AREsp 2502306 - DECISAO
Negou‑se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no Tema 181 do STF, por se tratar de questão relativa aos pressupostos de admissibilidade de recurso de competência de outro tribunal (matéria infraconstitucional), e nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, de modo que a alegação de ofensa ao art. 105, III...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
- Outcome
- Recurso extraordinário negado seguimento
- Legal Topics
- Repercussão Geral, Pressupostos De Admissibilidade, Tema 181 STF, Negativa De Seguimento
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
Legal Issues
- 1 Aplicação do Tema 181 do STF a recurso extraordinário que impugna não conhecimento de recurso anterior pelo STJ
- 2 Existência de repercussão geral como requisito de admissibilidade do recurso extraordinário
- 3 Alegação de ofensa ao art. 105, III da Constituição da República
Ratio Decidendi
Negou‑se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no Tema 181 do STF, por se tratar de questão relativa aos pressupostos de admissibilidade de recurso de competência de outro tribunal (matéria infraconstitucional), e nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, de modo que a alegação de ofensa ao art. 105, III da Constituição não autoriza o prosseguimento do recurso; registrou‑se também a impossibilidade de agravo contra a decisão de negativa de seguimento.
Court Disposition
Recurso extraordinário negado seguimento
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário, com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que manteve a decisão de conhecimento do agravo e não conhecimento do recurso especial, em razão do óbice da Súmula n. 7 do STJ. O julgado recorrido recebeu a seguinte ementa (fls. 388-389): DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRONÚNCIA POR HOMICÍDIO TENTADO. INDÍCIOS DE AUTORIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra a decisão que rejeitou embargos de declaração, mantendo a pronúncia do agravante pela prática do delito de homicídio qualificado tentado, conforme art. 121, § 2º, incisos II e IV, c/c o art. 14, inciso II, do Código Penal. 2. A parte agravante alega ausência de elementos probatórios suficientes para a pronúncia, destacando a falta de exame de corpo de delito e a fragilidade dos depoimentos testemunhais. II. Questão em discussão 3. A discussão consiste em saber se há indícios suficientes de autoria e materialidade para manter a pronúncia do agravante pelo crime de homicídio qualificado tentado. III. Razões de decidir 4. A decisão de pronúncia baseia-se em indícios suficientes de autoria, corroborados por depoimentos testemunhais e provas documentais, que apontam o agravante como autor do crime. 5. A materialidade do delito está demonstrada por boletim de ocorrência e relatório circunstanciado de local, além de depoimentos da vítima sobrevivente e testemunhas. 6. A revisão da decisão de pronúncia demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n. 7/STJ. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. A decisão de pronúncia deve ser mantida quando há indícios suficientes de autoria e materialidade, mesmo que não haja prova inequívoca. 2. A revisão de decisão de pronúncia que demanda revolvimento fático-probatório é vedada pela Súmula n. 7/STJ. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 121, § 2º, II e IV; art. 14, II; Código de Processo Penal, art. 415; art. 158. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 2.091.647, Sexta Turma, rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 26/09/2023; STJ, AgRg no AREsp n. 2.602.876/DF, Sexta Turma, rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 17/09/2024; STJ, AgRg no AgRg no AREsp n. 2.372.058/BA, Quinta Turma, rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/10/2024. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 410-416). A parte recorrente alega que a discussão proposta no recurso extraordinário possui repercussão geral e que há contrariedade, no acórdão recorrido, ao art. 105, III, da Constituição Federal. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso. É o relatório. 2. Nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não possui repercussão geral. Quando o STJ não analisar o mérito do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 3. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.