AREsp 2714269 - DECISAO
Conheceu-se do Agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial por razões de admissibilidade: as razões recursais não impugnaram de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido (incidindo o óbice da Súmula 284/STF), houve ausência de prequestionamento da tese recursal e inexistência de identidade jurídica...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE ARAGUAÍNA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Decidido Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Representação Do Espólio Na Execução Fiscal, Requisitos Da Petição Inicial Da Execução Fiscal, Preclusão Pro Judicato, Prequestionamento, Admissibilidade Do Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
MUNICÍPIO DE ARAGUAÍNA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Decidido Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Necessidade de indicação do representante legal do espólio (certidão de óbito, abertura de inventário e dados do inventariante) na petição inicial da execução fiscal
- 2 Incidência da preclusão pro judicato por ter o espólio sido citado (art. 505 CPC)
- 3 Admissibilidade do Recurso Especial: prequestionamento e impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido
Ratio Decidendi
Conheceu-se do Agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial por razões de admissibilidade: as razões recursais não impugnaram de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido (incidindo o óbice da Súmula 284/STF), houve ausência de prequestionamento da tese recursal e inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados para demonstrar dissídio jurisprudencial, além da permanência de fundamento capaz, por si só, de manter o acórdão recorrido.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MUNICÍPIO DE ARAGUAÍNA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim resumido: APELAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL DO ESPÓLIO OU DOS SUCESSORES DO DEVEDOR. DETERMINAÇÃO DE EMENDA. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO FEITO. SENTENÇA MANTIDA. PARA O AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL EM DESFAVOR DE ESPÓLIO, É NECESSÁRIO INSTRUIR A PETIÇÃO INICIAL COM A CERTIDÃO DE ÓBITO DO EXECUTADO, COMPROVAÇÃO DA ABERTURA DO INVENTÁRIO, BEM COMO, INDICAR OS DADOS E ENDEREÇO DO REPRESENTANTE DO ESPÓLIO (INVENTARIANTE), O QUE NÃO OCORREU NA ESPÉCIE, UMA VEZ QUE O EXEQUENTE INTIMADO PARA EMENDARA INICIAL, QUEDOU-SE INERTE. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa e interpretação divergente do art. 6º da Lei n. 6.830/1980, no que concerne à inexigibilidade da indicação do representante legal do espólio na petição inicial da execução fiscal, pois não há previsão legal específica, sendo que é possível a realização da citação na pessoa de quem se apresentar no endereço do imóvel indicado na inicial, considerando que quaisquer bens do espólio respondem pela dívida ativa, trazendo a seguinte argumentação: Quanto à exigência imposta pelo Juízo de primeiro grau e avalizada pelo Tribunal a quo de indicação da abertura do inventário e do inventariante, tal ordem extrapola as disposições contidas na Lei de Execuções Fiscais, cujos comandos normativos trilham um caminho de inegável simplificação da petição inicial, especificamente negando vigência ao disposto no art. 6º da Lei nº 6.830/1980, o qual assim dispõe: .. Ora, a fim de deixar clara a intenção do legislador de simplificar o processo executivo fiscal pode-se citar o fato de que se concentra na Certidão da Dívida Ativa os dados essenciais para a propositura da ação, sendo que, em sendo a CDA lavrada já em face do espólio, a citação deste deve ser realizada, na falta de indicação de representante específico, no endereço constante da exordial, na pessoa que ali se apresentar. Isso porque a representação do espólio, quando não aberto inventário, pode se dar pelo administrador provisório, ou seja, aquele que se encontra na posse do no imóvel. Ademais, nos casos de falecimentos o Fisco não é informado desse fato, sendo que nas hipóteses em que não existe a abertura de inventário fica impossibilitado de ter ciência e fazer a indicação do administrador provisório do bem, que geralmente só é descoberto quando o oficial de justiça vai ao local fazer a citação. A permanecer a tese esposada pelo Tribunal a quo, a Justiça estaria beneficiando o administrador provisório da herança da própria torpeza, que descumpre a obrigação legal de informar sobre a morte, inobserva a obrigação legal de informar a alteração de titularidade e não cumpre a obrigação legal de abrir inventário, o que ocorre geralmente para não pagar os tributos devidos. Como é cediço, a Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980 (Lei de Execuções Fiscais), constitui norma especial que regulamenta a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública, a qual foi criada com o escopo de simplificar a forma de cobrança em Juízo de débitos pelo Fisco, sendo relativizados diversos requisitos inseridos no Código de Processo Civil com o escopo de tornar mais célere a tramitação das execuções fiscais. Como dito anteriormente, especificamente em relação à exordial da execução fiscal, o art. 6º da Lei de Execuções Fiscais é expresso e claro no sentido de que a petição inicial indicará APENAS o (i) o Juiz a quem é dirigida, (ii) o pedido e (iii) o requerimento para a citação. Analisando-se a exordial do feito executivo, constata-se que ela preenche todos os requisitos legalmente exigidos e, inclusive, inclui diversas informações que sequer são exigidas pela legislação de regência. .. Com efeito, os Tribunais pátrios possuem entendimento firme no sentido de que os requisitos essenciais próprios e especiais da petição inicial da execução fiscal estão indicados no art. 6º da Lei de Execuções Fiscais, os quais não podem ser expandidos a pretexto da aplicação do Código de Processo Civil, não havendo, por tais razões, a alegada necessidade de observância subsidiária do CPC como entendeu o Tribunal a quo. Especificamente acerca da especialidade da Lei de