AREsp 1793652 - DECISAO
O recurso extraordinário não teve seguimento porque o acórdão recorrido não ultrapassou o juízo de admissibilidade; a matéria relativa aos pressupostos de admissibilidade é infraconstitucional e, nos termos do Tema 181/STF, não possui repercussão geral, além de que a revisão das premissas do Tribunal de origem...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ADELSON APARECIDO MOURA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
- Outcome
- seguimento negado ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Pressupostos De Admissibilidade, Súmula 7/stj, Tema 181/stf, Art. 5º, Inciso XXXV, CF
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Parties
ADELSON APARECIDO MOURA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
Legal Issues
- 1 existência de repercussão geral da matéria
- 2 alegada violação do art. 5º, inciso XXXV, da CF
- 3 incidência da Súmula 7 do STJ e vedação ao revolvimento fático-probatório em recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário não teve seguimento porque o acórdão recorrido não ultrapassou o juízo de admissibilidade; a matéria relativa aos pressupostos de admissibilidade é infraconstitucional e, nos termos do Tema 181/STF, não possui repercussão geral, além de que a revisão das premissas do Tribunal de origem exigiria revolvimento fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
seguimento negado ao recurso extraordinário
Orders
- Nega-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, inciso I, alínea "a", do Código de Processo Civil.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordináriointerposto por ADELSON APARECIDO MOURA, com fundamento no art. 102, inciso III, alínea"a", da Constituição Federal, contra acórdão deste Superior Tribunal de Justiça, assim ementado (e-STJ fl. 1.042): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. VIOLAÇÃO. AUSÊNCIA. ABSOLVIÇÃO.DESCONHECIMENTO DA ORIGEM ILÍCITA DO BEM. VERIFICAÇÃO.NÃO POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não se caracteriza a alegada ofensa ao princípio da colegialidade diante da existência de previsão legal e regimental para que o relator julgue, monocraticamente, recurso especial com esteio em óbices processuais e na jurisprudência dominante deste Tribunal, hipótese ocorrida nos autos. 2. A pretensão recursal está embasada na tese de que o acusado não tinha ciência da origem ilícita do bem adquirido. O julgado da Corte de origem, por sua vez, apontou testemunhos, inconsistência na negociação do caminhão e as alterações dos sinais identificadores como evidências da prática de crime doloso. A revisão dessas premissas implica a necessidade de revolvimento fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo regimental não provido. Sustentaorecorrentea repercussão geral da matéria tratada, consubstanciada naviolação doart. 5º, incisoXXXV, da Constituição Federal. Para tanto, afirma que a equivocada persistência na não cognição do recurso especial em razão do óbice da Súmula 7/STJ configura negativa de prestação jurisdicional. Destaca que o conhecimento do recurso especial,no tocante à absolvição pelo tipo penal culposo de receptação, não demandaria reexame de provas, tampouco de fatos. Assevera, por fim, que "pela vindicada valoração da prova certamente que a absolvição restaria proclamada, vez que a condenação se passou com lastro em elementos do inquérito não ratificados sob o crivo jurisdicional" (e-STJ fl. 1.060). Requer, assim, a admissão do recurso e sua remessa ao Supremo Tribunal Federal. Contrarrazões apresentadas às e-STJ fls. 1.067/1.076. É o relatório. Compulsando-se os autos, verifica-se que o acórdão objeto do recurso extraordinário desproveu o agravo regimental,ante a incidência daSúmula7/STJ, na medida em que a revisão das premissas adotadas pela Corte de origem implicaria no revolvimento fático-probatório. No RE n. 598.365 RG/MG, julgado na sistemática da repercussão geral, definiu-se que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional e a ela são atribuídos os efeitos da ausência de repercussão geral" (Tema 181/STF). A propósito: PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSOS DA COMPETÊNCIA DE OUTROS TRIBUNAIS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. A questão alusiva ao cabimento de recursos da competência de outros Tribunais se restringe ao âmbito infraconstitucional. Precedentes. Não havendo, em rigor, questão constitucional a ser apreciada por esta nossa Corte, falta ao caso "elemento de configuração da própria repercussão geral", conforme salientou a ministra Ellen Gracie, no julgamento da Repercussão Geral no RE 584.608. (RE 598.365 RG, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, julgado em 14/08/2009, DJe-055 DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010 EMENT VOL-02395-06 PP-01480 RDECTRAB v. 17, n. 195, 2010, pp. 213-218) No mesmo diapasão: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. OBJETO RECURSAL REJEITADO PELO STF. RE 598.365-RG/MG (TEMA 181). QUESTÃO CONSTITUCIONAL IMPUGNADA ORIGINARIAMENTE. NÃO OCORRÊNCIA. PRECLUSÃO. 1. O objeto deste recurso diz respeito a tema cuja existência de repercussão geral foi rejeitada por esta Corte na análise do RE 598.365-RG/MG, Rel. Min. AYRES BRITTO, tema 181, por se tratar de questão infraconstitucional. 2. Esta Corte firmou entendimento no sentido de que a questão constitucional que serviu de fundamento ao acórdão do juízo de segundo grau deve ser atacada em momento próprio, sob pena de preclusão, apenas sendo admissível recurso extraordinário de acórdão de recurso especial quando, no julgamento deste, originar-se a matéria constitucional impugnada. Precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (ARE 768.691 ED, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 15/06/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-153 DIVULG 31-07-2018 PUBLIC 01-08-2018) Com igual orientação: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENHORA. BEM DE FAMÍLIA. SÚMULA 279 DO STF. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO DE CORTE DIVERSA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO. 1. É inadmissível o recurso extraordinário quando para se chegar a conclusão diversa daquela a que chegou o Tribunal de origem, seja necessário o reexame das provas dos autos. Incidência da Súmula 279 do STF. 2. Carece de repercussão geral a discussão acerca dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de cortes diversas (Tema 181, RE 598.365). 3. Agravo regimental a que se nega provimento, com previsão de aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC. Verba honorária majorada em (um quarto), nos termos do art. 85, § 11, devendo ser observados os §§ 2º e 3º, CPC. (ARE 1.015.880 AgR, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Segunda Turma, julgado em 29/09/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-247 DIVULG 26-10-2017 PUBLIC 27-10-2017) Por conseguinte, não tendo o acórdão recorrido ultrapassado o juízo de admissibilidade, não há repercussão geral, consoante o Tema 181/STF, sendo inviável a análise da violação do art.5º, incisoXXXV, da Constituição Federal,aventada no recurso extraordinário. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, inciso I, alínea "a", do Código de Processo Civil, nega-se seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREENCHIMENTO DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. TEMA 181/STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. SEGUIMENTO NEGADO.