REsp 2089061 - DECISAO
Admitiu-se o recurso especial interposto por IBAMA e FUNAI para anular o acórdão proferido em sede de embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste expressamente sobre as controvérsias suscitadas (obrigações de reparação ambiental, inaplicabilidade do fato...
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- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Recorrente: IBAMA; Recorrente: FUNAI; Recorrido: Recorrido
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Prejudicado
- Outcome
- Recurso especial do IBAMA e da FUNAI provido para anular o acórdão dos embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para manifestação expressa sobre as controvérsias suscitadas; recurso especial do Ministério Público Federal prejudicado.
- Legal Topics
- Reparação De Dano Ambiental, Responsabilidade Objetiva, Omissão No Acórdão (negativa De Prestação Jurisdicional), Área De Preservação Permanente, Teoria Do Fato Consumado, Responsabilidade Propter Rem, Imprescritibilidade Da Pretensão De Reparação De Dano Ambiental (tema 999)
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Recorrente
IBAMA
Recorrente
FUNAI
Recorrente
Recorrido
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Prejudicado
Legal Issues
- 1 Violação ao art. 14, §1º da Lei nº 6.938/1981 (responsabilidade objetiva)
- 2 Omissão do tribunal a quo quanto a questões suscitadas pelos embargantes (art. 1.022, II, CPC)
- 3 Necessidade de manifestação sobre aplicabilidade da teoria do fato consumado e sobre antropização da área
Ratio Decidendi
Admitiu-se o recurso especial interposto por IBAMA e FUNAI para anular o acórdão proferido em sede de embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste expressamente sobre as controvérsias suscitadas (obrigações de reparação ambiental, inaplicabilidade do fato consumado, proteção de APPs, imprescritibilidade), razão pela qual restou prejudicada a análise do recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal.
Court Disposition
Recurso especial do IBAMA e da FUNAI provido para anular o acórdão dos embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para manifestação expressa sobre as controvérsias suscitadas; recurso especial do Ministério Público Federal prejudicado.
Orders
- Anular o aresto proferido em sede de embargos de declaração
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração com manifestação expressa sobre as questões suscitadas pelos recorrentes (IBAMA e FUNAI)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL em face de acórdão às fls. 766/772 proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO assim ementado: AMBIENTAL. REPARAÇÃO DE DANO. QUEIMA DE VEGETAÇÃO NATIVA. FLORA EXÓTICA.DANO NÃO CONFIGURADO. 1. Sentença que condena pessoa física a reparar dano ambiental decorrente de desmatamento e queima de vegetação nativa. 2. Apelação alegando: (1) que a sentença é nula porque proferida sem a realização de perícia técnica;(2) que não cabia ao réu provar a inexistência do dano ambiental; (3) que não há prova da conduta do réu, nem do dano, nem do nexo causal, nem, menos ainda, quantificação do suposto dano; (4) que a área supostamente degradada já se encontra recuperada; (5) que o dano do qual acusam o réu "foi para plantio de subsistência destinada ao sustento de sua família". 3. Busca-se a reparação ambiental de uma área de 2,15 hectares, cuja vegetação nativa haveria sido danificada por meio de fogo, sem prévia autorização do órgão ambiental competente. 4. O réu, possuidor de baixa escolaridade, assumiu haver limpado a área para implantação de roça e usado fogo na limpeza. Esclareceu, porém, que "a maior parte das árvores cortadas eram frutíferas(exóticas)". Desconsiderado pelos fiscais ambientais, pelos representantes do Ministério Público e pelo Juízo de Primeiro Grau, tal esclarecimento condiz com a narrativa constante do Termo de Declarações que motivou a própria fiscalização da área, a qual põe em destaque a derrubada de pés de pitomba, manga, jaca e abacate. 5. Mangueiras, jaqueiras e abacateiros são espécimes exóticas e a significância dada a elas no Termo de Declarações deixa entrever que a área atingida pelo fogo não era de mata nativa, como sugere o auto de infração, mas de flora predominantemente estrangeira, produto de ação humana. 6. O aspecto antropizado da área, por sinal, foi bastante comentado no processo criminal instaurado contra o réu. Conforme registrado na sentença absolvitória, nem mesmo o haveria negado a fiscal subscritora do auto de infração, apesar de ela insistir na configuração da área como mata. De forma mais categórica, o outro fiscal ouvido como testemunha de acusação, haveria afirmado tratar-se de "terreno com área consolidada/antropizada, sem vegetação nativa de grande porte e sem aspecto de vegetação de mata". 