REsp 2145609 - DECISAO
Não conhecer do Recurso Especial por deficiência na fundamentação: o recorrente não impugnou especificamente fundamento autônomo do acórdão recorrido e indicou dispositivo legal (art. 191 do CC) sem normatividade suficiente para infirmar a decisão; aplica-se por analogia a orientação das Súmulas 283 e 284 do STF;...
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE SÃO PAULO; Exequente: exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
- Legal Topics
- Renúncia Tácita, Prescrição Executória, Prescrição Intercorrente, Cumprimento De Sentença, Preclusão, Súmulas 283 E 284 STF, Tema Repetitivo 1.109
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
Recorrente
exequente
Exequente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 Ocorrência de renúncia tácita à prescrição pela Administração Pública (art. 191 do CC)
- 2 Aplicabilidade da tese do Tema Repetitivo (RESP n.º 1.925.192 / Tema n.º 1.109 e menção a Tema n.º 1.019) ao caso concreto
- 3 Deficiência de fundamentação do recurso especial e ausência de impugnação de fundamento autônomo do acórdão recorrido
Ratio Decidendi
Não conhecer do Recurso Especial por deficiência na fundamentação: o recorrente não impugnou especificamente fundamento autônomo do acórdão recorrido e indicou dispositivo legal (art. 191 do CC) sem normatividade suficiente para infirmar a decisão; aplica-se por analogia a orientação das Súmulas 283 e 284 do STF; cabimento da decisão monocrática com fundamento nos arts. 932, III, do CPC e nos arts. 34, XVIII, a, e 255, I, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 18e): CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RESPONSABILIDADE DA ADMINISTRAÇÃO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. RENÚNCIA TÁCITA. Fazenda Municipal que implementou a pensão e impugnou os cálculos do exequente quanto às parcelas vencidas. Ocorrência de renúncia tácita à prescrição, nos termos do artigo 191 do Código Civil. Prescrição intercorrente. Inocorrência. Inexistência de inércia do exequente. Necessidade de se aguardar o cumprimento da obrigação de fazer para apurar o valor das parcelas vencidas. Remessa dos autos à Contadoria Judicial. Inexistência de substituição da parte autora. Prevalência do título executivo. Recurso improvido. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa ao art. 191 do Código Civil, alegando-se, em síntese, que não é cabível a ocorrência de renúncia tácita à prescrição executiva pela Administração Pública. Provocado a exercer o juízo de retratação, o Tribunal de origem manteve o acórdão recorrido, consoante ementa a seguir transcrita (fls. 237e): AGRAVO DE INSTRUMENTO - JUÍZO DE RETRATAÇÃO - Devolução dos autos à Turma Julgadora para cumprimento do artigo 1.030, inciso II, do Código de Processo Civil - RESP n.º 1.925.192 Tema n.º1.019/STJ - Decisão proferida no v. acórdão que não afronta o quanto decidido pelo C. STJ - Retorno dos autos à Presidência da Seção de Direito Público - ACÓRDÃO MANTIDO. Com contrarrazões, o recurso foi admitido. Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Não obstante interposto contra acórdão proferido em agravo de instrumento, entendo relevante registrar o cabimento do presente recurso especial, porquanto ausente a possibilidade de modificação do decisum originário, considerando não se tratar de decisão precária. Portanto, a insurgência endereçada a esta Corte é o caminho apropriado para impedir a preclusão da matéria. Ao analisar a controvérsia, o Tribunal de origem, em sede de juízo de retratação, consignou que (fls. 238/241e): Trata-se de cumprimento de sentença relativo à ação nº. 0030461-78.2009.8.26.0053, que fora julgada parcialmente procedente para condenar o Município em indenização por dano moral e estético, além de pensão, em razão de acidente ocorrido. O cumprimento de sentença se iniciou em 23.01.2019, momento em que a Fazenda apresentou impugnação, sem nada arguir acerca da prescrição. O juízo a quo reconheceu o crédito em menor extensão, não sendo interposto agravo pela Municipalidade, que iniciou o pagamento pela pensão por morte ao exequente. Mantida a r. Decisão por esta Câmara, pretende a Municipalidade que se reconheça que, em se tratando de uma questão de ordem pública, passível de arguição a qualquer tempo ou grau de jurisdição, não há de se falar de preclusão para a decretação da prescrição executiva, tampouco, por natural, em uma suposta renúncia tática à prescrição. Com efeito, questiona-se a aplicabilidade do decidido pelo C. STJ quando do julgamento do Recurso Especial 1.925.192 (Tema nº 1.109), STJ, Dje de 02.10.2023. Inicialmente, cumpre destacar que, em relação à Tese vinculante, a questão submetida a julgamento foi: O Tema Repetitivo n. 1.109 teve sua afetação assim delimitada: "Definição acerca da ocorrência, ou não, de renúncia tácita da prescrição, como prevista no art. 191 do Código Civil, quando a Administração Pública, no caso concreto, reconhece o direito pleiteado pelo interessado". Fora fixada a seguinte tese: 5. TESE REPETITIVA: Não ocorre renúncia tácita à prescrição (art. 191 do Código Civil), a ensejar o pagamento retroativo de parcelas anteriores à mudança de orientação jurídica, quando a Administração Pública, inexistindo lei que, no caso concreto, autorize a mencionada retroação, reconhece administrativamente o direito pleiteado pelo interessado. .. Como se vê, há se reconhecer a inaplicabilidade do referido precedente ao caso concreto. Isso porque não se está diante de nova interpretação juridica dada pela Administração que tenha gerado reconhecimento de direitos prospectivos, com majoração de proventos e no qual se pretende o pagamento retroativo de diferenças. O caso sub judice refere-se ao cumprimento de sentença que reconheceu o pagamento de danos morais e estéticos iniciado sem que tenha havido qualquer contrariedade da Fazenda, que inclusive implementou a pensão por morte devida. Entretanto, a parte recorrente deixou de impugnar fundamento suficiente do acórdão recorrido, acima destacado, alegando, tão somente, e de forma genérica, que não é cabível a ocorrência de renúncia tácita à prescrição executiva pela Administração Pública. Nesse cenário, as razões recursais encontram-se dissociadas daquilo que restou decidido pelo tribunal de origem, caracterizando a deficiência na fundamentação do recurso especial, a atrair, por analogia, os óbices das Súmulas ns. 