AREsp 2714226 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo do INSS porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão (afastando omissão) e, com base no conjunto probatório e na jurisprudência (Tema 979/STJ), limitou em 10% os descontos no caso concreto, preservando a possibilidade de cobrança somente dos valores não prescritos...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Recorrida: autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 November 2024
- Procedural Posture
- Previdenciário / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo manejado pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.
- Legal Topics
- Repetição De Indébito Previdenciário, Descontos Em Benefício (art.115, II, Lei 8.213/91), Prescrição Quinquenal (decreto 20.910/32), Improbidade E Imprescritibilidade (tema 897 Stf), Boa Fé Do Beneficiário (tema 979 Stj), Modulação De Efeitos, Súmula 473 STF, Súmula 7 STJ
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
autora
Recorrida
Procedural Posture
Previdenciário / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de recurso especial
- 2 Possibilidade de cobrança e limite de desconto sobre benefício previdenciário (art.115, II, Lei 8.213/91)
- 3 Aplicação dos temas repetitivos do STJ (Tema 979) e do STF (Tema 897)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo do INSS porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão (afastando omissão) e, com base no conjunto probatório e na jurisprudência (Tema 979/STJ), limitou em 10% os descontos no caso concreto, preservando a possibilidade de cobrança somente dos valores não prescritos (14/08/2013 a 30/09/2017) conforme a aplicação do Decreto 20.910/32 e da Lei 8.213/91; ademais, a reforma da decisão demandaria reexame de fatos e provas vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Nego provimento ao agravo manejado pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.
Orders
- Nego provimento ao agravo manejado pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado (fls. 655/656): PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO DO INSS. DESCONTOS REFERENTES ÀS PARCELAS RECEBIDAS INDEVIDAMENTE PELA PARTE SEGURADA POR CONSTATAÇÃO DE ERRO EM AUDITORIA. POSSIBILIDADE. ART. 115, II DA LEI 8.213/91. PRESCRITIBILIDADE DA COBRANÇA PELA AUTARQUIA DE PARTE DAS PARCELAS POR ISONOMIA DE APLICAÇÃO LEGAL DO DECRETO DECRETO 20.910/32. RECURSO DE APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDO. I. No que concerne à questão em análise, a mesma foi levada ao egrégio Superior Tribunal de Justiça através do R Esp 1381734/RN, que sujeito à sistemática de julgamentos repetitivos, foi afetado ao Tema 979 daquela Corte superior, tendo como questão submetida a julgamento, a possibilidade de "devolução ou não de valores recebidos de boa-fé, a título de benefício previdenciário, por força de interpretação errônea, má aplicação da lei ou erro da Administração da Previdência Social". Tendo o STJ, ao final, fixado a seguinte tese: Com relação aos pagamentos indevidos aos segurados decorrentes de erro administrativo (material ou operacional), não embasado em interpretação errônea ou equivocada da lei pela Administração, são repetíveis, sendo legítimo o desconto no percentual de até 30% (trinta por cento) de valor do benefício pago ao segurado/beneficiário, ressalvada a hipótese em que o segurado, diante do caso concreto, comprova sua boa-fé objetiva, sobretudo com demonstração de que não lhe era possível constatar o pagamento indevido. II. No julgamento do aludido Recurso Especial, O Exmo. relator ressaltou que a administração pública tem o dever- poder de rever seus próprios atos, quando houver vícios insanáveis, para anulá-los, pois deles - em tese - não se originam efeitos. "Assim, detectando erro do ato administrativo no pagamento dos benefícios, tem o dever de efetuar a correção de forma a suspender tal procedimento, respeitado o devido processo legal". Contudo, o relator ponderou que o beneficiário não pode ser penalizado pela interpretação errônea ou má aplicação da lei previdenciária ao receber valor além do devido, uma vez que também é dever-poder da administração bem interpretar a legislação. Acrescentou que a jurisprudência do STJ considera que é imprescindível, para a não devolução dos valores pagos indevidamente pela Previdência Social, além do caráter alimentar da verba e do princípio da irrepetibilidade do benefício, a presença da