7. Outro aspecto que salta aos olhos é a diminuta dimensão da área atingida pelo fogo, pouco mais de dois hectares. 8. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva Lei nº 6.938/1981, art. 14, § 1º . No caso, porém, o próprio dano ambiental não ficou suficientemente caracterizado. 9. Apelação provida, para rejeitar a pretensão inicial. Opostos embargos de declaração às fls. 796/806 pelo IBAMA e FUNAI, foram rejeitados, conforme acórdão às fls. 830/834. Recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal às fls. 820/828, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, que alega, em suma, a violação ao artigo 14, §1º, da Lei n. 6.938/1981, no que concerne à existência do dever de reparação do dano ambiental pelo recorrido, causado no interior da terra indígena Xucuru-Kariri, pela danificação de vegetação nativa, mediante uso de fogo, sem aprovação prévia do órgão ambiental competente, por se tratar de responsabilidade objetiva. Recurso especial interposto pelo IBAMA e FUNAI às fls. 860/871, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, em que os recorrentes alegam, em suma: a) violação ao artigo 1.022, II, do CPC, no que concerne à existência de nulidade no acórdão recorrido, por negativa de prestação jurisdicional, diante do vício de omissão, considerando que o Tribunal a quo deixou de se manifestar sobre as seguintes questões relevantes para o deslinde do feito: i) obrigatoriedade de reparação do dano ambiental, mesmo se transcorrido longo período, não sendo aplicável a teoria do "fato consumado" na seara ambiental; ii) fato de haver outras construções nas imediações da área discutida e se tratar de ocupação antiga não anula nem diminui a necessidade de observância das áreas de preservação permanente definidas diretamente por lei pelo Código Florestal; b) contrariedade ao entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, no que concerne a não ser cabível excludente de ilicitude em responsabilidade por dano ambiental, por esta ser objetiva, diante da teoria do risco integral; bem como, por se tratar de obrigação propter rem, cuja reparação ao dano ambiental adere à propriedade, independentemente de não se poder constatar quem foi o autor do dano ambiental; bem como do entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 999, em sede de repercussão geral, de ser imprescritível a pretensão de reparação civil de dano ambiental; c) violação aos artigos 14, §1º, da Lei n. 6.938/1981; 1º, §2º, II, 2º, F e 4º da Lei n. 4.771/1967; 3º, VIII, IX e X, 4º, VI, 7, §§ 1º, 2º e 8º da Lei n. 12.651/2012, no que concerne à necessidade de reparação do dano ambiental causado pelo recorrido em área de preservação permanente; d) violação aos artigos 14, §1º, da Lei n. 6.938/1981; 1º, §2º, II, 2º, F e 4º da Lei n. 4.771/1967; 3º, VIII, IX e X, 4º, VI, 7, §§ 1º, 2º e 8º da Lei n. 12.651/2012, no que concerne à impossibilidade de considerar como excludente de responsabilidade a antropização da área, vez que o fato de existir ocupação da área ou estar esta antropizada não tem o condão de diminuir ou suprimir o regime de proteção ao meio ambiente; bem como, a impossibilidade de alegação de fato consumado pelo decurso do tempo ou por se tratar de ocupação antiga, os quais não tem o condão de nulificar a proteção legal às áreas de preservação permanente. Contrarrazões aos recursos especiais às fls. 881/885 e 886/892 apresentadas pelo recorrido. Decisões do Tribunal de origem às fls. 894 e 901 que admitem os recursos especiais interpostos pelo IBAMA, FUNAI e Ministério Público Federal, respectivamente. Parecer do Ministério Público Federal às fls. 939/946, como custos legis, que se manifesta pelo provimentos de ambos recursos especiais. É o relatório. Decido. Considerando o provimento do recurso especial interposto pela FUNAI e IBAMA às fls. 860/871, para anular o aresto proferido em sede de embargos de declaração, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que seja proferido novo julgamento dos Embargos de Declaração, com expressa manifestação acerca das seguintes questões relevantes suscitadas pelos recorrentes, resta prejudicada a análise do recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal. Ante o exposto, julgo prejudicado o recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal, com base na fundamentação acima. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AMBIENTAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO IBAMA E FUNAI PARA ANULAR O ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E DETERMINAR O RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA SE MANIFESTAR EXPRESSAMENTE SOBRE AS CONTROVÉRSIAS SUSCITADAS. RECURSO ESPECIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PREJUDICADO.