AREsp 2403547 - DECISAO
O Supremo Tribunal Federal entendeu que o acórdão recorrido contém fundamentação suficiente nos termos do Tema 339, que as alegações do recorrente demandariam reexame de provas e normas infraconstitucionais (incidindo o óbice da Súmula 7/STJ e o entendimento do Tema 895), e que a questão sobre preenchimento de...
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- Parties
- Recorrente: parte recorrente; Réu: Rio Day Hospital; Ré: Clínica ré; Apelante: UNIMED RIO; Autor: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
- Outcome
- Recurso extraordinário com seguimento negado
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Fundamentação Do Julgado (art. 93, IX, Cf), Responsabilidade Solidária, Nexo De Causalidade, Quantum Indenizatório, Súmulas 7 E 83/stj, Admissibilidade De Recursos
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
parte recorrente
Recorrente
Rio Day Hospital
Réu
Clínica ré
Ré
UNIMED RIO
Apelante
parte autora
Autor
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
Legal Issues
- 1 Adequação da fundamentação do acórdão face ao art. 93, IX, da CF (Tema 339 STF)
- 2 Aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ
- 3 Responsabilidade solidária de operadora de plano de saúde e hospital
Ratio Decidendi
O Supremo Tribunal Federal entendeu que o acórdão recorrido contém fundamentação suficiente nos termos do Tema 339, que as alegações do recorrente demandariam reexame de provas e normas infraconstitucionais (incidindo o óbice da Súmula 7/STJ e o entendimento do Tema 895), e que a questão sobre preenchimento de pressupostos de admissibilidade do recurso anterior tem natureza infraconstitucional (Tema 181); assim, por ausência de repercussão geral e óbice processual, negou-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
Recurso extraordinário com seguimento negado
Orders
- Negar seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil
- Publique-se
Full Case Text
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DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que manteve a decisão que conheceu em parte do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento, aplicando as Súmulas n. 7 e 83 do STJ. O julgado recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 1.659): PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LEGITIMIDADE DE PARTE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSUMIDOR. ERRO MÉDICO. PENSÃO. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS NºS 7 E 83/STJ. 1. Petição de reconsideração recebida como agravo interno, com base nos princípios da fungibilidade e da economia processual. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que, se o contrato é fundado na prestação de serviços médicos e hospitalares próprios e/ou credenciados, mantendo a operadora de plano de saúde hospitais e empregando médicos ou indicando um rol de conveniados, não há como afastar sua responsabilidade solidária pela má prestação do serviço. Súmula nº 83/STJ. 3. Na hipótese, o pensionamento é devido pela diminuição da capacidade laborativa decorrente das sequelas irreversíveis. Súmula nº 83/STJ. Precedentes. 4. No que diz respeito ao nexo de causalidade e a lesão sofrida, a conclusão do tribunal de origem se firmou após minuciosa análise das circunstâncias fáticas dos autos. Rever tal posicionamento demandaria o reexame das provas dos autos, procedimento incompatível com a via eleita. Súmula nº 7/STJ. 5. O Superior Tribunal de Justiça, afastando a incidência da Súmula nº 7/STJ, tem reexaminado o montante fixado pelas instâncias ordinárias apenas quando irrisório ou abusivo, circunstâncias inexistentes no presente caso, em que arbitrado em R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). 6. Agravo interno não provido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 1.697-1.699). A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, XXXV, e 93, IX, da Constituição Federal. Argumenta que o órgão julgador recusou-se indevidamente a apreciar o mérito do recurso especial, e que o acórdão recorrido apresenta fundamentação insuficiente. Sustenta que, para analisar as teses de ilegitimidade passiva, de inexistência de nexo de causalidade entre a sua conduta e o dano, e do quantum indenizatório, não há necessidade de reexame de fatos ou provas. Salienta que a responsabilidade solidária diz respeito exclusivamente às empresas de mercantilização médico-hospitalar, cuja natureza societária é outra, diversa das cooperativas de trabalho. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso extraordinário. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 1.772-1.779. É o relatório. 2. