AREsp 2856765 - DECISAO
Em razão do reconhecimento de repercussão geral sobre a matéria (Tema 1.349/STF) e dos objetivos da Lei 11.672/2008 de permitir o juízo de retratação, os embargos foram acolhidos para reconsiderar a decisão anterior, declarar prejudicados os recursos e devolver os autos ao tribunal de origem para que, após...
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- Parties
- Embargante: Distrito Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão
- Outcome
- Acolhimento dos embargos de declaração para reconsiderar a decisão embargada, tornando-a sem efeito; julgar prejudicados os recursos interpostos; determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem.
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Afetação, Juízo De Retratação, Incidência Da Taxa SELIC, Correção Monetária, Coisa Julgada
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Parties
Distrito Federal
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão
Legal Issues
- 1 incidência da taxa SELIC sobre o valor consolidado da dívida
- 2 suspensão/afetação do feito em razão de repercussão geral (Tema 1.349/STF)
- 3 possibilidade de juízo de retratação pelo tribunal de origem nos termos dos arts. 543-B e 543-C do CPC
Ratio Decidendi
Em razão do reconhecimento de repercussão geral sobre a matéria (Tema 1.349/STF) e dos objetivos da Lei 11.672/2008 de permitir o juízo de retratação, os embargos foram acolhidos para reconsiderar a decisão anterior, declarar prejudicados os recursos e devolver os autos ao tribunal de origem para que, após publicação do acórdão representativo, negue seguimento ao recurso caso coincida com a orientação ou proceda ao juízo de retratação se divergir, nos termos dos arts. 543-B, §3º, e 543-C, §§7º e 8º do CPC e 1.040 e seguintes do CPC/2015.
Court Disposition
Acolhimento dos embargos de declaração para reconsiderar a decisão embargada, tornando-a sem efeito; julgar prejudicados os recursos interpostos; determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem.
Orders
- Reconsiderar a decisão embargada e torná-la sem efeito.
- Julgar prejudicados os recursos interpostos.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Distrito Federal, contra a decisão de fls. 339-341, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. Inconformada, a parte embargante sustenta que a matéria controvertida será submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 1.349 de Repercussão Geral, em que se discute à luz do artigo 3º da Emenda Constitucional nº 113/2021 se a metodologia de atualização dos débitos contra a Fazenda Pública, com a incidência da taxa SELIC, deve ou não abranger o valor consolidado da dívida (principal corrigido acrescido de juros). Não houve impugnação. É o relatório. Decido. Com efeito, na linha da jurisprudência do STJ, "antes da verificação da presença de óbices à admissibilidade do recurso especial, deve ser realizada a verificação da existência ou não de pendência: afetação para julgamento repetitivo; repercussão geral reconhecida sobre a matéria, incidente de resolução de demandas repetitivas ou outro incidente de uniformização de jurisprudência" (STJ, AgInt nos EDv nos EAg 1.409.814/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, DJe de 09/12/2019). Depreende-se dos autos, que, na origem, o Distrito Federal interpôs agravo de instrumento, na qual sustenta que: a) o feito de origem deve ser sobrestado até o julgamento definitivo do tema de repercussão geral n. 1.169 do STJ tendo em vista a necessidade de liquidação prévia da sentença coletiva; b) necessária a suspensão do feito uma vez que a aplicação da TR fixada em decisão transitada em julgado é objeto do Tema de Repercussão Geral nº 1170; e c) que a r. decisão agravada merece reforma, também, quanto à base de cálculo para incidência da SELIC a partir de 09/12/21. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios negou provimento ao agravo de instrumento, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. SUSPENSÃO DO FEITO. TEMA REPETITIVO 1.169. 1.170. INAPLICABILIDADE. ALTERAÇÃO DE ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETARIA FIXADO. DÉBITO NÃO TRIBUTÁRIO DA FAZENDA PÚBLICA. POSSIBILIDADE. NÃO OFENSA A COISA JULGADA. 1. Não havendo no recurso interposto qualquer discussão a respeito da necessidade de liquidação prévia como pressuposto para o ajuizamento do cumprimento de sentença, verifica-se a ausência de submissão do feito à determinação de suspensão processual determinada pelo Superior Tribunal de Justiça pela decisão de afetação do REsp 1.978.629/RJ, Tema Repetitivo 1.169. 2. Conforme o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento de recurso paradigma da repercussão geral (Recurso Extraordinário nº 870.947/SE, Relator Ministro. Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgamento em 20/09/2017 - Tema 810), é inconstitucional o artigo 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança. 3. Não viola a coisa julgada a substituição de índice fixado por norma declarada inconstitucional pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, mesmo quando fixado em sentença irrecorrível. Exegese do art. 535, § 5º do CPC. 5. Precedentes do C. STJ, que admitem a substituição da TR pelo IPCA-E nas condenações da fazenda pública, mesmo após o trânsito em julgado da decisão em que fixado. 6. Tendo em vista que a SELIC é índice composto (que serve como indexador de correção monetária e também de juros moratórios), a partir da data em que inicia sua incidência, passa a ser vedada a aplicação de outros índices de juros e de atualização monetária, por configurar bis in idem. 7. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No recurso especial, a parte recorrente aponta violação dos arts. 402 do Código Civil; 5º da Lei n. 11.960/2009; 4º do Decreto 22.626/33; e 1º-F da Lei n. 9.494/97, bem como contrariou a jurisprudência firmada em sede de repetitivo desta Corte, por ocasião do julgamento dos Temas n. 99 e 491, visto que não é possível a correção capitalizada pela SELIC, na medida que essa engloba correção monetária e juros de mora, sendo indevido a aplicação cumulativa de outros índices, sob pena de bis in idem. Após decisum que inadmitiu o recurso especial, foi interposto o presente agravo em recurso especial. Com efeito, a referida matéria teve repercussão geral reconhecida pelo STF, nos autos do RE n. 1.516.074/TO. A controvérsia a ser dirimida restou assim delimitada: "Tema n. 1.349/STF - Forma de incidência da Taxa SELIC, conforme previsto no art. 3º da EC nº 113/2021". Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual (Lei n. 11.672/2008), isto é, a criação de mecanismo que possibilite às instâncias de origem o juízo de retratação na forma do art. 543-C, § 7º, e 543-B, § 3º, do CPC e 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, NO QUAL SE DISCUTE QUESTÃO IDÊNTICA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE SE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. .. 4. Além disso, em razão das modificações inseridas no Código de Processo Civil pelas Leis 11.418/2006 e 11.672/2008 (que incluíram os arts. 543-B e 543-C, respectivamente), não há óbice para que o Relator, levando em consideração razões de economia processual, aprecie o recurso especial apenas quando exaurida a competência das instâncias ordinárias. Nesse contexto, se há nos autos recurso extraordinário sobrestado em razão do reconhecimento de repercussão geral no âmbito do STF e/ou recurso especial cuja questão central esteja pendente de julgamento em recurso representativo da controvérsia no âmbito desta Corte (caso dos autos), é possível ao Relator determinar que o recurso especial seja apreciado apenas após exercido o juízo de retratação ou declarado prejudicado o recurso extraordinário, na forma do art. 543-B, § 3º, do CPC, e/ou após cumprido o disposto no art. 543-C, § 7º, do CPC. É oportuno registrar que providência similar é adotada no âmbito do Supremo Tribunal Federal. 5. Entendimento em sentido contrário para que a suspensão ocorra sempre no âmbito do Superior Tribunal de Justiça implica esvaziar um dos objetivos da Lei 11.672/2008, qual seja, "criar mecanismo que amenize o problema representado pelo excesso de demanda" deste Tribunal. Assim, deve ser "dada oportunidade de retratação aos Tribunais de origem, devendo ser retomado o trâmite do recurso, caso a decisão recorrida seja mantida", sendo que tal solução "inspira-se no procedimento previsto na Lei nº 11.418/06 que criou mecanismo simplificando o julgamento de recursos múltiplos, fundados em idêntica matéria, no Supremo Tribunal Federal", conforme constou expressamente das justificativas do respectivo Projeto de Lei (PL 1.213/2007). 6. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp 153.829/PI, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 23/5/2012.) Pelo exposto, acolho os embargos de declaração para reconsiderar a decisão embargada, tornando-a sem efeito, julgar prejudicados os recursos interpostos e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que, em observância aos arts. 543-B, § 3º, e 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC e 1.040 e seguintes do CPC/2015, e após a publicação do acórdão do respectivo recurso excepcional representativo da controvérsia: a) denegue seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pelos Tribunais Superiores; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema repetitivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA