EAREsp 635802 - DECISAO
Havendo fundamentação suficiente do acórdão recorrido na forma definida pelo STF no Tema 339 e sendo a discussão sobre o não conhecimento de recurso anterior de competência do STJ uma questão de natureza infraconstitucional sem repercussão geral (Tema 181), o recurso extraordinário não preenche o requisito da...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ARGEBRÁS ARMAZENS GERAIS BRASIL CENTRAL LTDA.; Recorrido: Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
- Outcome
- seguimento negado
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Fundamentação Das Decisões Judiciais, Pressupostos De Admissibilidade, Embargos De Divergência, Súmula 315/stj, Tema 339 STF, Tema 181 STF
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Parties
ARGEBRÁS ARMAZENS GERAIS BRASIL CENTRAL LTDA.
Recorrente
Superior Tribunal de Justiça
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
Legal Issues
- 1 Exigência de fundamentação do acórdão (art. 93, IX, CF)
- 2 Repercussão geral como requisito de admissibilidade do recurso extraordinário (art. 102, §3º, CF)
- 3 Aplicabilidade do Tema 181 do STF sobre preenchimento de pressupostos de admissibilidade de recursos de competência de outros tribunais
Ratio Decidendi
Havendo fundamentação suficiente do acórdão recorrido na forma definida pelo STF no Tema 339 e sendo a discussão sobre o não conhecimento de recurso anterior de competência do STJ uma questão de natureza infraconstitucional sem repercussão geral (Tema 181), o recurso extraordinário não preenche o requisito da repercussão geral e deve ter seu seguimento negado, aplicando-se também a limitação imposta pela Súmula 315/STJ e a exigência de similitude fática para embargos de divergência.
Court Disposition
seguimento negado
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto ARGEBRÁS ARMAZENS GERAIS BRASIL CENTRAL LTDA., com fundamento no artigo 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que manteve indeferimento de embargos de divergência. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 5.690): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA COMO PARADIGMA. REGRA TÉCNICA DE CONHECIMENTO. PRETENSÃO DE REVISÃO DO JULGADO. DESCABIMENTO DA VIA UNIFORMIZADORA. SÚMULA N. 315/STJ. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Decisões monocráticas não se prestam à demonstração de divergência entre órgãos colegiados, uma vez que apenas acórdãos podem ensejar a propositura dos embargos de divergência. 2. Ausente o enfrentamento do mérito da causa no recurso especial, aplica-se a conclusão anotada na Súmula n. 315 do STJ aos referidos capítulos, segundo a qual: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." 3. Quanto à parte conhecida do recurso especial, a ausência de similitude fática em relação ao acórdão apontado como paradigma inviabiliza a instauração da divergência. 4. Agravo interno a que se nega provimento. A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, II, 37, XXI, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, sustenta que os embargos de divergência deveriam ter sido admitidos, devendo ser afastado o óbice imposto pela Súmula n. 315 do Superior Tribunal de Justiça. Alega que, para negar provimento aos embargos de divergência, o acórdão impugnado concluiu que não se evidenciava a similitude fática necessária, bem como a divergência entre a decisão recorrida e os julgados tidos como paradigmas. No entanto, o recorrente haveria demonstrado, em sete oportunidades distintas, a existência de divergência entre o julgado combatido e outras decisões proferidas pelo STJ. Requer, ao final, a admissão do recurso, bem como a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Houve apresentação de contrarrazões às fls. 5.746- 5.760. É o relatório. A insurgência não tem como prosperar. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessário que tenham sido apreciadas todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto ou desacerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão alcançada no julgado recorrido, que manteve o indeferimento liminarmente dos embargos de divergência . Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. Quanto às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não possui repercussão geral. Dito de outra forma, quando o Superior Tribunal de Justiça não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso. Isso é o que ficou definido no Tema n. 181 do STF, no qual a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). Vale esclarecer que o entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais que analisam a viabilidade prévia dos recursos extraordinários negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nos casos em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.