AREsp 2668798 - DECISAO
O Tribunal reconheceu omissão do tribunal de origem quanto à alegação de nulidade do contrato (assinatura a rogo), configurando ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015; por isso, conhecido o agravo e dado provimento ao recurso especial para determinar novo julgamento dos embargos de declaração pelo tribunal de origem, que...
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- Parties
- Agravante: Gerardo Carneiro de Albuquerque
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo Prévio De Admissibilidade
- Outcome
- Agravo conhecido e provido para dar provimento ao recurso especial, reconhecida a violação do art. 1.022 do CPC/2015, e determinado novo julgamento dos embargos de declaração pelo tribunal de origem.
- Legal Topics
- Repetição De Indébito, Danos Morais, Empréstimo Consignado, Nulidade Contratual, Embargos De Declaração, Presunção De Boa Fé, Litigância De Má Fé, Negativa De Prestação Jurisdicional
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Parties
Gerardo Carneiro de Albuquerque
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo Prévio De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 negativa de prestação jurisdicional por omissão quanto à nulidade do contrato
- 2 nulidade do contrato por falta de assinatura a rogo em contrato de pessoa analfabeta
- 3 aplicação da Súmula 7/STJ pelo tribunal de origem
Ratio Decidendi
O Tribunal reconheceu omissão do tribunal de origem quanto à alegação de nulidade do contrato (assinatura a rogo), configurando ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015; por isso, conhecido o agravo e dado provimento ao recurso especial para determinar novo julgamento dos embargos de declaração pelo tribunal de origem, que deverá pronunciar‑se sobre a questão submetida pela parte embargante.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido para dar provimento ao recurso especial, reconhecida a violação do art. 1.022 do CPC/2015, e determinado novo julgamento dos embargos de declaração pelo tribunal de origem.
Orders
- Determinar ao tribunal de origem que realize novo julgamento dos embargos de declaração e se pronuncie sobre a nulidade do contrato, conforme entender de direito.
- Ficar as partes cientificadas de que a apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão ensejará a imposição das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por Gerardo Carneiro de Albuquerque contra a decisão de fls. 251-254 (e-STJ), proferida em juízo prévio de admissibilidade, na qual foi negado seguimento ao recurso especial. O recurso especial foi deduzido em desafio aos acórdãos de fls. 180-201 e 216-230 (e-STJ), prolatados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, assim ementados: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO E DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. ALEGAÇÃO DE NÃO CONTRATAÇÃO. VALIDADE DO CONTRATO. ANUÊNCIA DO CONSUMIDOR NA CONTRATAÇÃO. AUSÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. RETIRADA DE MA - FÉ. PROVIMENTO PARCIAL. I. Compulsando os autos, verifico que embora o Apelante defenda a ilegalidade do empréstimo consignado realizado junto ao Banco, restou comprovado o autor aderiu ao empréstimo, vez que consta nos autos contrato devidamente assinado a rogo, documentos pessoais e extrato demostrando que a quantia fora revestida para a conta do Apelante. II. Em verdade, a Recorrente anuiu aos termos apresentados para a autorização do desconto em folha de pagamento, fazendo eclodir a presunção juris tantum de que teve ciência de todo o conteúdo constante do documento, a qual só deve ser afastada com a produção de prova em contrário, o que não ocorreu nos presentes autos. III. Com efeito, objetivamente não se trata de demanda em que a parte consumidora/apelante tenha sido vítima de fraude ou falha bancária (a exemplo do envio não solicitado de cartão de crédito), mas, sim, da livre e espontânea adesão a uma modalidade de contratação não vedada por qualquer norma, sendo respeitado o dever de informação e inexistente qualquer vício de consentimento, ônus de exclusiva responsabilidade da parte recorrente (STJ. 4ª Turma. AgRg no AR Esp .665.862/MG. Rel. Min. Raul Araújo. D Je de 16/09/2015), ao tempo em que se presume a legitimidade e boa-fé nos negócios jurídicos ("A presunção de