AREsp 2500409 - DECISAO
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial: a alegação de ofensa ao art. 42 do CDC sofre o óbice da Súmula 284/STF por deficiência de fundamentação; a pretensão recursal quanto à invalidade do contrato e à inexistência de dano moral exigiria revolvimento do acervo fático-probatório, incindindo as Súmulas 5...
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- Parties
- Agravante: SABEMI SEGURADORA SA; Recorrido: parte Recorrida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Repetição De Indébito, Dano Moral, Fraude Contratual, Ônus Da Prova, Súmulas Do STJ E STF, Divergência Jurisprudencial, Não Conhecimento De Recurso Especial
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Parties
SABEMI SEGURADORA SA
Agravante
parte Recorrida
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Ofensa ao art. 42 do CDC quanto à restituição em dobro
- 2 Existência de dano moral e aplicação do art. 186 do CC
- 3 Incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ quanto ao reexame de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial: a alegação de ofensa ao art. 42 do CDC sofre o óbice da Súmula 284/STF por deficiência de fundamentação; a pretensão recursal quanto à invalidade do contrato e à inexistência de dano moral exigiria revolvimento do acervo fático-probatório, incindindo as Súmulas 5 e 7 do STJ; não foi comprovada divergência jurisprudencial nos termos dos arts. 1.029, §1º do CPC e 255 do RISTJ; por fim, foi majorado o honorário advocatício em 15% nos termos do art. 85, §11 do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11 do CPC, observados os limites legais aplicáveis.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por SABEMI SEGURADORA SA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA D E INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E DANOS MORAIS. DESCONTOS INDEVIDOS NO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DO AUTOR. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO CONTRATUAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA QUE NÃO SE DESINCUMBIU DE COMPROVAR A ORIGEM DO CONTRATO. PROVA PERICIAL QUE ATESTA A FALSIDADE DA ASSINATURA. DANO MORAL CONFIGURADO. VALOR INDENIZATÓRIO MANTIDO EM R$ 4.000,00 (QUATRO MIL REAIS). PRECEDENTES DESTA CORTE DE JUSTIÇA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 42 do CDC, no que concerne à indevida determinação de restituição em dobro, eis que não caracterizado o engano injustificável, visto que a cobrança foi baseada em contrato assinado cuja validade ainda não havia sido desconstituída, trazendo a seguinte argumentação: 25. Conforme acima apontado restou decidido nos presentes autos, que comprovada a fraude contratual, mesmo existindo prova da contratação, resta configurada a ausência de engano injustificável, portanto devido a devolução em dobro dos valores. .. 30. No presente caso, apesar de ter havido descontos reconhecidos como indevidos realizados na conta da parte Recorrida, elas foram baseadas em contrato cuja validade ainda não havia sido desconstituída. 31. Nessas circunstâncias, não se mostra caracterizada, conduta contrária à boa-fé objetiva por parte do fornecedor, que pudesse justificar a restituição dos valores em dobro, já que a existência de contrato assinado, comporta quesito de engano justificável. 32. Sendo assim, busca a correta interpretação do art. 42 do CPC para que integre no conceito de engano justificável a existência de contrato que justifique a cobrança, sendo o acórdão reformado para afastar a devolução em dobro (fls. 382-384). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 186 do CC, no que concerne à inexistência de danos morais, porquanto a cobrança realizada pela recorrente estava amparada em contrato firmado entre as partes e não há comprovação de danos sofridos, trazendo a seguinte argumentação: 33. No que tange a aplicação do dano moral, o acórdão recorrido entendeu que o fato da Recorrente ter realizado cobranças, por si só configura violação aos direitos da personalidade, sem necessidade de comprovação do dano. 34. Aponta-se que cobrança no valor aproximado de R$ 30,00 da parte Autora realizada ao longo dos anos, sem qualquer reclamação administrativa, representou a aplicação de R$ 4.000,00 de dano moral. 35. Aponta-se que não se busca com o presente recurso a rediscussão dos fatos, nem análise de provas e sim se uma cobrança ínfima, sem reclamação administrativa é capaz de configurar dano moral. .. 37. Assim, requer pelo conhecimento e provimento do presente recurso para que seja afastado o dano moral arbitrado, já que a cobrança estava amparada em contrato considerado válido pela Recorrente e não houve comprovação de danos sofridos (fls. 384-385). Quanto à terceira controvérsia, verifica-se que a parte também fundamenta seu recurso na alínea "c" do permissivo constitucional. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo do dispositivo apontado como violado para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/03/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, relator para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30/10/2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/5/2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17/9/2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27/3/2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18/12/2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/03/2021. Ademais, decidiu o acórdão recorrido: De fato, considerando que, na decisão colegiada, concluiu-se que houve falha na prestação do serviço pela instituição financeira requerida, sendo ilegítima a contratação, e que deveria ser declarado inexistente o contrato , forçoso reconhecer que houve a sub judice aplicação do parágrafo único do art. 42 do CDC, segundo o qual o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito. A decisão foi devida e fundamentadamente enfrentada pelo Colegiado, conforme se avista abaixo: "A instituição financeira demandada defende a legalidade da contratação referente ao contrato, asseverando que foram observadas todas as formalidades legais bem como que seria impossível se constatar a falsidade da assinatura. Entretanto, ao promover a juntada do suposto contrato de empréstimo que teria dado ensejo aos descontos ora impugnados, o autor insistiu na negativa da contratação, afirmando que a assinatura ali constante não era sua, o que levou à realização de perícia judicial, na qual, em um primeiro momento, atestou a validade do contrato. No entanto, ainda não conformado com referida conclusão, o autor impugnou veementemente o resultado e pleiteou realização de novo exame técnico, no qual se constatou a fraude contratual, consoante se infere do laudo juntado em 31/12/2021e a respeito do qual não houve impugnação pela parte contrária. Desta feita, em que pese o esforço argumentativo do apelante, o mesmo não se desincumbiu do seu ônus probandi, nos termos do art. 373, II do CPC. Assim, entendo nas mesmas razões alinhadas pelo juízo processante de que houve falha na prestação do serviço pela instituição financeira requerida, sendo ilegítima a contratação, devendo, portanto, ser declarado inexistente o contrato sub judice. (fls. 368-369). Assim, incidem os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, uma vez que a pretensão recursal demanda reexame de cláusulas contratuais e reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Portanto, "a pretensão de alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, o que é inviável em sede de recurso especial, conforme dispõem as Súmulas 5 e 7, ambas do STJ". (AgInt no AREsp 1.227.134/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 9/10/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.716.876/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 3/10/2019; AgInt no AREsp 1.165.518/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4/10/2019; AgInt no AREsp 481.971/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 25/9/2019; AgInt no REsp 1.815.585/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 23/9/2019; e AgInt no AREsp 1.480.197/MG, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 25/9/2019. Quanto à segunda controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Passo à análise quanto a existência ou não dos danos morais. Com efeito, sabe-se da ilegalidade dos descontos no benefício previdenciário do consumidor em razão de contratação ilegítima. Registre-se que, no caso, sequer houve qualquer proveito econômico ao consumidor, mas, pelo contrário, ficou privado de parcela de seu já parco benefício previdenciário, à título de suposto contrato de seguro, ao qual, como visto, não aderiu. Portanto, entendo configurado o dano moral. Assim, evidente que a atitude da instituição financeira ensejou abalos imateriais para o autor que teve descontado do seu benefício previdenciário parcela de um serviço que não contratou. Patente, portanto, a configuração dos danos morais, sobretudo em se tratando de pessoa idosa, que necessitou demandar em juízo a fim de ver cessados os aludidos descontos (fls. 338-339). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem Quanto à presença ou não dos elementos que configuram o dano moral indenizável exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Confiram-se os seguintes julgados: AgRg no REsp 1.365.794/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 9/12/2013; AgInt no AREsp 1.534.079/ES, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.341.969/DF, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 26/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.658/PB, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 18/8/2020; e AgInt no AREsp 1.528.011/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2020. Quanto à terceira controvérsia, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA