REsp 1404563 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por encontrar óbice nas súmulas 83 do STJ e 280 do STF, estando a matéria limitada pela modulação dos efeitos da ADI 3.106/MG e pelas restrições à revisão de matéria fático-probatória e interpretação da lei estadual perante este Tribunal, motivo pelo qual o recurso é inadmissível.
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Repetição De Indébito, Contribuição Para Custeio De Serviços De Saúde, Correção Monetária (selic), Juros De Mora, Modulação De Efeitos Da Declaração De Inconstitucionalidade, Duplicidade De Recolhimento Por Exercício De Dois Cargos
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Parties
INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Obrigação de restituição de valores relativos à contribuição para custeio do serviço de saúde
- 2 Natureza jurídica da contribuição instituída pelo art. 85 da Lei Complementar n. 64/2002 (MG)
- 3 Índices de correção monetária e juros de mora aplicáveis aos indébitos
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por encontrar óbice nas súmulas 83 do STJ e 280 do STF, estando a matéria limitada pela modulação dos efeitos da ADI 3.106/MG e pelas restrições à revisão de matéria fático-probatória e interpretação da lei estadual perante este Tribunal, motivo pelo qual o recurso é inadmissível.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intime-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, no qual discute a obrigação de restituição de valores relacionados à contribuição para o custeio do serviço de saúde; a sua natureza jurídica; e as taxas de juros moratórios e índices de correção monetária a serem aplicados. Sem contrarrazões da parte recorrida, os autos retornaram ao órgão julgador para o exercício do juízo de conformação com teses firmadas em precedentes qualificados (temas 810 do STF e 905 do STJ), ocasião em que se determinou a taxa Selic como fator de correção monetária e juros de mora (fls. 315/320). É o relatório. Decido. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Em 14 de abril de 2010, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3.106/MG, o Supremo Tribunal Federal, com apoio no art. 149, § 1º, da Constituição Federal, decidiu ser inconstitucional a instituição de contribuições compulsórias pelo Estado para o custeio de serviços de saúde de servidores públicos, como assistência médica, hospitalar, odontológica, social e farmacêutica, devendo o benefício ser custeado mediante o pagamento de contribuição facultativa aos que se dispuserem a dele fruir. Nessa linha, julgou procedente o pedido, com a declaração de inconstitucionalidade da locução adverbial "compulsoriamente", constante dos §§ 4º e 5º do art. 85 da Lei Complementar n. 64/2002, do Estado de Minas Gerais. E, ao julgar os respectivos embargos de declaração, o STF modulou os efeitos de sua decisão para "conferir efeitos prospectivos (eficácia ex nunc) à declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento de mérito da presente ação direta, fixando como marco temporal de início da sua vigência a data de conclusão daquele julgamento (14 de abril de 2010) e reconhecendo a impossibilidade de repetição das contribuições recolhidas junto aos servidores públicos do Estado de Minas Gerais até a referida data". Deve-se destacar o fato de o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido a repercussão geral do tema e, ao julgar o RE 573.540/MG, também em 14 de abril de 2010, definiu ser "nítida a natureza tributária da contribuição instituída pelo art. 85 da Lei Complementar nº 64/2002, do Estado de Minas Gerais, haja vista a compulsoriedade de sua cobrança .. os Estados-membros podem instituir apenas contribuição que tenha por finalidade o custeio do regime de previdência de seus servidores. A expressão "regime previdenciário" não abrange a prestação de serviços médicos, hospitalares, odontológicos e farmacêuticos". Posteriormente, em 23 de novembro de 2016, por ocasião do julgamento do REsp n. 1.348.679/MG, repetitivo, a Primeira Seção deste Tribunal Superior, ao analisar o tema 588 e à luz da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na ADI 3.106/MG, definiu tese a respeito contribuição para custeio de serviço de saúde aos servidores públicos do Estado de Minas Gerais, segundo a qual deve ser afastada a imposição irrestrita da repetição de indébito, a qual fica restrita aos períodos em que não houve manifestação de vontade do servidor. Na ocasião, a Primeira Seção, atentando-se para a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade na ADI 3.106/MG, firmou sua orientação no sentido de que "até 14 de abril de 2010 a cobrança pelos serviços de saúde é legítima pelo IPSEMG com base na lei estadual"; e destacou que "a constatação da formação da relação jurídico-contratual entre o servidor e o Estado de Minas Gerais é tarefa das instâncias ordinárias, já que necessário interpretar a legislação estadual (Súmula 280 do STF) e analisar o contexto fático-probatório dos autos (Súmula 7 do STJ)". Não obstante, é importante destacar a distinção dessa situação daquela em que a contribuição para a assistência à saúde foi recolhida em duplicidade, em razão do exercício de dois cargos pelo servidor do Estado de Minas Gerais. A respeito da última, o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais tem decidido pela inconstitucionalidade da lei estadual e pela necessidade de devolução do que foi recolhido a mais, o que evidencia o não cabimento do recurso especial para a revisão do entendimento, à luz da súmula 280 do STF e do art. 105, inc. III, da Constituição Federal. Na linha desses entendimentos, portanto, este Tribunal Superior tem reconhecido: a) a possibilidade de repetição de indébito das referidas contribuições, desde que recolhidas, de forma compulsória, após a data do julgamento da ADI 3.106/MG (v.g.: AgInt no REsp n. 2.115.867/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024; AgInt no REsp n. 1.966.273/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/6/2022, DJe de 23/6/2022); b) a natureza tributária e a aplicação dos índices de correção e taxas de juros aplicadas aos indébitos tributários (v.g.: AgInt no REsp n. 2.168.436/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 24/2/2025; REsp n. 1.041.268/MG, relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2008, DJe de 15/5/2008); e c) o cálculo dos juros de mora conforme a legislação do ente tributante, a qual pode determinar a taxa Selic como fator único de correção monetária a partir do recolhimento indevido, na hipótese em que adotada como índice de atualização do crédito tributário cobrado em atraso (v.g.: AgInt no REsp n. 1.940.005/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 14/3/2022, DJe de 22/3/2022). No caso dos autos, o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais analisou a situação em que houve o recolhimento da contribuição em duplicidade; e determinou a aplicação dos índices de correção e da taxa de juros aplicáveis aos indébitos tributários, em conformidade com tese definida em precedente qualificado. Nesse contexto, o conhecimento do recurso encontra óbice nas súmulas 83 do STJ e 280 do STF. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intime-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. RECURSO NÃO CONHECIDO.