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"; e "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Espelhando tal compreensão, os julgados assim ementados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DISCURSÃO SOBRE MATÉRIA TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA DO PARQUET. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO E RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DE SEUS FUNDAMENTOS. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. MATÉRIA DECIDIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM SOB O ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. .. 2. Caso em que o recorrente deixou de impugnar o fundamento autônomo do acórdão recorrido, estando, ainda, as razões recursais dissociadas daquilo que restou decidido pelo Tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do STF. .. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.050.268/SP, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.12.2023, DJe de 21.12.2023 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO. IMPOSIÇÃO DE MULTA ADMINISTRATIVA PELO PROCON ESTADUAL. EMPRESA DE TELEFONIA. VIOLAÇÃO AO DEVER DE INFORMAÇÃO AOS CONSUMIDORES ACERCA DA COBRANÇA DE TARIFAS EXTRAS. CONFIGURAÇÃO DE INFRAÇÃO ÀS NORMAS CONSUMERISTAS. CABIMENTO DA MULTA APLICADA. REDUÇÃO DO VALOR DA MULTA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ACOLHIMENTO DO PEDIDO SUBSIDIÁRIO E REJEIÇÃO DO PRINCIPAL. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO A QUO NÃO COMBATIDOS. SÚMULAS 283 E 284/STF. .. 3. Nas razões recursais, nota-se que a parte recorrente não infirma os argumentos de que "constatada a hipótese de sucumbência reciproca, decorrente do acolhimento apenas do pleito subsidiário", limitando-se a defender que "a severa redução havida sobre a multa administrativa impingida à Recorrente pelo Estado ora recorrido caracteriza sucumbência em parte mínima do pedido que encampou na exordial, o que de antemão assegura-lhe a percepção da totalidade dos honorários advocatícios devidos calculados sobre o proveito econômico obtido". Como a fundamentação do acórdão recorrido é apta, por si só, para manter o decisum combatido e não houve contraposição recursal sobre o ponto, não há como conhecer do recurso. Por isso, aplicam-se, na espécie, por analogia, os óbices das Súmulas 284 e 283 do STF, ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo. .. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.087.302/MG, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19.08.2024, DJe de 22.08.2024 - destaque meu). E, ainda no que tange à alegada ofensa ao art. 191 do CC, observo que os argumentos do Recorrente são inidôneos a infirmar o fundamento adotado pela Corte de origem, porquanto ausente comando suficiente no dispositivo apontado para alterar a mencionada conclusão. Considerando que a pretensão do Recorrente não é extraída do artigo de lei federal apontado, revela-se incabível conhecer-se do recurso especial, incidindo, por analogia, a orientação contida na Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Espelhando tal compreensão: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. NOVOS FUNDAMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. PRESCRIÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. CONSONÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. .. 4. Não se conhece do recurso especial quando o dispositivo apontado como violado não contém comando normativo para sustentar a tese defendida ou infirmar os fundamentos do acórdão recorrido, em face do óbice contido na Súmula 284 do STF. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.211.929/SP, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.04.2024, DJe de 30.04.2024 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE IMPUNGAÇÃO A FUNDAMENTO AUTÔNOMO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 280 DO STF. DISPOSITIVOS LEGAIS INDICADOS POR VIOLADOS SEM NORMATIVIDADE SUFICIENTE. SÚMULA 284 DO STF. .. 6. Por fim, pela análise unicamente dos dispositivos legais apontados como violados (arts. 944 do CC e 33, § 4º, da Lei 8.080/1990), verifica-se que eles não possuem normatividade suficiente para solucionar a lide em questão. A mera alegação de afronta aos artigos indicados não é suficiente para afastar a conclusão do TRF2. Dessa forma, constata-se que o Recurso Especial está deficientemente fundamentado, incidindo, por analogia, a Súmula 284/STF: "É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha: AgInt no REsp 1.862.911/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 12/8/2021, AgInt no REsp 1.899.386/RO, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 16/6/2021 e AgRg no REsp 1268601/DF, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 3/9/2014. 7. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.752.162/RJ, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19.08.2024, DJe de 22.08.2024 - destaque meu). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA