REsp 1926992 - DECISAO
Havendo omissão da decisão acerca dos honorários advocatícios e sendo reiterada a jurisprudência do STJ no sentido de que, quando há homologação de renúncia ao direito que funda a ação, a competência para decidir sobre as verbas de sucumbência é do juízo de origem (por envolver exame de legislação local e evitar bis...
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- Parties
- Embargante: ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 September 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Acolhimento Dos Embargos E Determinação De Retorno Ao Juízo De Origem Para Decisão Sobre Honorários Advocatícios
- Outcome
- Embargos de Declaração acolhidos; determinação de retorno dos autos ao juízo de origem para apreciação dos honorários advocatícios.
- Legal Topics
- Renúncia Ao Direito, Honorários Advocatícios, Embargos De Declaração, Retorno Dos Autos Ao Juízo De Origem
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Parties
ESTADO DE MINAS GERAIS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Acolhimento Dos Embargos E Determinação De Retorno Ao Juízo De Origem Para Decisão Sobre Honorários Advocatícios
Legal Issues
- 1 omissão quanto às verbas de sucumbência/honorários na decisão
- 2 competência do juízo de origem para decidir sobre honorários após homologação da renúncia
- 3 impossibilidade de reexame de legislação local na instância especial (Súmula 280/STF)
Ratio Decidendi
Havendo omissão da decisão acerca dos honorários advocatícios e sendo reiterada a jurisprudência do STJ no sentido de que, quando há homologação de renúncia ao direito que funda a ação, a competência para decidir sobre as verbas de sucumbência é do juízo de origem (por envolver exame de legislação local e evitar bis in idem), acolhem-se os embargos de declaração e determina-se o retorno dos autos ao juízo de origem para que ali se decida sobre os honorários.
Court Disposition
Embargos de Declaração acolhidos; determinação de retorno dos autos ao juízo de origem para apreciação dos honorários advocatícios.
Orders
- Determino o retorno dos autos ao juízo de origem para que decida a respeito dos honorários advocatícios.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Embargos de Declaração, opostos pelo ESTADO DE MINAS GERAIS, em 13/09/2021, por meio dos quais se impugna decisão, de minha lavra, assim fundamentada: "(..) homologo a renúncia às alegações de direito sobre as quais se fundam a presente ação, e julgo extinto o processo, com resolução de mérito, com fundamento no art. 487, III, c, do CPC/2015" (fl. 630e). Inconformada, a parte embargante alega que "a r. decisão é omissa quanto às verbas de sucumbência da presente ação autônoma de embargos à execução. Como se observa dos autos, há condenação da recorrente na sentença que julgou a ação de embargos à execução (fls. 154/157) e majorada no acórdão proferido pelo TJMG (fls. 401/408), nos termos do art. 85, §11, do CPC" (fls. 634/635e). Requer, ao final, o "aclaramento da decisão quanto aos honorários sucumbenciais já arbitrados na presente ação de Embargos à Execução" (fls. 639/640e). Impugnação, a fls. 643/645e. Os Embargos de Declaração merecem prosperar. De fato, omissa a decisão embargada acerca dos honorários advocatícios. No entanto, na forma da reiterada jurisprudência dessa Corte, compete ao Juízo de origem examinar as consequências da decisão que, na instância extraordinária, homologa a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação. Assim, cabível a determinação de retorno dos autos ao Tribunal de origem, para que ali se decida - à luz da legislação local - a questão relativa aos honorários advocatícios, em decorrência da homologação da renúncia da parte autora ao direito de ação. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA A AÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO DE MÉRITO. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS. JUÍZO DE ORIGEM. 1. O pedido do agravante, já homologado, foi bem claro no sentido de desistência do recurso especial e renúncia ao direito em que se funda a presente ação, não podendo, em sede de agravo interno, haver alteração de tal pleito. 2. O art. 487, III, "c", do CPC/2015 estabelece que haverá resolução de mérito quando o juiz homologar a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção, decisão que, por sua vez, substituirá o julgado anteriormente proferido no processo, devendo os autos retornarem ao juízo de origem para que julgue a respeito das verbas de sucumbência, nos termos da reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 3. Agravo interno desprovido" (STJ, AgInt nos EDcl na DESIS no REsp 1.639.435/SC, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 25/04/2018). "RECURSO FUNDADO NO NOVO CPC/2015. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ADESÃO A PARCELAMENTO PREVISTO EM PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO DE CRÉDITOS INSTITUÍDO POR LEGISLAÇÃO ESTADUAL. PEDIDO DE DESISTÊNCIA DO RECURSO ESPECIAL. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA A AÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PELO STJ. HONORÁRIOS. CABIMENTO. SÚMULA 280/STF. RETORNO DOS AUTOS. NECESSIDADE. 