Execuções Fiscais e da impossibilidade de aplicação subsidiária do CPC em hipótese de exigência de dados de qualificação não constantes da referida lei especial, este Egrégio STJ já assentou que "a petição inicial da execução fiscal apresenta seus requisitos essenciais próprios e especiais que não podem ser exacerbados a pretexto da aplicação do Código de Processo Civil, o qual, por conviver com a lex specialis, somente se aplica subsidiariamente" (REsp nº 1.138.202/ES, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/02/2010). .. Assim, utilizando-se a ratio decidendi usada por esta Corte Cidadã nos precedentes anteriormente indicados verifica-se que, inegavelmente, não há como compelir a parte Exequente a inserir dado de qualificação não previsto na Lei de Execuções Fiscais, mormente porque se trata de Execução Fiscal que busca o adimplemento de débitos relativos a bem imóvel, o qual poderá ser utilizado para a quitação da dívida em eventual penhora, sendo absolutamente desarrazoada a exigência imposta pelo Juízo singular e corroborada pelo Tribunal a quo. .. Além disso, a LEF dispõe claramente que quaisquer bens do espólio respondem pela dívida ativa, fato que confirma mais uma vez que é possível seguir a execução somente contra o espólio, independentemente de sua representação, porque o interesse da Fazenda Pública é direcionado aos seus bens, ainda mais quando se trata de débito de IPTU, hipótese em que existe imóvel que pode ser penhorado e leiloado para a satisfação da dívida exequenda (fls. 172-175). Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 505 do CPC, no que concerne ao reconhecimento da incidência da preclusão pro judicato, porquanto o espólio já havia sido citado, trazendo a seguinte argumentação: Houve, ainda, clara incidência da preclusão pro judicato, uma vez que o Espólio já havia sido citado, consoante atestado no Evento nº 19 dos autos de primeiro grau, havendo, portanto, evidente violação ao art. 505 do CPC, o qual estabelece que nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide. Sendo assim, diante de todo o exposto, resta insofismável a necessidade de provimento do presente Recurso, uma vez que restou demonstrado o total desacerto do Acórdão proferido pelo Tribunal a quo, o qual claramente negou vigência e violou dispositivos constantes da Lei de Execuções Fiscais (art. 6º) e do Código de Processo Civil (art. 505) (fls. 175-176). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Com efeito, a cobrança da dívida ativa é processada segundo os ditames da Lei nº 6.830, de 1980, e de forma subsidiária pelo Código de Processo Civil. Frisa-se que a referida Lei estabelece que a petição inicial da execução fiscal apenas indicará o juiz a quem é destinada, o pedido e o requerimento para citação; e será instruída com a CDA. .. Por conseguinte, o artigo 75, inciso VII, e § 1º, do Código de Processo Civil, estabelece que: .. Logo, o inventariante ostenta legitimidade para representar o espólio em juízo, não importa se no polo ativo ou passivo, a regra processual não prevê nenhuma exceção para essa representação processual. Destarte, para o ajuizamento da execução fiscal em desfavor de espólio, é necessário instruir a petição inicial com a certidão de óbito do executado, comprovação da abertura do inventário, bem como, indicar os dados e endereço do representante do espólio que é o inventariante. Sendo esses requisitos pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo. A irregularidade de representação processual do espólio em juízo a princípio, não desnatura a liquidez do título executivo, este último é atributo de ordem material, o qual será apreciado no feito executivo, ou seja, a irregularidade de representação é afeto à parte. Enquanto, a liquidez é alusiva ao objeto da execução. No caso vertente, o Município apelante foi intimado para informar a existência de inventário ou bens a inventariar, certidão de óbito da parte executada; e o nome e dados completos do inventariante, do administrador provisório dos bens ou do cônjuge supérstite, sob pena de extinção por ausência de pressuposto de desenvolvimento valido e regular do processo. Contudo, se absteve em prestar tal informação. Neste contexto, o não cumprimento da ordem pelo exequente, ora apelante, inviabilizou a processamento da execução fiscal (fls. 150-152). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24.8.2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19.11.2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27.8.2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2.5.2018. Ademais, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentindo de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pela ausência de impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido. Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Ainda, verifica-se que a tese recursal que serve de base para o dissídio jurisprudencial não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da tese recursal objeto da divergência, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido: "A ausência de debate, no acórdão recorrido, acerca da tese recursal, também inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial, pois, sem discussão prévia pela instância pretérita, fica inviabilizada a demonstração de que houve adoção de interpretação diversa". (AgRg no AREsp n. 1.800.432/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 25/03/2021.) Sobre o tema, confira-se ainda o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.516.702/BA, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/12/2020. Quanto à segunda controvérsia, incidem as Súmulas n. 282/STF e 356/STF, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4.2.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28.4.2011; REsp n. 1.730.826/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12.2.2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15.2.2019; AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23.6.2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.8.2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA