AREsp 1707268 - DECISAO
O recurso extraordinário teve seguimento negado porque o acórdão recorrido foi considerado suficientemente fundamentado nos termos do Tema 339 do STF, a matéria invocada não foi prequestionada no tribunal de origem atraindo a aplicação, por analogia, da Súmula 282 do STF, e porque a análise sobre admissibilidade de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
- Outcome
- negou seguimento ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Prequestionamento, Assistência Judiciária Gratuita, Fundamentação Das Decisões, Admissibilidade De Recursos, Súmula 282 STF, Tema 339 STF, Tema 181 STF
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado
Legal Issues
- 1 suficiência da fundamentação do acórdão nos termos do art. 93, IX, da CF
- 2 ausência de prequestionamento dos arts. 99, §§ 2º e 3º, e 932, parágrafo único, do NCPC e aplicação da Súmula 282 do STF
- 3 exigência de repercussão geral para admissibilidade do recurso extraordinário (art. 102, § 3º, CF)
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário teve seguimento negado porque o acórdão recorrido foi considerado suficientemente fundamentado nos termos do Tema 339 do STF, a matéria invocada não foi prequestionada no tribunal de origem atraindo a aplicação, por analogia, da Súmula 282 do STF, e porque a análise sobre admissibilidade de recurso de competência de outro tribunal não tem repercussão geral (Tema 181), configurando falta dos requisitos para admissão do recurso, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
negou seguimento ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que manteve a decisão monocrática anterior de conhecer do agravo para negar conhecimento ao recurso especial, com fundamento no enunciado de súmula do STF de n.º 282, ausência de prequestionamento da matéria. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 659): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL MANEJADO NA ÉGIDE DO NCPC. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. INDEFERIMENTO. CONCESSÃO DE PRAZO PARA COMPROVAR A HIPOSSUFICIÊNCIA. ARTS. 99, §§ 2º E 3º, E 932, PARÁGRAFO ÚNICO, DO NCPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 282 DO STF. RECURO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A matéria referente aos temas dos arts. 99, §§ 2º e 3º, e 932, parágrafo único, do NCPC não foi objeto de debate prévio nas instâncias de origem. Ausente, portanto, o devido prequestionamento nos termos da Súmula nº 282 do STF, aplicável por analogia. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 703-709). As partes recorrentes alegam a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, LXXIV, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, narram que, no acórdão proferido pelo Tribunal de origem, sua apelação foi declarada deserta, por ausência de recolhimento de custas, sem que tenha sido oportunizado às partes recorrentes comprovar a necessidade de gratuidade de justiça, demonstrar a grave crise financeira em que se encontram. Declaram que formularam o pedido de gratuidade por meio da petição de fls. 423-436 e que o Exmo. Relator deveria ter intimado as partes para comprovar necessidade da gratuidade de justiça, isso no lugar de proferir despacho para o recolhimento do preparo sob pena de deserção. Pleiteiam que seja declarada a unidade do acórdão, determinado o retorno do autos para que o Tribunal de origem examine as petições das partes recorrentes, chamando o feito à ordem. Salientam que a insistência do órgão julgador, no âmbito do STJ, de não conhecer de seu recurso induz à ausência da devida fundamentação, por falta de apreciação do elemento apontado pelas partes recorrentes como erro de fato, havendo negação da justiça na hipótese. Requerem, assim, a admissão e o provimento do recurso extraordinário. É o relatório. 2. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, que não conheceu do recurso dirigido a esta Corte Superior, por ausência de prequestionamento da matéria, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fl. 661): A pretensão recursal está na constatação de error in procedendo na verificação do pedido de assistência judiciária gratuita. Todavia, observo que o conteúdo normativo dos arts. 99, §§ 2º e 3º, e 932, parágrafo único, do NCPC não foi objeto de apreciação pelo acórdão recorrido, ressentindo-se do necessário prequestionamento, pressuposto inafastável ao conhecimento do apelo nobre. Acrescente-se que é exigência contida na própria previsão constitucional de interposição do recurso especial que a matéria federal tenha sido decidida em única ou última instância. Não basta à parte discorrer sobre o dispositivo legal que entende infringido. É imprescindível que a Corte recorrida tenha emitido juízo de valor sobre o referido preceito, o que não ocorreu na hipótese examinada, atraindo a incidência da Súmula nº 282 do STF. Dessa forma, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido pelas partes recorrentes, relacionado às questões de mérito submetidas ao STJ. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o STF já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.