REsp 1833111 - DECISAO
As alegadas ofensas constitucionais são reflexas, pois dependem da análise de normas infraconstitucionais (notadamente o art. 579 do CPP e o art. 159, VI, do RISTJ); por estarem vinculadas aos Temas 660 e 895 do STF e não possuir repercussão geral, nega-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art....
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- Parties
- Recorrente: MIGUEL GARCIA FERREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
- Outcome
- seguimento negado ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Direito De Defesa, Devido Processo Legal, Inafastabilidade De Jurisdição, Admissibilidade De Recurso Extraordinário
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Parties
MIGUEL GARCIA FERREIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
Legal Issues
- 1 violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal
- 2 aplicabilidade do Tema 660/STF (ofensa reflexa dependente de normas infraconstitucionais)
- 3 aplicabilidade do Tema 895/STF (inafastabilidade da jurisdição e óbices processuais)
Ratio Decidendi
As alegadas ofensas constitucionais são reflexas, pois dependem da análise de normas infraconstitucionais (notadamente o art. 579 do CPP e o art. 159, VI, do RISTJ); por estarem vinculadas aos Temas 660 e 895 do STF e não possuir repercussão geral, nega-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, alínea "a" do CPC.
Court Disposition
seguimento negado ao recurso extraordinário
Orders
- Nega-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, inciso I, alínea "a", do Código de Processo Civil.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto por MIGUEL GARCIA FERREIRA,com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão doSuperior Tribunal de Justiça, assim ementado (e-STJ fl. 1.613): PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO POR MOTIVO FÚTIL. PRONÚNCIA. FUNGIBILIDADE RECURSAL. APLICAÇÃO. RAZÕES RECURSAIS EXTEMPORÂNEAS PELO MP. MERA IRREGULARIDADE. EXCLUSÃO DE QUALIFICADORAS DA PRONÚNCIA NÃO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTES. COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. CRIMES AUTÔNOMOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. PRECEDENTES. DECISÃO DE PRONÚNCIA MANTIDA. PLEITO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. ART. 159, VI, DO REGIMENTO INTERNO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - RISTJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O agravante não trouxe argumentos novos capazes de infirmar a decisão agravada. Decisão pautada em jurisprudência pacificada desta Corte. 2. Não cabe o pleito de sustentação em sede de agravo regimental, nos termos do art. 159, VI, do RISTJ. 3. Agravo regimental desprovido. Na sequência, os embargos de declaraçãoforam rejeitados, nos seguintes termos (e-STJ fl. 1.662): PENAL. PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA. INVIABILIDADE. SUPOSTO DESRESPEITO A NORMA CONSTITUCIONAL. ANÁLISE DESCABIDA NA PRESENTE VIA. SUPOSTO DESRESPEITO A NORMA CONSTITUCIONAL. ANÁLISE DESCABIDA NA PRESENTE VIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, a teor do art. 619 do Código de Processo Penal - CPP, e erro material, conforme art. 1022, III, do Código de Processo Civil - CPC. 2. Sem a demonstração das hipóteses de cabimento, a rejeição dos embargos de declaração é medida que se impõe, notadamente quando o embargante pretende a rediscussão da questão controvertida para modificar o provimento anterior. 3. "Sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, não é dado ao Superior Tribunal de Justiça analisar dispositivos constitucionais ainda que para fins de prequestionamento da matéria"(AgRg no AREsp 1804967/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em 1º/6/2021, DJe 7/6/2021). 4. Embargos declaratórios rejeitados. Sustenta o recorrente a repercussão geral da matéria tratada, aduzindo que o aresto impugnado teria violado o art. 5º,incisos XXXV, LIV e LV, da Constituição Federal. Alega quenão seria possível a interposição do recurso de apelação pelo Ministério Público para impugnar a decisão de pronúncia, pois o único recurso cabível seria o recurso em sentido estrito, tratando-se de erro grosseiro. Pondera que "a equivocada interposição de recurso de apelação no lugar de recurso em sentido estrito é adotada apenas quando o equívoco é cometido pelo Ministério Público, jamais pelo polo passivo da ação"(e-STJ fl. 1.692). Destaca que houve cerceamento de defesa, diante da negativa de realização de sustentação oral em agravo regimental. Requer, ao final, a admissão do recurso e sua remessa ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas às e-STJ fls. 1.704-1.717. É o relatório. Pacificou-se no Supremo Tribunal Federal o entendimento de que a apontada afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. Nessa esteira é o Tema 660/STF, cujo acórdão paradigma recebeu a seguinte ementa: Alegação de cerceamento do direito de defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral. (ARE 748.371 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 06/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-148 DIVULG 31-07-2013 PUBLIC 01-08-2013.) No mesmo vértice: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO A RESPEITO DA REPERCUSSÃO GERAL. INSUFICIÊNCIA. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AO DIREITO ADQUIRIDO, AO ATO JURÍDICO PERFEITO E À COISA JULGADA. OFENSA CONSTITUCIONAL REFLEXA. (..) 3. O STF, no julgamento do ARE 748.371-RG/MT (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema 660), rejeitou a repercussão geral da violação ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito, à coisa julgada ou aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando se mostrar imprescindível o exame de normas de natureza infraconstitucional. 4. Tendo o acórdão recorrido solucionado as questões a si postas com base em preceitos de ordem infraconstitucional, não há espaço para a admissão do recurso extraordinário, que supõe matéria constitucional prequestionada explicitamente. 5. Agravo Interno a que se nega provimento. Na forma do art. 1.021, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de votação unânime, fica condenado o agravante a pagar ao agravado multa de um por cento do valor atualizado da causa, cujo depósito prévio passa a ser condição para a interposição de qualquer outro recurso (à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final). (RE 1276856 AgR, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 15/09/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-234 DIVULG 22-09-2020 PUBLIC 23-09-2020.) Na espécie, a suposta ofensa aos princípiosda ampla defesa e do devido processo legal,depende da análise doart. 579 do Código de Processo Penal, além do art. 159, inciso VI, do Regimento Interno desta Corte de Justiça,razão pela qual incide o Tema 660/STF. Ademais, éassente na Suprema Corte o entendimento de que "a questão da ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, quando há óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral" (Tema 895/STF). Essa tese foi estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n. 956.302 RG/GO, que restou assim ementado: PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. ÓBICES PROCESSUAIS INTRANSPONÍVEIS. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. QUESTÃO INFRACONSTITUCIONAL. MATÉRIA FÁTICA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Não há repercussão geral quando a controvérsia refere-se à alegação de ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, nas hipóteses em que se verificaram óbices intransponíveis à entrega da prestação jurisdicional de mérito. (RE 956.302/GO RG, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, julgado em 19/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-124 DIVULG 15-06-2016 PUBLIC 16-06-2016.) In casu, a violação do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal é reflexa, pois depende da análise do art. 159, inciso VI, do Regimento Interno desta Corte de Justiça, razão pela qual incide o Tema 895/STF. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. .. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO: INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL (TEMA 895). AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (ARE 1256343 AgR, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 29/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 03-07-2020 PUBLIC 06-07-2020.) Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, inciso I, alínea "a", do Código de Processo Civil, nega-se seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOSDA AMPLA DEFESA,DO DEVIDO PROCESSO LEGAL EDA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO.TEMAS 660 E 895 DO STF.AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.SEGUIMENTO NEGADO.