REsp 2168288 - DECISAO
Conhecer e dar provimento ao recurso com fundamento no entendimento consolidado do STJ de que incide, exclusivamente, a Taxa SELIC na atualização do indébito tributário a partir do recolhimento indevido, aplicando-se igualmente aos tributos estaduais quando há previsão em lei estadual autorizadora; assim,...
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- Parties
- Recorrente: PIRACICABANA INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Provimento Ao Recurso
- Outcome
- Recurso conhecido e provido
- Legal Topics
- Repetição De Indébito, ICMS, Taxa SELIC, Juros De Mora, Honorários Advocatícios
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Parties
PIRACICABANA INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Provimento Ao Recurso
Legal Issues
- 1 Incidência da Taxa SELIC na atualização do indébito tributário a partir do recolhimento indevido
- 2 Aplicabilidade da Selic aos tributos estaduais quando haja previsão em lei estadual autorizadora
- 3 Competência do Relator para decisão monocrática segundo art. 932 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Conhecer e dar provimento ao recurso com fundamento no entendimento consolidado do STJ de que incide, exclusivamente, a Taxa SELIC na atualização do indébito tributário a partir do recolhimento indevido, aplicando-se igualmente aos tributos estaduais quando há previsão em lei estadual autorizadora; assim, reformou-se o acórdão recorrido para declarar a legitimidade da incidência exclusiva da Selic a partir do recolhimento indevido do tributo questionado.
Court Disposition
Recurso conhecido e provido
Orders
- Reformar o acórdão recorrido para declarar a legitimidade da incidência, exclusivamente, da Selic, na atualização do indébito, a partir do recolhimento indevido do tributo questionado.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por PIRACICABANA INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS LTDA. contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 608e): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MANDADO DE SEGURANÇA ICMS V. acórdão que negou provimento aos recursos de apelação e manteve a r. sentença de parcial concessão da segurança Reconhecido o direito da impetrante à restituição dos valores de ICMS pagos a maior em relação às operações nas quais o preço efetivamente praticado tenha sido inferior àquele presumido pelo Fisco, afastando-se a restrição do artigo 66-B, § 3.º, da Lei Estadual n.º 6.374/89, acrescido pela Lei Estadual n.º 13.249/13 Arguição de omissão no tocante ao pedido de incidência dos juros de mora e da correção monetária sobre as verbas a serem ressarcidas Ocorrência Embargos acolhidos para sanar a omissão apontada, integrando-se o v. aresto, com alteração do julgamento. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, a Recorrente aponta ofensa a dispositivos legais, alegando, em síntese: a incidência da Selic a partir do pagamento indevido. Com contrarrazões, o recurso foi admitido. Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". A Primeira Seção do STJ consolidou posicionamento segundo o qual, no âmbito federal, após a vigência da Lei 9.250/95, incide, exclusivamente, a Taxa SELIC, na atualização do indébito tributário a partir do recolhimento indevido. No caso de tributos estaduais, segue-se o mesmo entendimento, desde que haja previsão em lei estadual para adoção do índice estipulado para os tributos federais, como é o caso dos autos. (AgInt no AgInt no REsp n. 2.065.763/BA, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 16/10/2023). Na mesma linha: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO ESTADUAL. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A PARTIR DO RECOLHIMENTO INDEVIDO APÓS A VIGÊ CIA DA LEI ESTADUAL AUTORIZADORA. 1.Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2.A Primeira Seção do STJ, ao julgar os REsps 1.111.189/SP e 1.111.175/SP, mediante o rito dos recursos repetitivos, entendeu que, no âmbito federal, após a vigência da Lei 9.250/95 (lei que instituiu a Selic), os juros de mora nas ações de repetição de indébito tributário devem incidir a partir do recolhimento indevido. No caso de tributos estaduais, segue o mesmo entendimento, desde que haja previsão em lei estadual para adoção do índice estipulado para os tributos federais. Na espécie, há previsão na lei estadual paranaense (Lei 11.580/96) de aplicação da taxa Selic, devendo incidir sobre os indébitos tributários a partir da data de cada recolhimento indevido realizado após a vigência da lei estadual autorizadora. 3.Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.923.585/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 21/3/2022, DJe de 24/3/2022.) Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono d a parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Posto isso, com fundamento no art. 932, V, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL E DOU-LHE PROVIMENTO, para, reformando o acórdão recorrido, declarar a legitimidade da incidência, exclusivamente, da Selic, na atualização do indébito, a partir do recolhimento indevido do tributo questionado. Publique-se e intimem-se. EMENTA