HC 1028789 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça, em consonância com sua jurisprudência pacificada, decidiu não conhecer do habeas corpus e entendeu que a remição de pena por trabalho só é admitida quando o trabalho foi realizado no período da execução penal atual; como os períodos pleiteados ocorreram antes do início da execução...
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- Parties
- Paciente: TAYLOR GONÇALVES RIBEIRO MARTINS; Órgão Julgador De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática (não Conhecimento)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Remição De Pena, Trabalho Realizado Na Execução Penal, Início Da Execução Penal, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
TAYLOR GONÇALVES RIBEIRO MARTINS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática (não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de remição de pena com base em trabalho realizado antes do início da execução penal
- 2 Admissibilidade do habeas corpus quando há recurso próprio disponível
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça, em consonância com sua jurisprudência pacificada, decidiu não conhecer do habeas corpus e entendeu que a remição de pena por trabalho só é admitida quando o trabalho foi realizado no período da execução penal atual; como os períodos pleiteados ocorreram antes do início da execução (iniciada em 22/5/2025), não há direito à remição e não se configurou flagrante ilegalidade passível de concessão de ofício da ordem.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Com amparo no art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ, não conheço do habeas corpus.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido de liminar, interposto em benefício de TAYLOR GONÇALVES RIBEIRO MARTINS, impetrado acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento do agravo em execução n. 0003612-95.2025.8.26.0154. Consta dos autos que o Juiz das Execuções Criminais indeferiu o pedido de remição da pena por dias trabalhados, porque anteriores ao início do cumprimento da pena, que ocorreu em 22/5/2025 (e-STJ, fl. 46). Contra a decisão, a defesa interpôs agravo em execução, perante a Corte de origem, que negou provimento ao recurso. O acórdão recebeu a seguinte ementa (e-STJ, fls. 9/10): AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. TRABALHO REALIZADO PREVIAMENTE À ATUAL EXECUÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em Exame 1. Agravo em execução penal interposto por Taylor Gonçalves Ribeiro Martins contra decisão que indeferiu pedido de remição de pena por período trabalhado anteriormente à presente execução da pena. 2. Sustenta o agravante, em síntese, que laborou em distintos períodos enquanto recluso, fazendo jus ao cômputo do tempo para fins de remição, conforme atestados de trabalho devidamente acostados aos autos. 3. Insurge-se contra o fundamento da decisão recorrida, a qual negou o benefício sob o argumento de que os períodos laborais são anteriores ao início do cumprimento da pena atinente à presente execução. Em contraposição, a tese defensiva aduz que o marco temporal relevante para a concessão do benefício é a data do cometimento do fato delitivo, e não o início da execução penal. 4. Invoca, para tanto, o atual entendimento dos tribunais superiores, que permite a utilização de dias trabalhados em período posterior ao crime, ainda que anterior ao início da respectiva execução da pena, e fundamenta o pleito no artigo 126 da Lei de Execução Penal. II. Questão em Discussão 5. A questão em discussão consiste em saber se é possível a remição de pena com base em trabalho realizado em execução penal anterior. III. Razões de Decidir 6. A remição da pena por trabalho deve considerar apenas o tempo laboral realizado durante a execução penal atual. 7. Permitir a remição de pena por período de trabalho anterior à execução criaria um "crédito de pena" para futuros delitos, desvirtuando as funções pedagógica e disciplinar da pena. IV. Dispositivo e Tese 8. Agravo desprovido. Tese de julgamento: 1. A remição de pena por trabalho só pode ser concedida para o tempo trabalhado durante a execução penal atual, conforme o art. 126 da LEP. 2. Impossibilidade de ser considerado o tempo requerido. Legislação Citada: LEP, art. 126. Jurisprudência Citada: AgRg no HC 907352/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. em 12/02/2025; AgRg no HC 653.667/RS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 20/04/2021, D Je 26/04/2021; STJ AgRg no Habeas Corpus n º 777.336-SP, Quinta Turma, Relator Ministro Joel Ilan Paciornik, j. 06.03.2023; STJ - AgRg no Habeas Corpus n. 433.572-RS, Sexta Turma, Relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, j. 27.10.2020; STF Habeas Corpus n º 107.158-RS, Segunda Turma, Relator Ministro Joaquim Barbosa, j. 07.02.2012; TJSP Agravo em Execução Penal n º 0004904-59.2021.8.26.0509, Terceira Câmara de Direito Criminal, Relator Desembargador Ruy Alberto Leme Cavalheiro, j. 12.04.2023; TJSP Agravo em Execução Penal n º 0012718-46.2021.8.26.0502, Terceira Câmara de Direito Criminal, Relator Desembargador Luiz Antonio Cardoso, j. 07.12.2021. Nesta impetração, a defesa sustenta que o apenado faz jus à remição da pena por dias trabalhados, porque posteriores ao fato delitivo. Diante disso, requer seja declarada a remição dos dias competentes ao período trabalhado após a data dos fatos. É o relatório. Decido. As disposições previstas nos arts. 64, III, e 202 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do Relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com súmula ou a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores, ou a contraria (AgRg no HC n. 513.993/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe 1º/7/2019; AgRg no HC n. 475.293/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 3/12/2018; AgRg no HC n. 499.838/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/4/2019, DJe 22/4/2019; AgRg no HC n. 426.703/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018; e AgRg no RHC n. 37.622/RN, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n. 45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido ( EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC n. 