EREsp 1697617 - DECISAO
Reconsiderada a decisão agravada, concluiu-se que o acórdão recorrido continha fundamentação compatível com a tese fixada pelo STF no Tema 339, tornando inviável o exame do mérito político-constitucional pretendido; além disso, a controvérsia relativa ao não conhecimento de recurso anterior pelo STJ é de natureza...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: AB COMERCIO DE INSUMOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Extraordinário / Decisão De Admissibilidade/negativa De Seguimento
- Outcome
- Agravo interno a que se nega provimento; recurso extraordinário teve o seguimento negado e não foi admitido.
- Legal Topics
- Repercussão Geral (tema 339 E Tema 181 Do Stf), Fundamentação Das Decisões (art. 93, IX, Crfb), Cláusula De Reserva De Plenário (art. 97, Pressupostos De Admissibilidade (art. 1.030 Do Cpc), Coisa Julgada (art. 5º, XXXVI
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Parties
AB COMERCIO DE INSUMOS LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Extraordinário / Decisão De Admissibilidade/negativa De Seguimento
Legal Issues
- 1 Suficiência da fundamentação do acórdão recorrido à luz do art. 93, IX, CRFB e do Tema 339 do STF
- 2 Aplicabilidade do Tema 181 do STF quanto à repercussão geral quando o STJ não conheceu de recurso anterior
- 3 Possível violação da cláusula de reserva de plenário (art. 97, CRFB) por interpretação de norma infraconstitucional
Ratio Decidendi
Reconsiderada a decisão agravada, concluiu-se que o acórdão recorrido continha fundamentação compatível com a tese fixada pelo STF no Tema 339, tornando inviável o exame do mérito político-constitucional pretendido; além disso, a controvérsia relativa ao não conhecimento de recurso anterior pelo STJ é de natureza infraconstitucional conforme o Tema 181 do STF e, portanto, não tem repercussão geral, o que autoriza a negativa de seguimento do recurso extraordinário (art. 1.030, I, a, CPC); por fim, eventual ofensa à cláusula de reserva de plenário decorrente de interpretação de norma infraconstitucional seria reflexa e não admite o recurso extraordinário, de modo que as demais alegações...
Court Disposition
Agravo interno a que se nega provimento; recurso extraordinário teve o seguimento negado e não foi admitido.
Orders
- Reconsidera-se a decisão agravada.
- Nega-se seguimento ao recurso extraordinário quanto à alegada ofensa aos arts. 5º, XXXVI, e 93, IX, da Constituição Federal (art. 1.030, I, a, do CPC).
Full Case Text
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DECISÃO 1. Trata-se de agravo interno interposto por AB COMERCIO DE INSUMOS LTDA. contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário assim ementada (fl. 1.494): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante reitera as alegações de existência de repercussão geral da matéria debatida e de ocorrência da afronta aos arts. 5º, XXXVI, 93, IX, e 97 da Constituição Federal, bem como sustenta que os Temas n. 181 e 339 do STF não seriam aplicáveis no caso dos autos. Afirma que (fl. 1.506): Ainda que o agravo subjacente ao Tema n. 339 tenha sido julgado anteriormente à vigência do CPC de 2015, o significado de "decisão fundamentada" não pode ser compreendido senão à luz do disposto no art. 489, em especial no §10º do CPC. A fundamentação deve ser concreta, específica e dialogada. Em particular, não se considera fundamentada decisão que não enfrente os argumentos deduzidos no processo capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Sustenta, ainda, que (fl. 1.507): Ao contrário do que se afirmou na decisão agravada, o Recurso Extraordinário interposto por AB não se "direciona ao não conhecimento do recurso anterior". Ao contrário: o Recurso Extraordinário veicula questão constitucional dotada de repercussão geral. Nomeadamente, questiona a recusa de aplicação de norma jurídica sem observância da cláusula de reserva de plenário, em violação à regra do art. 97 da CRFB. Questiona, também, a ausência de fundamentação do acórdão recorrido, nos termos do art. 93, IX da CRFB, e a violação à regra constitucional de proteção da coisa julgada, nos termos do art. 5º, caput, e XXXVI da CRFB. Ratifica as razões da insurgência dirigida à Suprema Corte e reafirma que o colegiado da Primeira Seção deste Tribunal Superior teria violado a cláusula de reserva de plenário, insculpida no art. 97 da Constituição Federal, "na medida em que .. só poderia afastar a aplicação do art. 485, V e §3º do CPC na hipótese de declaração incidental de inconstitucionalidade, o que não houve - e nem poderia, já que se trata de decisão de órgão fracionário" (fl. 1.508). Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido e remetido ao Supremo Tribunal Federal. Não foram apresentadas contrarrazões tempestivas (fl. 1.520). É o relatório. 2. Verifica-se que a tese recursal referente à suposta violação do art. 97 da Constituição Federal não foi apreciada na decisão impugnada, motivo pelo qual reconsidero a decisão agravada e, consequentemente, realizo novo juízo de admissibilidade do recurso extraordinário. 3. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do julgado recorrido, que não conheceu de recurso dirigido a esta Corte Superior. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido pela parte recorrente, relacionado às questões de mérito submetidas ao STJ. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguim ento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 4. No tocante à suposta ofensa ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 5. Por fim, a parte recorrente alega que o julgado objeto do recurso extraordinário, ao manter a decisão que não conheceu do recurso especial, teria afastado a aplicação do art. 485, V e §3º, do Código de Processo Civil sem observância da cláusula de reserva de plenário. Desse modo, a análise da alegada contrariedade ao art. 97 da Constituição da República depende da legislação federal mencionada, motivo pelo qual eventual afronta à cláusula de reserva de plenário, se houvesse, seria meramente reflexa, o que não legitima a interposição do recurso. Nesse sentido (destaque acrescido): AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. FUNDEF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. RETENÇÃO. VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. OFENSA AO ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INOCORRÊNCIA. LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. PRECEDENTES. 1. A mera interpretação de legislação infraconstitucional, sem negativa de vigência a qualquer diploma normativo, não tem o condão de representar ofensa à cláusula de reserva de plenário. 2. O recurso extraordinário é instrumento de impugnação de decisão judicial inadequado para a análise de matéria infraconstitucional. Precedentes: ARE 1.237.888-AgR, Tribunal Pleno, DJe de 03/03/2020; ARE 1.210.759-AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 05/09/2019; ARE 1.110.829-AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 25/09/2018. .. (ARE n. 1.369.066-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 16/5/2022, DJe de15/9/2022.) AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. FUNDAMENTAÇÃO A RESPEITO DA REPERCUSSÃO GERAL. INSUFICIÊNCIA. VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. INEXISTÊNCIA. OFENSA CONSTITUCIONAL REFLEXA. REAPRECIAÇÃO DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 279 DO STF. .. 3. Não há violação à cláusula de reserva de Plenário quando o Tribunal de origem se limita a interpretar a legislação infraconstitucional pertinente. 4. Tendo o acórdão recorrido solucionado as questões a si postas com base em preceitos de ordem infraconstitucional, não há espaço para a admissão do recurso extraordinário, que supõe matéria constitucional prequestionada explicitamente. 5. A argumentação do recurso extraordinário traz versão dos fatos diversa da exposta no acórdão, de modo que seu acolhimento passa necessariamente pela revisão das provas. Incide, portanto, o óbice da Súmula 279 desta Corte (Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário). 6. Petição 6.320/2019 indeferida. Agravo Interno a que se nega provimento. (ARE n. 1.175.859-AgR, relator Ministro Alexandre de Moraes, Primeira Turma, julgado em 1º/3/2019, DJe de 15/3/2019.) 6. Ante o exposto, reconsidero a decisão agravada e, em novo juízo de admissibilidade, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário, em relação à suscitada ofensa aos arts. 5º, XXXVI, e 93, IX, da Constituição Federal, e, quanto às demais alegações, com fundamento no art. 1.030 , V, do Código de Processo Civil, não admito o recurso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO INTERNO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECONSIDERAÇÃO. NOVO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RECURSO INADMITIDO.