1. Nos casos em que a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação é suscitada em sede de recurso especial, manifestada por força de adesão da parte renunciante a programa de parcelamento instituído por legislação local, torna-se inviável a análise do pedido de condenação da parte renunciante em honorários advocatícios, ante a necessidade de reexame de legislação local (Lei nº 22.549/2017), providência esta vedada na instância especial, ante o óbice da Súmula 280/STF. 2. Tal pedido, todavia, deverá ser apreciado pelo juízo de origem, o qual possui competência para decidir, à luz da apreciação da legislação estadual e do acervo probatório dos autos, quanto ao arbitramento do valor da verba honorária devida, constatando se já ocorreu o pagamento administrativo dos honorários, tudo a fim de se evitar bis in idem, mormente quando constatado que referida lei local possui disposição específica quanto a pagamento de honorários pela parte que aderir ao programa de regularização de créditos. Precedentes: AgRg no AREsp 546.389/MG, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 04/03/2015; (EDcl no AgRg no AgRg no Ag 1213243/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/08/2013, DJe 20/08/2013; EDcl na DESIS no REsp 1052422/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2011, DJe 16/05/2011; e STF, AI 781070 ED-ED-AgR, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 27/02/2014, DJe-058). 3. Agravo interno a que se nega provimento" (STJ, AgInt na DESIS no AREsp 707.267/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HIPÓTESE EM QUE A PARTE AUTORA RENUNCIOU AO ALEGADO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDAM OS EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL E DESISTIU DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA, QUE, APÓS A HOMOLOGAÇÃO, NO STJ, TANTO DA RENÚNCIA AO ALEGADO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDAM OS EMBARGOS À EXECUÇÃO, QUANTO DA DESISTÊNCIA DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL, DETERMINOU QUE A INSTÂNCIA DE ORIGEM DECIDA - À LUZ DA LEGISLAÇÃO LOCAL - A QUESTÃO RELATIVA AO CABIMENTO E AO EVENTUAL QUANTUM DEVIDO, A TÍTULO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, EM DECORRÊNCIA DA ADESÃO DA PARTE AUTORA AO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL, PREVISTO NA LEI ESTADUAL 15.273/2004, REGULAMENTADA PELO DECRETO ESTADUAL 43.839/2004. I. Por ocasião do julgamento dos EDcl na DESIS no REsp 1.052.422/RS (Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe de 16/05/2011), após a extinção do processo, com fundamento no art. 269, V, do CPC, diante da renúncia da parte autora ao direito sobre o qual se funda a ação, renúncia manifestada, nesta Corte, antes do trânsito em julgado e por força da adesão da parte renunciante a um programa de parcelamento, previsto em legislação local, a Segunda Turma do STJ entendeu não ser possível analisar, aqui, o cabimento, ou não, dos honorários advocatícios, em face da aludida renúncia, em vista da necessidade de exame da legislação local, pelo que a Segunda Turma desta Corte, visando evitar o duplo pagamento da verba honorária, determinou o retorno dos respectivos autos à instância de origem, para fins de verificação do cabimento, ou não, dos honorários, diante da nova circunstância, qual seja, a adesão ao programa de parcelamento. II. No presente caso, por se tratar de petição de desistência do Agravo em Recurso Especial, cumulada com renúncia ao alegado direito sobre o qual se fundam os Embargos à Execução Fiscal, deve ser mantida a homologação, no STJ, tanto da renúncia ao suposto direito sobre o qual se fundam os Embargos à Execução, quanto da desistência do Agravo em Recurso Especial, e confirmada, ainda, a determinação para que a instância de origem decida - à luz da legislação local - a questão relativa ao cabimento e ao eventual quantum devido, a título dos honorários advocatícios, em decorrência da superveniente renúncia da parte autora ao alegado direito sobre o qual se fundam os Embargos à Execução, renúncia esta manifestada, nos autos, após a interposição do Agravo em Recurso Especial, por força da adesão ao programa de recuperação fiscal, previsto na Lei Estadual 15.273/2004, regulamentada pelo Decreto Estadual 43.839/2004. De fato, a parte autora alega que aderiu ao programa de anistia fiscal, previsto na Lei Estadual 15.273/2004 e no Decreto Estadual 43.839/2004, e que o referido programa de parcelamento abrange os honorários de advogado referentes à Execução Fiscal e aos Embargos à Execução, na forma exigida pela legislação estadual. Assim, à luz de exame da legislação estadual e da prova constante dos autos, caberá ao Tribunal de origem verificar quanto ao cabimento da verba honorária pela renúncia, constatando se ocorreu o pagamento administrativo dos honorários de advogado, devidos pela exigida renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação, a fim de se evitar bis in idem. Precedentes do STJ (EDcl na DESIS no REsp 1.052.422/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/05/2011; EDcl no AgRg no AgRg no Ag 1.213.243/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, DJe de 20/08/2013). III. Agravo Regimental improvido" (STJ, AgRg no AREsp 546.389/MG, de minha Relatoria, SEGUNDA TURMA, DJe de 04/03/2015). Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração, determinando o retorno dos autos ao juízo de origem para que decida a respeito dos honorários advocatícios. I.