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). No que concerne ao conhecimento da impetração, o Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados, exemplificativos dessa nova orientação das Cortes Superiores do País: HC n. 320.818/SP, Relator Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 21/5/2015, DJe 27/5/2015; e STF, HC n. 113.890/SC, Relatora Ministra ROSA WEBER, Primeira Turma, julg. em 3/12/2013, DJ 28/2/2014. Assim, de início, incabível o presente habeas corpus substitutivo de recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, passa-se ao exame da insurgência para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. Remição por dias trabalhados anteriormente ao início do cumprimento da pena O Tribunal manteve o mesmo entendimento do Juízo de origem, conforme a seguir demonstrado, em resumo - STJ, fls. 13/19: .. E pretende o ora agravante a utilização de período de trabalho realizado nos períodos de 03/07 a 24/09/2017), 17/11 a 07/12/2017 (01/01 a 31/12/2022 e 29/01 a 26/03/2023, para fins de remição de pena relativa à condenação por fato em 16/01/2021, cuja execução iniciou-se somente em 26/05/2025 (fls. 1/4 da execução), o que configura verdadeiro desvirtuamento da finalidade da remição prevista em lei. .. Diante do exposto, pelo meu voto, nego provimento ao agravo em execução. De fato, a conclusão das instâncias de origem está em consonância com a jurisprudência desta Corte, a qual exige, da mesma forma, para fins de remição da pena, que o tempo laborado seja posterior ao início da execução penal ou vice-versa (que o início da execução penal seja anterior ao tempo de labor): DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. ATIVIDADES REALIZADAS ANTES DO INÍCIO DA EXECUÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que denegou habeas corpus impetrado com o objetivo de reconhecer a remição de pena, com fundamento em atividades laborais e educacionais supostamente desenvolvidas nos anos de 2013, 2014, 2018 e 2019. A defesa sustenta que tais atividades foram desempenhadas durante o cumprimento de pena, embora a execução atual tenha se iniciado apenas após a prática de crime ocorrido em 2023. Requer a concessão de remição equivalente a 88 dias de pena. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em definir se é possível reconhecer a remição da pena com base em atividades de estudo e trabalho realizadas em período anterior ao início da execução penal atualmente em curso. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A remição da pena pressupõe que o trabalho ou estudo seja realizado após o início da execução penal, conforme entendimento pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 4. Atividades laborais e educacionais anteriores à prática do crime pelo qual o sentenciado está cumprindo pena não geram direito à remição, sob pena de permitir a constituição de "banco de horas" de remição, situação vedada pela jurisprudência. 5. O reconhecimento da remição de pena exige nexo temporal entre o início da execução penal e a realização das atividades, o que não se verifica no caso concreto, pois as horas trabalhadas e estudadas antecedem tanto o fato delituoso quanto o início do cumprimento da pena atual. 7. O agravante não apresentou elementos novos capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual deve ser mantida. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. Tese de julgamento: 1. A remição da pena por estudo ou trabalho somente é admitida quando as atividades são realizadas após o início da execução penal. 2. Atividades anteriores à prática do crime ou ao início da execução penal não ensejam remição, sob pena de configurar acúmulo indevido de horas. (AgRg no HC n. 995.755/SP, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 17/6/2025, DJEN de 25/6/2025.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. REMIÇÃO DE PENA. PERÍODO ANTERIOR À EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que denegou habeas corpus, mantendo o indeferimento de remição de pena referente a tempo de trabalho anterior à execução da pena. 2. O agravante cumpre pena de 3 anos e 9 meses de reclusão, em regime semiaberto, iniciada em 29 de dezembro de 2022, e pleiteia a remição com base em trabalho realizado entre 28 de agosto de 2015 e 26 de outubro de 2022, período anterior ao início da execução penal. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível a remição de pena com base em trabalho realizado antes do início da execução penal, mas após a prática do delito. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a remição da pena só pode considerar o tempo laborado após o início da execução penal. 