boa-fé objetiva daquele que recebe parcelas tidas por indevidas pela administração. Concluiu o relator, que diferentemente das hipóteses de interpretação errônea e má aplicação da lei, em que se pode concluir que o segurado recebeu o benefício de boa-fé, o que lhe assegura o direito de não devolvê-lo, as hipóteses de erro material ou operacional devem ser analisadas caso a caso, pois é preciso verificar se o beneficiário tinha condições de compreender que o valor não era devido e se seria possível exigir dele comportamento diverso, diante do seu dever de lealdade para com a administração previdenciária. III. Por fim, não se pode esquecer, de que é necessário salientar o respeito à modulação de seus efeitos, eis que, expressamente, também restou definido que, quanto à hipótese definida no representativo da controvérsia, "em respeito à segurança jurídica e considerando o inafastável interesse social que permeia a questão sub examine, e a repercussão do tema que se amolda a centenas de processos sobrestados no Judiciário. Desse modo somente deve atingir os processos que tenham sido distribuídos, na primeira instância, a partir da publicação deste acórdão" (Acórdão publicado no D Je de 23/4/2021). Não obstante o posicionamento explanado, verifica-se que a distribuição do presente feito se deu antes de 23/04/2021, e sendo este o caso, aplica- se à espécie, o posicionamento anteriormente adotado, qual seja, o de que, mesmo verificada a boa-fé do beneficiário poderá haver o desconto de até 30% no valor mensalmente recebido, na forma do art. 115 da Lei 8.213/91, considerando entretanto a interpretação trazida pelo STJ no sentido de que o rigor da norma deve ser flexibilizado de acordo com o caso concreto, sobretudo o aspecto humano e a capacidade de pagamento frente as suas necessidades básicas de autossustento. IV. No caso concreto, o magistrado de 1º grau assim decidiu na sentença recorrida: ".. Trata-se de ação ajuizada para tramitar sob o rito comum, na qual a parte autora objetiva que seja declarada a prescrição de dívida de 08/2008 a 09/2013, ou nulidade de todo o débito, com liberação do valor retido a título de atrasados no período de 03/2016 a 10/2017. Aduz a autora, em síntese, que vinha sofrendo desconto mensal sobre seus proventos, sob alegação de suposta dívida com o INSS após concessão de pensão por morte, ante a constatação de fruição de benefício assistencial. No mérito, observa-se que a parte autora fez prova da concessão de ambos os benefícios. O INSS, por sua vez, em contestação, em síntese alega a legalidade do montante devido, ante o recebimento irregular de benefício assistencial. De fato, notadamente encontra amparo legal a possibilidade de a Administração Pública rever e corrigir seus próprios atos de ofício. Neste sentido é a súmula 473 do STF. A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁ-LOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL. Em que pese o poder/dever da Administração de rever seus próprios atos, baseado na autotutela, tal poder não foge ao alcance dos princípios do contraditório e da ampla defesa. .. . Firmou-se o entendimento no sentido de ser incabível a restituição no caso de boa-fé do beneficiário, como no caso em tela. Uma vez requerido o benefício, não há qualquer evidência de ocultação de informação pela parte autora. Cabe ao INSS a verificação das condições para a concessão do benefício. Não se verifica qualquer fraude da parte autora para que se lhe impute o ônus pela omissão da autarquia previdenciária. .. . III - Dispositivo. Do exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, com fulcro no artigo 487, I, do CPC/2015, para declarar a nulidade do débito relativo ao recebimento de benefício assistencial NB 88/531.664.030-2, bem como para condenar o INSS a fazer cessar os descontos no atual benefício previdenciário da autora, NB 174.842.096-5, com restituição dos valores descontados. ..". V. Com base no que foi definitivamente decidido no Tema 897 de repercussão geral, pelo STF, há imprescritibilidade para o ressarcimento de danos decorrentes de ilícito penal ou improbidade administrativa, e mesmo nessa última hipótese, apenas para os atos dolosos de improbidade. E que "são imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário, fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa". Concluindo o magistrado de 1º grau, que no presente caso, que há ocorrência de fraude com enriquecimento ilícito, e