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 1.661-1.664): No que diz respeito à responsabilidade solidária da ora agravante e consequente legitimidade de parte passiva, o aresto atacado não destoou da orientação firmada nesta Corte, no sentido de que, se o contrato é fundado na prestação de serviços médicos e hospitalares próprios e/ou credenciados, mantendo a operadora de plano de saúde hospitais e empregando médicos ou indicando um rol de conveniados, não há como afastar sua responsabilidade solidária pela má prestação do serviço. .. Desse modo, não há como afastar a incidência da Súmula nº 83/STJ. De fato, quanto o pensionamento vitalício, a conclusão do tribunal de origem está em harmonia com o entendimento desta Corte, de que é devido em virtude da diminuição da capacidade laborativa decorrente das sequelas irreversíveis. .. Também não assiste razão ao recorrente no tocante à alegação de que não incide a Súmula nº 7/STJ. Com efeito, no que se refere ao nexo de causalidade e a lesão sofrida pelo recorrido, o tribunal de origem firmou a sua conclusão, após minuciosa análise das circunstâncias fáticas dos autos, é o que se extrai do seguinte trecho: "(..) No caso em análise, das provas acostadas aos autos, produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, constata-se que a causa da perda da visão ocorreu após ter sido submetido a intervenção cirúrgica pelo Dr. Carlos Cazal, nas dependências do primeiro Réu, Rio Day Hospital, desenvolveu grave quadro infeccioso que causou a perda da visão, com incapacidade permanente de 30%. Ao contrário do alegado pela RIO DAY (Apelante 2), não era o caso de aferir se houve nexo causal entre o tratamento ministrado pela recorrente e a perda da visão, e sim se houve nexo causal entre a desídia do hospital com um paciente submetido à cirurgia em suas dependências e a perda da visão deste paciente. O Código de Defesa do Consumidor, em seu art. 14, caput, consagrou a responsabilidade objetiva do fornecedor de serviço, com base na teoria do risco do empreendimento, segundo a qual ele responde independente de culpa pelos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. Desta forma, o fornecedor somente não responderá pelos danos causados se provar a inexistência do defeito ou fato exclusivo do consumidor ou de terceiro (art. 14, § 3º, incisos I e II do CDC). In casu, a Clínica ré (apelante 3) não logrou comprovar alguma dessas excludentes, limitando-se a alegar que inexiste responsabilidade, pois o Hospital disponibilizou os meios necessários para a realização da cirurgia no paciente. Igualmente, oportuno esclarecer que ao contrário das alegações da UNIMED RIO (APELANTE 3) a operadora de plano de saúde e o hospital credenciado, por atuarem em conjunto na cadeia de consumo, respondem solidariamente pelos danos provocados à parte autora, nos termos do parágrafo único, do art. 7º c/c art. 25, §1º, ambos do CDC, não afastando essa responsabilidade o fato de os médicos não pertencerem ao corpo clínico do hospital. Por certo, como o plano de saúde (apelante 3) possui parceria comercial com o nosocômio (apelante 2) o que culmina com o aumento da clientela e os lucros obtidos, razão pela qual deve arcar também com os riscos da atividade negocial desenvolvida. E como respondem de forma objetiva perante o consumidor, nenhum deles pode se eximir da culpa imputando-a exclusivamente ao outro" (fls. 817/818, e-STJ - grifou-se). Nesse contexto, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame das provas dos autos, o que é incompatível com o procedimento eleito. Ademais, esta Corte somente admite o reexame do valor atribuído aos danos morais, caso o montante fixado pelas instâncias ordinárias seja irrisório ou abusivo. No caso, o valor é de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) pelos danos decorrentes do erro médico. Não se pode dizer que a referida quantia destoa dos parâmetros adotados por esta Corte em precedentes análogos, ao revés, revela-se perfeitamente adequada diante das especificidades do caso concreto, sendo inarredável, assim, a aplicação à espécie do óbice inserto no mencionado na Súmula nº 7/STJ. .. Assim, as razões do presente agravo não são suficientes para reformar a decisão atacada, que merece ser mantida por seus próprios fundamentos. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. Ademais, Supremo Tribunal Federal já definiu que a questão relativa à possível violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição possui natureza infraconstitucional "quando há óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição Federal ou análise de matéria fática". Essa é a conclusão consolidada no Tema n. 895, no qual a Suprema Corte fixou a seguinte tese: A questão da ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, quando há óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE n. 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. (RE n. 956.302-RG, relator Ministro Edson Fachin, Tribunal Pleno, julgado em 19/5/2016, DJe de 16/6/2016.) O entendimento em tela foi adotado sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil. No caso dos autos, do teor do acórdão impugnado, já transcrito, verifica-se que o exame da alegada ofensa ao art. 5º, XXXV, da CF dependeria da análise de normas infraconstitucionais e da apreciação da matéria fática, motivo pelo qual se aplica a conclusão do STF no mencionado Tema n. 895. 4. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o STF já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF tam bém nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 5. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.