AREsp 1829028 - DECISAO
O seguimento do recurso extraordinário foi negado porque o acórdão recorrid o apresentou fundamentação suficiente nos termos do art. 93, IX, da CF e do Tema 339/STF, e porque o agravo regimental foi interposto fora do prazo de cinco dias previsto no art. 258 do RISTJ, caracterizando intempestividade; adicionalmente,...
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- Parties
- Recorrente: VINICIUS THOMAZ DA COSTA ROSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado (juízo De Admissibilidade)
- Outcome
- seguimento negado ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Fundamentação Das Decisões, Prazo Para Agravo Regimental, Intempestividade, Competência Da Vice Presidência
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Parties
VINICIUS THOMAZ DA COSTA ROSA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado (juízo De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 se houve violação do art. 93, inciso IX, da Constituição Federal (falta de fundamentação do acórdão)
- 2 prazo para interposição do agravo regimental previsto no art. 258 do RISTJ e sua contagem
- 3 limites da atuação da Vice-Presidência do STJ quanto ao juízo de admissibilidade
Ratio Decidendi
O seguimento do recurso extraordinário foi negado porque o acórdão recorrid o apresentou fundamentação suficiente nos termos do art. 93, IX, da CF e do Tema 339/STF, e porque o agravo regimental foi interposto fora do prazo de cinco dias previsto no art. 258 do RISTJ, caracterizando intempestividade; adicionalmente, a Vice-Presidência limitou-se ao juízo de admissibilidade, motivando a negativa de seguimento com fulcro no art. 1.030, I, alínea "a", do CPC.
Court Disposition
seguimento negado ao recurso extraordinário
Orders
- Nega-se seguimento ao recurso extraordinário
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordináriointerposto por VINICIUS THOMAZ DA COSTA ROSA, com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão doSuperior Tribunal de Justiça, assim ementado (e-STJ fl. 19, Expediente Avulso 1): PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO REGIMENTAL. ART. 258 DO RISTJ. CINCO DIAS. INTEMPESTIVIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. O agravo regimental deve ser interposto no prazo de 5 (cinco) dias, conforme estabelecido no art. 258 do RISTJ, o que não ocorreu no caso. 2. Agravo regimental não conhecido. Sustenta o recorrente a repercussão geral da matéria debatida, indicando ter sidovioladooart. 93, inciso IX, da Constituição Federal. Alega que "a simples existência maus antecedentes e apelo a gravidade do delito, não se reveste de fundamento válido a implantação de regime mais gravoso, surtindo efeito direto no princípio da legalidade, tipicidade e fundamentação das decisões" (e-STJ fl. 29, Expediente Avulso 1). Argumenta que, "antes da data do fato deste processo, somente um processo pode ser valorado (como maus antecedentes), ou seja, a condenação de 06 meses de detenção pelo delito do art. 309 do CTB (segundo processo), que de acordo com a jurisprudência sedimentada dessa Corte de Justiça Superior, é desproporcional seu reconhecimento como reincidência, e, com maior razão os maus antecedentes"(e-STJ fl. 33, Expediente Avulso 1). Assevera que faz jus "ao regime menos rigoroso, haja vista que, primário sua pena não excede a 08 anos" (e-STJ fl. 36, Expediente Avulso 1). Requer, ao final, a admissão do recurso e sua remessa ao Supremo Tribunal Federal ou a concessão da ordem de habeas corpus deofício. As contrarrazões foram oferecidas às e-STJ fls. 87-96, Expediente Avulso 1. É o relatório. Ao interpretar o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que, para que uma decisão judicial seja considerada motivada, não se exige o exame pormenorizado de cada alegação ou prova trazida pelas partes, tampouco que sejam corretos os seus fundamentos. Nesse sentido é o Tema 339/STF, segundo o qual "o artigo 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (QO no Ag n. 791.292/PE). Confira-se, por oportuno, a ementa do acórdão: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O a rt. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI 791.292 QO-RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-149 DIVULG 12-08-2010 PUBLIC 13-08-2010 EMENT VOL-02410-06 PP-01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, pp. 113-118.) Na espécie, da leitura do julgado questionado, constata-se que foram declinadas as razões pelas quais não conheceu do agravo regimental, valendo destacar o seguinte excerto (e-STJ fls. 22-23, Expediente Avulso 1): Dispõe o art. 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça: "A parte que se considerar agravada por decisão do Presidente da Corte Especial, de Seção, de Turma ou de relator, poderá requerer, dentro de cinco dias, a apresentação do feito em mesa, para que a Corte Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a." Assim, o agravo regimental deve ser interposto no prazo de 5 (cinco) dias, conforme estabelecido no art. 258 do RISTJ. No caso, a decisão agravada foi publicada em 22/04/2021 (e-STJ, fl. 618). O prazo para interposição do agravo teve início em 23/04/2021 e término em 27/04/2021. Entretanto, o agravo regimental foi protocolizado somente em 19/07/2021 (e-STJ, fl. 15 - certidão no expediente avulso), portanto, fora do prazo legal. A seguir, ementa de acórdão que respalda esse entendimento: "PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. LAPSO TEMPORAL DE 5 DIAS CORRIDOS. INAPLICABILIDADE DO ART. 219, DO NOVO CPC. NÃO CONHECIMENTO .