ato típico de improbidade, sendo assim, imprescritível a reparação. Entretanto, não há nos autos, a juntada de sentença penal condenatória em face do autor, e sequer a comprovação de acusação formal de crime doloso pelo Ministério Público Federal em face da parte autora, o que, retira a materialização do caso concreto à tese fixada pelo aludido Tema, leia-se, a imprescritibilidade da cobrança. Materializada, portanto, a ausência de imprescritibilidade da cobrança, e a hipótese de contagem do prazo prescricional, resta o reconhecimento da incidência da regra geral de prescrição quinquenal contida no art. 1º do Decreto 20.910/32, segundo a qual, "as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem". O art. 103, parágrafo único, da Lei nº 8.213, também institui o prazo de cinco anos para os beneficiários da Previdência Social reclamarem em juízo as prestações vencidas, a contar da data em que deveriam ter sido pagas. Assim, por inevitável conclusão, a ação de cobrança movida pelo INSS visando o ressarcimento dos valores recebidos indevidamente a título de benefício previdenciário, também sujeita- se à prescrição quinquenal, aplicando-se, por isonomia, o Decreto nº 20.910 de 1932, em relação à pretensão da Fazenda Pública, sobretudo por aplicação do princípio da isonomia. (REsp 1825103/SC. Relator: Ministro Napoleão Nunes Nunes Maia Filho. Órgão Julgador: Primeira Turma. Data do Julgamento: 12/11/2019. Data da Publicação/Fonte: D Je 22/11/2019). VI. No caso concreto, conforme se extrai dos documentos juntados à inicial, e referenciados na sentença, a autora recebeu indevidamente, benefício assistencial no período de 12/08/2008 a 30/09/2017, o que não foi rechaçado pela mesma, tendo a cobrança da autarquia sido realizada em 14/08/2018. Nesse sentido, considerando o prazo prescricional relacionado, poderá a autarquia efetuar a cobrança dos valores não prescritos, quais sejam, apenas aqueles indevidamente recebidos de 14/08/2013 até 30/09/2017. Assim, diante de tudo o que foi explanado, com permissivo na norma regente e na estreita flexibilidade do posicionamento acima exposto, dou provimento parcial ao recurso, apenas quanto à possibilidade de cobrança, pela autarquia, referente aos valores indevidamente recebidos no período de 14/08/2013 até 30/09/2017, limitando os descontos mensais a 10% do valor a ser recebido, até o saldo total da dívida. VII. Recurso de apelação parcialmente provido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 398/699). Aponta o recorrente, nas razões do recurso especial, violação aos arts. 141, 489, § 1º, II, 492, 1.013 e 1.022, II, do CPC e 115, II, da Lei 8.213/91. Sustenta, em síntese: (I) negativa de prestação jurisdicional, (II) ocorrência de julgamento extra petita, na medida em que o Tribunal de origem limitou os descontos mensais a 10% do valor a ser devolvido e (III) a possibilidade de o Poder Judiciário reduzir "a a alíquota da consignação no benefício do devedor, acabou por contrariar o artigo 115, II da Lei 8.213/91, a qual atribui ao Poder Executivo a fixação da respetiva alíquota com base em critérios de conveniência e oportunidade, bem como considerando a necessidade da satisfação do crédito" (fl. 710). Defende que, "o INSS passou a adotar política pública que possibilita a redução do percentual de 30% (trinta por cento), previsto no Decreto nº 3.048, de 1.999, desde que atendidas algumas condições. As condições dizem respeito à idade e ao valor da renda mensal inicial do benefício do qual o segurado é titular" (fl. 714) Ao final, "requer seja provido o recurso para reformar o acórdão regional, eis que o artigo 115, II da Lei 8.213/91 atribuiu ao Administrador o Poder Discricionário de fixar a alíquota a ser aplicada na consignação, devendo-se levar em consideração a expectativa de vida do Segurado e a efetiva satisfação do crédito público, não podendo o Poder Judiciário se intrometer no aludido mérito administrativo" (fl.715) . É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação comporta acolhida. Com efeito, o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório dos autos, ao julgar a demanda, adotou as seguintes razões de decidir (fls. 696/697): Estabelecidas as premissas necessárias ao exame do recurso, e analisados os autos, passo a análise da questão ventilada pelo recorrente. Diante do que foi ventilado pelo embargante em suas razões de recurso, reitero os fundamentos do julgado. Acrescentando que