REsp 2173862 - DECISAO
Reconhecida a existência de repercussão geral no RE 1.516.074/TO (Tema 1.349/STF), e visando à economia processual e evitar decisões em desconformidade com o julgamento da Suprema Corte, o STJ deve sobrestar o recurso especial e devolver os autos ao Tribunal de origem para que ali seja realizado o juízo de...
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- Parties
- Agravante: Estado do Tocantins
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração Da Decisão Agravada E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação
- Outcome
- Reconsiderada a decisão de fls. 201/203, julgada prejudicada a análise do recurso especial e determinada a devolução dos autos ao Tribunal de origem para juízo de conformação.
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Sobrestamento De Recurso, Juízo De Retratação, Juízo De Conformação, Incidência Da Taxa SELIC, Lei Da Usura, Art. 3º Da EC Nº 113/2021, Tema 1.349/stf, Súmula 7/stj
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Parties
Estado do Tocantins
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração Da Decisão Agravada E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação
Legal Issues
- 1 incidência da taxa SELIC sobre débitos fazendários à luz da EC nº 113/2021
- 2 alcance do art. 3º da EC nº 113/2021
- 3 aplicabilidade da Lei da Usura e do art. 4º
Ratio Decidendi
Reconhecida a existência de repercussão geral no RE 1.516.074/TO (Tema 1.349/STF), e visando à economia processual e evitar decisões em desconformidade com o julgamento da Suprema Corte, o STJ deve sobrestar o recurso especial e devolver os autos ao Tribunal de origem para que ali seja realizado o juízo de conformação ou mantido o acórdão local, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Court Disposition
Reconsiderada a decisão de fls. 201/203, julgada prejudicada a análise do recurso especial e determinada a devolução dos autos ao Tribunal de origem para juízo de conformação.
Orders
- Reconsiderar a decisão de fls. 201/203, tornando-a sem efeito.
- Julgada prejudicada a análise do recurso especial e determinada a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com baixa, para realização do juízo de conformação ou manutenção do acórdão local, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno manejado pelo Estado do Tocantins desafiando a decisão de fls. 201/203, que não conheceu do recurso especial, com base nos seguintes fundamentos: (I) quanto à aplicação da Selic para atualização dos débitos fazendários, o Tribunal de origem decidiu a controvérsia à luz de alicerces eminentemente constitucionais, matéria insuscetível de ser examinada em sede de apelo nobre; (II) incidência da Súmula 7/STJ, no que tange à conformidade dos cálculos com os preceitos legais; e (III) resta prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do recurso especial pela alínea a do permissivo constitucional. Inconformada, sustenta a parte agravante que "ocorre, porém, que, a despeito do Tribunal local ter feito menção ao artigo 3º da EC nº. 113/2021, ao decidir a lide, afastou as teses de defesa do Estado do Tocantins fundadas na Lei de Usura, fazendo referência expressa ao conteúdo normativo do dispositivo infraconstitucional para chegar as conclusões diversas das sustentadas pelo ente federativo. E, nesse contexto, compete ao STJ a interpretação da lei, ainda que para tanto seja necessário dimensioná-la à luz da Constituição Federal. .. Portanto, não há que se falar em inadequação da via eleita ou em usurpação da competência da Suprema Corte sobre a matéria, de forma que o recurso especial do Estado não encontra óbice no fundamento aplicado pela decisão singular agravada. .. A matéria discutida não exige reexame de provas, mas sim a correta aplicação do direito aos fatos estabelecidos. No caso em tela, a decisão que aplicou a súmula 7 está equivocada, visto que a controvérsia não se centra na reavaliação dos fatos, mas sim na correta interpretação jurídica do art. 4º da lei da Usura, bem como sua relação com a incidência da taxa SELIC." (fls .211/212). Transcorrido in albis o prazo para impugnação (fl. 218). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Melhor compulsando os autos, exercendo o juízo de retratação facultado pelo arts. 1.021, § 2º, 2ª parte, do CPC e 259 do RISTJ, reconsidero a decisão agravada, tornando-a sem efeito, passando novamente à analise do recurso: Verifica-se que o recurso especial interposto pelo Estado do Tocantins (fls. 110/125), contém discussão sobre "saber se o art. 3º da EC nº 113/2021 determina a incidência da taxa SELIC sobre o valor do débito corrigido acrescido de juros", tema em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral ao apreciar o RE 1.516.074/TO, DJe de 8/11/2024 (Tema 1.349/STF). Em recursos versando sobre temas submetidos ao rito da repercussão geral, o STF tem determinado o retorno dos processos para os Tribunais de origem, para aguardar o julgamento do recurso extraordinário representativo da controvérsia. A propósito: ARE 1.244.038 AgR-segundo-EDv-AgR-ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, DJe 10/12/2020; ARE 1.144.360 AgR-ED, Rel. Min. Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, DJe 19/02/2019; e ARE 1.181.843 AgR-ED, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe 23/06/2020. Assim, em razão de economia processual e para se evitar a prolação pelo STJ de provimentos jurisdicionais em desconformidade com o que for definitivamente decidido pela Corte Suprema, é conveniente que a apreciação do recurso especial fique sobrestada até o exaurimento da competência do Tribunal de origem, que ocorrerá com o juízo de retratação ou de conformação a ser realizado pela instância ordinária, após o julgamento do recurso extraordinário sobre o mesmo tema afetado ao regime da repercussão geral, nos moldes dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC. Ressalte-se que a Primeira Turma do STJ, ao julgar o AgInt no AgInt no REsp 1.603.061/SC, ratificou a orientação de que, "Podendo a ulterior decisão do STF, em repercussão geral já reconhecida, afetar o julgamento da matéria veiculada no recurso especial, faz-se conveniente que o STJ, em homenagem aos princípios processuais da economia e da efetividade, determine o sobrestamento do especial e devolva os autos ao Tribunal de origem para que ali, em se fazendo necessário, seja oportunamente realizado o ajuste do acórdão local ao que vier a ser decidido na Excelsa Corte" (AgInt no AgInt no REsp 1.603.061/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 28/06/2017). Assim é, porque o exaurimento da instância, para fins de cabimento dos recursos especial e extraordinário, depende do juízo de conformação a ser promovido pelas instâncias ordinárias. Logo, não se deve realizar o julgamento de recursos excepcionais (aí incluído o próprio recurso especial) antes do que vier a ser decidido pela Suprema Corte na repercussão geral sob seu encargo. Por outro lado, tanto o STF quanto este STJ possuem entendimento tranquilo de que incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repercussão geral ou repetitivo. Daí a compreensão pela necessidade do cumprimento da norma inserta no art. 1.040 do CPC, ou seja, do rejulgamento por órgão fracionário competente do recurso direcionado à Corte de origem (apelação, agravo de instrumento), se o acórdão estiver em confronto com o posicionamento consolidado em Corte Superior; ou a negativa de seguimento de recurso extraordinário/especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o precedente firmado. ANTE O EXPOSTO, (i) reconsidero a decisão de fls. 201/203, tornando-a sem efeito; e (ii) julgo prejudicada a análise do recurso, determinando a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido pela Excelsa Corte no referido Tema 1.349. Publique-se. EMENTA