boa-fé é princípio geral de direito universalmente aceito, sendo milenar a parêmia: a boa-fé se presume; a má-fé se prova" (STJ. Corte Especial. REsp 956.943/PR - Repetitivo, Rel. p/ acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, D Je de 1º/12/2014). IV. Quanto a multa por litigância de má-fé, alisando detidamente os autos, verifica-se que não há indícios que permitam aferir que os fatos foram distorcidos com o intuito de obter provimento jurisdicional que lhe conferisse vantagem indevida. Sendo certo que a caracterização da litigância de má-fé depende da comprovação do dolo da parte de alterar a verdade dos fatos, entendo que não pode ser penalizada por ter usufruído da garantia de acesso à Justiça V. Apelação conhecida e parcialmente provida apenas para retirar a condenação em litigância de má-fé. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JULGADA. AUSÊNCIA DOS VÍCIOS AUTORIZADOS DOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS CONHECIDOS E REJEITADOS. I - A legislação processual estabelece o rol das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração, sendo inviável sua oposição para rediscussão das matérias já apreciadas. II - Inexistindo os vícios alegados o manejo dos declaratórios se tornam incabíveis. III - Não há nenhum elemento do julgado recorrido a ser sanado através dos presentes aclaratórios, o Embargante apenas traz a rediscussão da matéria, demonstrando um mero inconformismo com o posicionamento adotado por este Relator, vez que contrário aos seus anseios. IV - Rediscussão de matéria. Impossibilidade. V - Advertência para as partes que, em havendo estratagema para com um segundo recurso de embargos de declaração, este será recebido com o efeito cominatório do art. 1.026 do NCPC. VI - Embargos de declaração conhecidos e rejeitados. Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 231-239), apontou o insurgente a existência de violação dos arts. 1.022, II, do CPC/2015; e 166, IV e V, e 595 do CCB. Sustentou, em síntese: i) ocorrência de negativa de prestação jurisdicional; e ii) nulidade do contrato por falta de assinatura a rogo. Contrarrazões às fls. 245-249 (e-STJ). A Corte de origem deixou de admitir o recurso ao argumento de incidência da Súmula 7/STJ. Daí o presente agravo, no qual o insurgente contesta a aplicação do óbice. Contraminuta às fls. 264-274 (e-STJ). Brevemente relatado, decido. Primeiramente, tratou o recurso sobre a ocorrência de negativa de prestação jurisdicional. Defendeu o recorrente que o Tribunal de origem foi omisso sobre o argumento de que o contrato de empréstimo consignado firmado com pessoa analfabeta é nulo se não conter a assinatura a rogo e de mais duas testemunhas e que no caso faltou a assinatura a rogo . Observa-se que, de fato, a Corte local não se manifestou sobre tal argumento e, embora o recorrente tenha provocado o Tribunal estadual através dos aclaratórios (e-STJ, fls. 202-208), este permaneceu silente, conforme se nota da ementa acima colacionada. Com efeito, inarredável a conclusão de ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, haja vista que, independentemente do acerto ou não da tese invocada, ela deveria ter sido objeto de análise pela Corte de origem. Saliente-se, oportunamente, que o direito ao provimento jurisdicional claro, coerente e congruente é corolário do devido processo legal, contido no inciso LIV do art. 5º da Constituição Federal. É, portanto, elemento do núcleo intangível da ordem constitucional brasileira, a que o julgador deve integral obediência. A análise da tese de nulidade do contrato se mostra prejudicada diante da necessidade de novo pronunciamento sobre os embargos de declaração. Ante o exposto, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de, reconhecida a violação do art. 1.022 do CPC/2015, determinar ao tribunal de origem que realize novo julgamento dos embargos de declaração, devendo se pronunciar, como entender de direito, sobre a relevante questão que lhe foi submetida pela parte embargante. Fiquem as partes cientificadas de que a apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO E DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL VERIFICADA. NULIDADE DO CONTRATO. ANÁLISE PREJUDICADA. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PRO VIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.