a configuração de crime se configuraria mediante a denúncia do Ministério Público Federal e seu regular processamento na esfera penal, o que não ocorreu no presente caso. Neste sentido "não há nos autos, a juntada de sentença penal condenatória em face do autor, e sequer a comprovação de acusação formal de crime doloso pelo Ministério Público Federal em face da parte autora, o que, retira a materialização do caso concreto à tese fixada pelo Tema 897 do STF, leia-se, a imprescritibilidade da cobrança". Já quanto à fixação da parcela de 10% na consignação doa valores mensais a serem recebidos, há que se ressaltar o regramento legal vigente, contido no art. 115, II, da Lei 8.213/91, que ora se destaca: II - O pagamento administrativo ou judicial de benefício previdenciário ou assistencial indevido, ou além do devido, inclusive na hipótese de cessação do benefício pela revogação de decisão judicial, em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da sua importância, nos termos do regulamento;(Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019). Da mesma forma, na redação do que foi definitivamente julgado pelo Tema 979 do Superior Tribunal de Justiça, os descontos também foram limitados em 30%: Tema 979: Com relação aos pagamentos indevidos aos segurados decorrentes de erro administrativo (material ou operacional), não embasado em interpretação errônea ou equivocada da lei pela Administração, são repetíveis, sendo legítimo o desconto no percentual de até 30% (trinta por cento) de valor do benefício pago ao segurado/beneficiário, ressalvada a hipótese em que o segurado, diante do caso concreto, comprova sua boa-fé objetiva, sobretudo com demonstração de que não lhe era possível constatar o pagamento indevido. Percebe-se, que em ambas as hipóteses, o objetivo não foi de fixar os eventuais descontos, criteriosamente em 30%, mas sim de limitá-los a 30%, e neste sentido é que restou claro no acórdão embargado que "mesmo verificada a boa-fé do beneficiário poderá haver o desconto de até 30% no valor mensalmente recebido, na forma do art. 115 da Lei 8.213/91, considerando entretanto a interpretação trazida pelo STJ no sentido de que o rigor da norma deve ser flexibilizado de acordo com o caso concreto, sobretudo o aspecto humano e a capacidade de pagamento frente as suas necessidades básicas de autossustento. Assim, diante do posicionamento explanado, e da condição de que, nestes termos a parte autora não deixará de saldar a sua dívida, mantém-se o julgado na sua íntegra. Do excerto colacionado, extraem-se duas conclusões. A primeira é que não houve ofensa ao art. 1.022 do CPC na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional (AgInt no AREsp 1678312/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, DJe 13/4/2021). A tanto, verifica-se, pela fundamentação do acórdão recorrido, integrada em embargos declaratórios, que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Outrossim, não se descortina negativa de prestação jurisdicional, ao tão só argumento de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Frise-se, mais, que o Tribunal não fica obrigado a examinar todos os artigos de lei invocados no recurso, desde que decida a matéria questionada sob fundamento suficiente para sustentar a manifestação jurisdicional, tornando dispensável a análise dos dispositivos que pareçam para a parte significativos, mas que para o julgador, senão irrelevantes, constituem questões superadas pelas razões de julgar. A propósito, confira-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA EX OFFICIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. A DISCUSSÃO DO MÉRITO IMPÕE O REVOLVIMENTO DAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. O PERÍODO EM QUE O MILITAR TEMPORÁRIO ESTIVER ADIDO, PARA FINS DE TRATAMENTO MÉDICO, NÃO É COMPUTADO PARA FINS DE ESTABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. I - Trata-se de demanda ajuizada por ex-militar, objetivando provimento jurisdicional que determine sua reforma ex officio, com soldo referente ao posto/graduação por ele ocupado quando na ativa, bem como condenação da demandada ao pagamento de danos morais e estéticos. II - Após sentença que julgou parcialmente procedente a demanda, foi interposta apelação pela parte autora e ré, sendo que o TRF da 5ª Região, por maioria, deu provimento ao apelo da ré, julgando prejudicado o apelo do autor, ficando consignado, com base nas provas carreadas aos autos, que o autor está definitivamente incapacitado para o serviço militar, fazendo jus aos proventos correspondentes à graduação que ocupava III - Sustenta, em síntese, que o Tribunal a quo deixou de se manifestar acerca da omissão descrita nos aclaratórios, defendendo ter direito à reforma ex officio, seja pela incapacidade definitiva para o serviço militar, seja pelo tempo transcorrido na condição de agregado, bem como pela estabilidade que supostamente alcançou (ex vi arts. 50, IV, a e 106, II e III, da Lei n. 6.880/1980). IV - Não assiste razão ao recorrente no tocante à alegada violação do art. 1.022 do CPC. Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1575315/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018.V- Com efeito, o Tribunal a quo, soberano na análise fática, considerou não haver prova da conexão entre o acidente mencionado e a moléstia do autor. VI- Dessarte, verifica que a presente irresignação vai de encontro às convicções do julgador "a quo", que tiveram como lastro o conjunto probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese o enunciado da Súmula n. 7/STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1334753/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 27/11/2019. VII- Ademais, quanto à alegação de estabilidade sustentada pelo recorrente, esta Corte tem firmado a compreensão de que a mera reintegração de militar temporário na condição de adido, para tratamento médico, não configura hipótese de estabilidade nos quadros das Forças Armadas. Ou seja, o período em que o militar esteve licenciado, na condição de adido, não pode ser computado para atingir a estabilidade decenal, não prosperando, portando, as alegações aduzidas pelo interessado. A propósito: REsp 1786547/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 23/04/2019. VII - Recurso especial não provido. (REsp 1752136/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 1/12/2020) A segunda conclusão alcançada é que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, no sentido de que, "mesmo verificada a boa-fé do beneficiário poderá haver o desconto de até 30% no valor mensalmente recebido, na forma do art. 115 da Lei 8.213/91, considerando entretanto a interpretação trazida pelo STJ no sentido de que o rigor da norma deve ser flexibilizado de acordo com o caso concreto, sobretudo o aspecto humano e a capacidade de pagamento frente as suas necessidades básicas de autossustento" (fl. 697), tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. Ainda quanto à alegação de julgamento extra petita, "Essa Corte tem o entendimento de que não há violação do princípio do tantum devolutum quantum appelatum ou julgamento extra petita quando o provimento jurisdicional decorrer da interpretação lógico-sistemática de todo o conteúdo recursal, e não apenas de tópico específico relativo aos pedidos" (AgInt no AREsp n. 1.798.703/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/8/2022.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS SOB A ÉGIDE DO CPC DE 1973. APELAÇÃO POSTULANDO A EXCLUSÃO DA VERBA SUCUMBENCIAL. PROVIMENTO DO RECURSO PARA MINORAR A CONDENAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA NÃO CONFIGURADO. MONTANTE INFERIOR A 1% DO VALOR DA CAUSA. IRRISORIEDADE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça consolidou orientação de que não caracteriza sentença extra petita o julgado que, mediante interpretação lógica e sistemática dos argumentos deduzidos pela parte recorrente, acolhe o pedido em menor extensão, quando incluído, ainda que implicitamente, no pedido mais abrangente. Nesse cenário, tendo a empresa recorrida interposto apelação postulando a exclusão da verba sucumbencial, o provimento parcial do recurso para minorar os honorários advocatícios não é considerado julgamento extra petita. 2. Este Tribunal tem relativizado a incidência de sua Súmula 7, excepcionalmente, quando fica demonstrada a irrisoriedade ou a exorbitância da verba honorária sucumbencial fixada. 3. A irrisoriedade da verba honorária fica caracterizada quando, sob a égide do Código de Processo Civil (CPC) de 1973, ela é fixada em montante inferior a 1% do valor da causa, como na espécie. 4. Agravo interno a que se dá parcial provimento. (AgInt no REsp n. 1.804.691/PA, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 17/6/2024.) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao presente agravo manejado pelo INSS. Publique-se. EMENTA