AREsp 1207582 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque a suposta ofensa ao princípio da ampla defesa depende da análise dos arts. 1º e 10º do Decreto n.20.910/1932 e do Decreto Estadual n.254‑R, incidindo o Tema 660/STF, o que caracteriza ofensa reflexa à Constituição e obsta a admissão do recurso extraordinário por ausência...
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- Parties
- Agravante: HUGO JUNIOR DE MIRANDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Pela Corte Especial Após Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Extraordinário
- Outcome
- nega‑se provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Ampla Defesa, Contraditório, Coisa Julgada, Ato Jurídico Perfeito, Direito Adquirido
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Parties
HUGO JUNIOR DE MIRANDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Pela Corte Especial Após Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Extraordinário
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do Tema 660/STF à suposta ofensa ao princípio da ampla defesa
- 2 Se a alegada violação constitucional depende de prévia análise de normas infraconstitucionais
- 3 Admissibilidade do recurso extraordinário quando a matéria é reflexa de normas infraconstitucionais
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque a suposta ofensa ao princípio da ampla defesa depende da análise dos arts. 1º e 10º do Decreto n.20.910/1932 e do Decreto Estadual n.254‑R, incidindo o Tema 660/STF, o que caracteriza ofensa reflexa à Constituição e obsta a admissão do recurso extraordinário por ausência de repercussão geral.
Court Disposition
nega‑se provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, João Otávio de Noronha, Maria Thereza de Assis Moura, Herman Benjamin, Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por HUGO JUNIOR DE MIRANDA contra decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (e-STJ fl. 624): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. TEMA 660/STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. SEGUIMENTO NEGADO. Sustenta o agravante a inaplicabilidade do Tema n. 660/STF ao caso concreto, ao argumento de que a causa subjacente ao recurso extraordinário interposto nestes autos distingue-se da questão de fundo discutida no ARE n. 748.371/MT (e-STJ fls. 630-638). Afirma que, na espécie, a ofensa ao art. 5º, LV, da Constituição Federal é direta e "não depende de prévia análise de Decretos infraconstitucionais, uma vez que restou reconhecido no v. acórdão de 2º grau e no v. acórdão da c. 1ª Turma que a ampla defesa do Agravante foi desrespeitada pela ausência de representante nos termos exigidos pelo regulamento" (e-STJ fl. 637). Requer a admissão do recurso extraordinário com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Foram apresentadas as contrarrazões (e-STJ fls. 660-663). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. OFENSA AOPRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA.AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 660/STF. DESPROVIMENTO DO RECLAMO. 1. A suposta afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, se dependente da análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional, não tendo repercussão geral (Tema n. 660/STF). 2.Agravo interno não provido. VOTO Inicialmente, tendo em vista que a decisão impugnada foi publicada em (e-STJ fl.), cumpre atestar a tempestividade da insurgência, pois interposta no dia (e-STJ fl.), ou seja, dentro do prazo recursal. Não obstante as razões declinadas pelo agravante, a decisão monocrática deve ser mantida. Isso porque é pacífico noSupremo Tribunal Federal o entendimento de que a apontada afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. Nessa esteira é o Tema n. 660/STF, cujo acórdão paradigma recebeu a seguinte ementa: Alegação de cerceamento do direito de defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral. (ARE 748.371 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 06/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-148 DIVULG 31-07-2013 PUBLIC 01-08-2013) No mesmo vértice: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO A RESPEITO DA REPERCUSSÃO GERAL. INSUFICIÊNCIA. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AO DIREITO ADQUIRIDO, AO ATO JURÍDICO PERFEITO E À COISA JULGADA. OFENSA CONSTITUCIONAL REFLEXA. (..) 3. O STF, no julgamento do ARE 748.371-RG/MT (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema 660), rejeitou a repercussão geral da violação ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito, à coisa julgada ou aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando se mostrar imprescindível o exame de normas de natureza infraconstitucional. 4. Tendo o acórdão recorrido solucionado as questões a si postas com base em preceitos de ordem infraconstitucional, não há espaço para a admissão do recurso extraordinário, que supõe matéria constitucional prequestionada explicitamente. 5. Agravo Interno a que se nega provimento. Na forma do art. 1.021, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de votação unânime, fica condenado o agravante a pagar ao agravado multa de um por cento do valor atualizado da causa, cujo depósito prévio passa a ser condição para a interposição de qualquer outro recurso (à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final). (RE 1276856 AgR, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 15/09/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-234 DIVULG 22-09-2020 PUBLIC 23-09-2020) Na espécie, consoante assentado na decisão agravada, a suposta ofensa ao princípio da ampla defesa depende da análise dos arts. 1º e 10º, do Decreto n. 20.910/1932 e do Decreto Estadual n. 254-R, razão pela qual incide o Tema n. 660/STF. Ante o exposto,nega-se provimentoao agravo interno. É o voto.