- Dispõe o art. 258, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça: A parte que se considerar agravada por decisão do Presidente da Corte Especial, de Seção, de Turma ou de relator, à exceção do indeferimento de liminar em procedimento de habeas corpus e recurso ordinário em habeas corpus, poderá requerer, dentro de cinco dias, a apresentação do feito em mesa relativo à matéria penal em geral, para que a Corte Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a. - Nos termos do entendimento desta Corte, nas ações que tratam de matéria penal ou processual penal não incidem as regras do artigo 219, do novo Código de Processo Civil, referente à contagem dos prazos em dias úteis, porquanto o Código de Processo Penal, em seu artigo 798, possui disposição específica a respeito da contagem dos prazos, in verbis: Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.- Na hipótese vertente, a decisão agravada foi disponibilizada no DJE em 5/4/2019 e considerada publicada em 8/4/2019 (fl. 543). O prazo para interpor o agravo regimental, por conseguinte, teve início em 9/4/2019 (terça-feira) e término em 15/4/2019 (segunda-feira). O referido recurso, no entanto, foi protocolizado tão somente em 29/4/2019 (fl. 548), portanto, fora do prazo legal, não devendo ser conhecido.- É ônus do advogado do paciente tanto comprovar que foi nomeado na condição de defensor dativo, com vistas a assegurar a prerrogativa de intimação pessoal, quanto informar, por ocasião da interposição do recurso, a data que reputa ser a da efetiva intimação da decisão agravada (cf. AgRgno REsp n. 1.776.122/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 12/3/2019, DJe 28/3/2019). Agravo regimental não conhecido." (AgRg no HC 474.276/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 07/05/2019, DJe 20/05/2019, grifou-se). Conclui-se, portanto, que o acórdão encontra-se em consonância com a jurisprudência fixada pela Suprema Corte em repercussão geral, no Tema 339/STF. Nesse sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO INTERNO. (..) FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. QUESTÃO DE ORDEM NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 791.292 - TEMA 339. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (..) 5. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica no sentido de que cumpre a regra do art. 93, IX, da CF a decisão judicial que seja fundamentada, ainda que de modo sucinto, sendo desnecessário o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas dos autos (AI 791.292 - Tema 339 da sistemática da repercussão geral). (..) 7. Agravo a que se nega provimento. (Rcl 41510 ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 18/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-218 DIVULG 31-08-2020 PUBLIC 01-09-2020.) No mesmo diapasão: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. TEMA 339 DA REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF. 1. No julgamento do AI 791.292-QO-RG/PE (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema 339), o Supremo Tribunal Federal assentou que o inciso IX do art. 93 da CF/1988 exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente. 2. Decisão recorrida em conformidade com a jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Na forma do art. 1.021, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de votação unânime, fica condenado o agravante a pagar ao agravado multa de um por cento do valor atualizado da causa, cujo depósito prévio passa a ser condição para a interposição de qualquer outro recurso (à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final). (ARE 1266033 AgR, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 05/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-204 DIVULG 14-08-2020 PUBLIC 17-08-2020.) Quanto ao pleito de concessão da ordem de ofício, ressalta-se que a análise do mérito não se enquadra nas atribuições da Vice-Presidência, que, nos termos do art. 22 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, se limitam ao juízo de admissibilidade do recurso extraordinário. Confira-se: Art. 22. Ao Vice-Presidente incumbe substituir o Presidente nas férias, licenças, ausências e impedimentos eventuais, e sucedê-lo, no caso de vaga, na forma do artigo 18. § 1º O Vice-Presidente integra o Plenário e a Corte Especial também nas funções de relator e revisor. § 2º Ao Vice-Presidente incumbe, ainda: I - por delegação do Presidente: a) decidir as petições de recursos para o Supremo Tribunal Federal, resolvendo os incidentes que suscitarem; b) auxiliar na supervisão e fiscalização dos serviços da Secretaria do Tribunal; c) (Revogado pela Emenda Regimental n. 10, de 2009) d) decidir as matérias previstas no art. 21-E deste Regimento. (Incluído pela Emenda Regimental n. 24, de 2016) II - exercer, no Conselho da Justiça Federal, as funções que lhe competirem, de acordo com o Regimento Interno. § 3º A delegação das atribuições previstas no item I do parágrafo anterior far-se-á mediante ato do Presidente e de comum acordo com o Vice-Presidente. Verifica-se, portanto, que a atuação desta Vice-Presidência restringese à cognição inerente ao juízo de admissibilidade do recurso extraordinário. Ante o exposto, nada há a prover com relação a este pedido. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, inciso I, alínea "a", do Código de Processo Civil, nega-se seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 339/STF. SEGUIMENTO NEGADO.