5. O acórdão recorrido assentou que permitir a remição de pena por período anterior à execução criaria um "crédito de pena" para futuros delitos, o que desvirtuaria as funções pedagógica e disciplinar da pena. 6. O pedido de remição foi indeferido porque o trabalho realizado pelo agravante ocorreu antes do início da execução da pena. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no HC n. 984.008/SP, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 21/5/2025, DJEN de 26/5/2025.) DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. REMIÇÃO DE PENA. PERÍODO ANTERIOR À EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão que denegou habeas corpus, mantendo o indeferimento de remição de pena referente a tempo de trabalho anterior à execução da pena. 2. O agravante cumpre pena de 3 anos e 9 meses de reclusão em regime semiaberto, iniciada em 29 de dezembro de 2022, e pleiteia a remição com base em trabalho realizado entre 28 de agosto de 2015 e 26 de outubro de 2022, período anterior ao início da execução penal. II. Questão em discussão3. A questão em discussão consiste em saber se é possível a remição de pena com base em trabalho realizado antes do início da execução penal, mas após a prática do delito. III. Razões de decidir4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a remição da pena só pode considerar o tempo laborado após o início da execução penal. 5. O acórdão recorrido assentou que permitir a remição de pena por período anterior à execução criaria um "crédito de pena" para futuros delitos, o que desvirtuaria as funções pedagógica e disciplinar da pena. 6. O pedido de remição foi indeferido porque o trabalho realizado pelo agravante ocorreu antes do início da execução da pena. IV. Dispositivo e tese7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "A remição de pena só pode ser concedida para o tempo trabalhado após o início da execução penal, conforme o art. 126 da LEP". Dispositivos relevantes citados: LEP, art. 126.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 2.237.305/TO, Rel. Min. João Batista Moreira, Quinta Turma, julgado em 06.06.2023; STJ, AgRg no HC 777.336/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 06.03.2023. (AgRg no HC n. 907.352/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 12/2/2025, DJEN de 17/2/2025.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. PERÍODO DE TRABALHO REALIZADO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA EXECUÇÃO PENAL. CÔMPUTO DO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interposto por LUCAS DOS SANTOS MIRANDA contra decisão que inadmitiu recurso especial, sob o fundamento de incidência da Súmula n. 7/STJ. O agravante pleiteia remição de pena pelo trabalho exercido durante período em que esteve em liberdade, entre dois aprisionamentos relacionados ao mesmo delito. Alega violação do art. 126 da Lei de Execução Penal (LEP), sustentando que o benefício não depende do local ou do regime em que o trabalho foi desempenhado. O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do recurso. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão central consiste em saber se o tempo de trabalho realizado pelo apenado em período anterior ao início da execução da pena pode ser considerado para fins de remição, à luz do disposto no art. 126 da LEP e da jurisprudência consolidada do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A remição da pena pelo trabalho é restrita ao período de execução penal, conforme dispõe o art. 126 da LEP, aplicável a condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto, ou eventualmente durante prisão cautelar. 4. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça exige que o tempo laborado seja posterior ao início da execução penal, vedando a contagem de trabalho realizado enquanto o condenado se encontrava em liberdade, sob pena de criar uma espécie de "crédito de pena" não previsto em lei. 5. O período de trabalho realizado pelo recorrente, entre os dias 12/04/2017 e 14/09/2019, deu-se enquanto estava em liberdade em decorrência da revogação da prisão preventiva, não se enquadrando nas hipóteses previstas no art. 126 da LEP. 6. A decisão do Tribunal de origem está em consonância com os precedentes do STJ, que reiteram a impossibilidade de cômputo de trabalho exercido antes do início da execução da pena para fins de remição, especialmente quando não há supervisão estatal que garanta os objetivos ressocializadores da atividade laboral. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (AREsp n. 2.329.959/MG, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 27/12/2024.) No caso, consta dos autos que o apenado iniciou o cumprimento da atual execução em 22/5/2025 STJ, fl. 24 , e pretende a remição dos seguintes períodos trabalhados - STJ, fl. 4: Penitenciária de Lucélia - 3/7/2017 à 24/9/2017 = 53 dias CPP de Pacaembu - 17/11/2017 à 7/12/2017 = 14 dias Penitenciária Lavínia II - 1º/1/2022 à 31/12/2022 = 77 dias Penitenciária Lavínia II - 29/1/2023 à 26/ 3/2023 = 48 dias Com isso, como os períodos de trabalho pleiteados são anteriores ao início da execução penal, impossível o acolhimento do pedido. Assim, não ficou configurada flagrante ilegalidade, hábil a ocasionar o deferimento, de ofício, da ordem postulada. Ante o exposto, com amparo no art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ, não conheço do habeas corpus. Intimem-se. EMENTA