REsp 2164194 - DECISAO
Conhecimento parcial do recurso e negação de provimento: o recurso não prequestionou a matéria relativa aos arts. 876, 884 e 885 do Código Civil, e, quanto ao mérito, o entendimento do acórdão recorrido está em consonância com a tese firmada no Tema 531 do STJ, segundo a qual valores pagos indevidamente pela...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: UNIÃO; Recorridos: servidores do TRT da 19ª Região
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Pelo STJ Conhecido Parcialmente E Negado Provimento
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Reposição Ao Erário, Desconto Em Folha, Boa Fé Do Servidor, Quintos Incorporados, Prequestionamento, Recursos Repetitivos (tema 531)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
UNIÃO
Recorrente
servidores do TRT da 19ª Região
Recorridos
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Pelo STJ Conhecido Parcialmente E Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de reposição ao erário de valores pagos indevidamente a servidores via desconto em folha
- 2 Interpretação e aplicação do art. 46 da Lei 8.112/90 e seus §§
- 3 Exigência de prequestionamento para análise de dispositivos do Código Civil (arts. 876, 884 e 885)
Ratio Decidendi
Conhecimento parcial do recurso e negação de provimento: o recurso não prequestionou a matéria relativa aos arts. 876, 884 e 885 do Código Civil, e, quanto ao mérito, o entendimento do acórdão recorrido está em consonância com a tese firmada no Tema 531 do STJ, segundo a qual valores pagos indevidamente pela Administração em razão de erro de interpretação não podem ser descontados quando recebidos de boa-fé pelo servidor.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por UNIÃO com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal. O feito decorre de ação ordinária proposta por servidores públicos tem por objetivo a anulação de ato administrativo praticado pelo Presidente do TRT da 19ª Região que determinou os descontos de valores recebidos à título de VPNI, com valor da causa atribuído em R$ 500,00 (quinhentos reais), em junho de 2005. Após sentença que julgou procedente o pedido, foi interposta apelação, a qual restou improvida pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO em acórdão assim ementado: ADMINISTRATIVO. SERVIDORES DO TRT DA 19º REGIÃO. REPOSIÇÃO AO ERÁRIO. QUINTOS INCORPORADOS. VALORES PAGOS POR ATO DA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO. BOA-FÉ. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONTO NOS TERMOS DO ART. 46 DA LEI N.º 8.112/90. SÚMULA 106 DO TCU. PRECEDENTES DO STJ. RECURSOS IMPROVIDOS. 1. "Segundo a orientação jurisprudencial pacificada no âmbito desta Corte Superior, descabe a reposição dos atrasados percebidos por servidor publico que, de boa-fé, recebeu em seus proventos ou remuneração valores advindos de errônea interpretação ou má aplicação da lei pela Administração, mostrando-se injustificado o desconto" (STJ, AGRESP. 987829-RS, Rei. Min. JORGE MUSSI, DJ 22/4/2008, p. 1). 2. A boa-fé em relação ao recebimento dos valores recebidos pelo servidor é presumida, enquanto o dolo há de ser comprovado. 3. Não bastasse a ausência nos autos de comprovação de má-fé dos servidores do TRT da 19a Região, tenho me posicionado no sentido de que, se a Administração, por erro -de interpretação, paga a vantagem, durante anos a fio, e, de repente, ameaça descontar unilateralmente esse pagamento, forçando o servidor a requerer em Juízo o embaraço de tal pretensão, pode-se concluir que estava este, sim, de boa-fé enquanto recebia a gratificação de caráter eminentemente alimentar. 4. Impossibilidade de a Administração, nos moldes do art. 46 da Lei n.º 8.112/90, descontar dos vencimentos dos servidores os valores por eles recebidos a maior, de boa-fé, a título da quintos incorporados. 5. Apelação e Remessa oficial improvidas. No presente recurso especial, a recorrente aponta violação do art. 46, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei n. 8.112/90 e arts. 876, 884 e 885, do Código Civil. Sustenta, em síntese, a possibilidade de reposição ao erário dos valores indevidamente recebidos por servidores públicos através de desconto em folha. Indica divergência jurisprudencial. É o relatório. Decido. Sobre a alegada violação dos arts. 876, 884 e 885, do Código Civil, verifica-se que, no acórdão recorrido, não foi analisado o conteúdo dos dispositivos legais, nem foram opostos embargos de declaração para tal fim, pelo que carece o recurso do indispensável requisito do prequestionamento. Incidência dos Enunciados Sumulares n. 282 e 356 do STF, in verbis: Súmula 282: É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. Súmula 356. O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. Não constando, do acórdão recorrido, análise sobre a matéria referida no dispositivo legal indicado no recurso especial, restava ao recorrente pleitear seu exame por meio de embargos de declaração, a fim de buscar o suprimento da suposta omissão e provocar o prequestionamento, o que não ocorreu na hipótese dos autos. Ainda que fosse possível a superação do referido óbice, melhor sorte não acode à recorrente. Verifica-se que a matéria versada no apelo nobre foi submetida a julgamento no REsp. n. 1.244.182/PB, pelo rito dos recursos repetitivos (Tema 531), qual seja, discutir a possibilidade de devolução ao Erário de valores recebidos de boa-fé pelo servidor público, quando pagos indevidamente pela Administração. Quando do julgamento, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou a tese correspondente ao Tema 531 no seguinte sentido: Quando a Administração Pública interpreta erroneamente uma lei, resultando em pagamento indevido ao servidor, cria-se uma falsa expectativa de que os valores recebidos são legais e definitivos, impedindo, assim, que ocorra desconto dos mesmos, ante a boa-fé do servidor público. Assim, o entendimento adotado no acórdão recorrido encontra-se em consonância com a tese firmada no Tema 531 do STJ, razão pela qual merece ser mantido. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa parte, nego-lhe provimento, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA