução CIDH de 22/11/2018 reconheceu inadequação apenas do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, não havendo sentença da Corte Interamericana reconhecendo a inaptidão da penitenciária indicada...
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- Parties
- Paciente: ADENILSON CARLOS DO NASCIMENTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecido
- Legal Topics
- Remição De Pena, Cômputo Em Dobro, Condições De Encarceramento, Aplicação Por Analogia, Cabimento Do Habeas Corpus Substitutivo
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Parties
ADENILSON CARLOS DO NASCIMENTO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 aplicabilidade da Resolução CIDH de 22/11/2018 a estabelecimento diverso do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho
- 3 possibilidade de cômputo em dobro da remição de pena em razão de condições degradantes do estabelecimento prisional
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque atua como substituto de recurso próprio sem demonstrar flagrante ilegalidade; a Resolução CIDH de 22/11/2018 reconheceu inadequação apenas do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, não havendo sentença da Corte Interamericana reconhecendo a inaptidão da penitenciária indicada pelo paciente, e a modificação das decisões das instâncias ordinárias demandaria revolvimento do acervo fático-probatório, o que é incompatível com a via do habeas corpus.
Court Disposition
não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, se m pedido de liminar, impetrado em favor de ADENILSON CARLOS DO NASCIMENTO, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (agravo em execução n. 0001408-80.2025.8.26.0509). Consta dos autos que, em decisão interlocutória, o Juízo da execução indeferiu o pedido do paciente para cômputo em dobro da remição de pena, em razão das condições desumanas e degradantes do Complexo do II de Presidente Venceslau - SP. A decisão de primeiro grau foi mantida pelo Tribunal de origem (fls. 8/14). No o presente writ, impetrante reitera o pedido para o cômputo diferenciado em prisão inadequada, em razão da Resolução CIDH de 22/11/2018, referente a outra instituição. Invoca as condições degradantes do encarceramento no caso concreto, em longa narrativa sobre supostas irregularidades. Requer, ao fim, "Reformar a decisão recorrida e determinar o cômputo em dobro da remição de pena, em razão das condições desumanas e degradantes do Complexo do II DE PRESIDENTE WENCESLAU - SP. " (fls. 2/7). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do presente habeas corpus substitutivo de recurso próprio (fls. 476/479). É o relatório. DECIDO. A presente impetração investe contra acórdão, funcionando como substituto do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida. A 3ª Seção, no âmbito do HC 535.063-SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Nesse sentido: .. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal .. (AgRg no HC n. 908.122/MT, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024.) .. O habeas corpus não é conhecido quando impetrado em substituição a recurso próprio, salvo em caso de flagrante ilegalidade, conforme jurisprudência pacífica do STJ e do STF .. (AgRg no HC n. 935.569/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 10/9/2024.) Passo a analisar a presença de coação ilegal que desafie a concessão da ordem ofício, em observância § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Conforme consta, a defesa pugna, em suma, pela aplicação, em favor do paciente, por analogia à Resolução CIDH de 22/11/2018, referente a outra instituição, do cômputo em dobro dos dias de pena privativa de liberdade. No presente caso, porém, da análise dos elementos informativos constantes dos autos, não se verifica qualquer flagrante ilegalidade a legitimar a atuação deste Sodalício. Ora, tem-se que a Resolução da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) de 22/11/2018 reconheceu inadequado o Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho para a execução de penas, sobretudo, aos reeducandos que se encontram em situação degradante e desumana, bem como determinou o cômputo, em dobro, de cada dia de pena privativa de liberdade lá cumprida. Nesse contexto, a jurisprudência deste Tribunal Superior: "Hipótese concernente ao notório caso do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho no Rio de Janeiro (IPPSC), objeto de inúmeras Inspeções que culminaram com a Resolução da Corte IDH de 22/11/2018, que, ao reconhecer referido Instituto inadequado para a execução de penas, especialmente em razão de os presos se acharem em situação degradante e desumana, determinou que se computasse "em dobro cada dia de privação de liberdade cumprido no IPPSC, para todas as pessoas ali alojadas, que não sejam acusadas de crimes contra a vida ou a integridade física, ou de crimes sexuais, ou não tenham sido por eles condenadas, nos termos dos Considerandos 115 a 130 da presente Resolução" (AgRg no RHC 136.961/RJ, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 21/6/2021). "A Resolução da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) de 22/11/2018 reconheceu inadequado o Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho para a execução de penas, sobretudo, aos reeducandos que se encontram em situação degradante e desumana, bem como determinou a contagem, em dobro, de cada dia de pena privativa de liberdade lá cumprida, o que foi acolhido por esta Corte. Precedentes" (AgRg no HC n. 837.607/RJ, Sexta Turma, Relª. Minª. Laurita Vaz, DJe 20/10/2023). No entanto, no presente caso, o paciente resgata pena em penitenciária que não se confunde com o Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho/RJ e, assim, não há uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos reconhecendo a inaptidão da penitenciária em comento. Sendo assim, não merece prosperar a alegação da defesa de que a situação degradante do estabelecimento penal onde o paciente resgata pena constitua fundamento legal e suficiente para autorizar o cômputo em dobro de pena. Sobre o tema, esta Corte Superior já sedimentou o entendimento de que é inviável a aplicação por analogia do cômputo em dobro da pena corporal resgatada no Instituto Plácido de Sá Carvalho a apenados que cumprem pena em outros estabelecimentos penais que não foram objeto de condenação pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH): "(..) Ocorre que a Resolução da eg. Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) de 22/11/2018 reconheceu inadequado apenas o Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho para a execução de penas, aos reeducandos que se encontram em situação degradante e desumana, determinando o cômputo, em dobro, de cada dia de pena privativa de liberdade lá cumprida. Eficácia inter partes da decisão. Não inclusão, portanto, do Presídio de Joinville/SC (..)" (AgRg no HC 706.114/SC, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 29/11/2021, grifei). "(..) Inviável a realização de analogia entre a situação de cumprimento de parte da pena em regime mais gravoso e os fundamentos que levaram esta Corte a determinar o cômputo em dobro do período em que executado cumpriu pena no Instituto Plácido de Sá Carneiro, no Rio de Janeiro, dado que o julgamento proferido no AgRg no RHC 136.961/RJ amparou-se em prévia sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, com autoridade de coisa julgada internacional, reconhecendo as condições degradantes e desumanas do estabelecimento prisional, o que não ocorre no caso concreto" (AgRg no HC 714.480/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 25/3/2022, grifei). "Caso que não se filia à "Hipótese concernente ao notório caso do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho no Rio de Janeiro (IPPSC) (..)" (AgRg no RHC 136.961/RJ, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 21/6/2021) (..) Analisar se as condições do sistema carcerário do Distrito Federal é ou não semelhante ao sistema do Rio de Janeiro demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório, o que não é permitido em sede de habeas corpus" (AgRg no RHC n. 159.604/DF, Sexta Turma, Rel. Min. Olindo Menezes, DJe de 28/10/2022, grifei). De toda forma, vale ainda registrar que a modificação das decisões proferidas pelas instâncias ordinárias, para concluir pela situação análoga entre estabelecimentos penais, demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos da execução penal, o que é incompatível com os estreitos limites da via do habeas corpus (AgRg no HC n. 817.562/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 30/6/2023; AgRg no HC 812.438/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 29/6/2023; HC n. 704.718/SP, Sexta Turma, Relª. Minª. Laurita Vaz, DJe de 23/5/2023; e AgRg no HC 811.106/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 22/6/2023). Nesse contexto, não há falar em constrangimento ilegal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem -se. EMENTA