AREsp 2644857 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não se verificam obscuridade, contradição, omissão ou erro material no decisum; o recorrente foi intimado para regularizar a representação nos termos do art. 76 do CPC/2015 e não o fez no prazo improrrogável de 5 dias, a procuração existente em autos principais não...
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- Parties
- Embargante: GIL CÉSAR DANTAS BRUEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- embargos rejeitados
- Legal Topics
- Representação Processual, Procuração, Preclusão, Requisitos De Admissibilidade Recursal, Embargos De Declaração
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Parties
GIL CÉSAR DANTAS BRUEL
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Existência de vício de representação processual pela suposta ausência de juntada de procuração
- 2 Aplicação do Código de Processo Civil de 2015 por força do tempus regit actum e do Enunciado Administrativo n. 3 do STJ
- 3 Possibilidade de regularização da representação processual após intimação e efeitos da preclusão
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não se verificam obscuridade, contradição, omissão ou erro material no decisum; o recorrente foi intimado para regularizar a representação nos termos do art. 76 do CPC/2015 e não o fez no prazo improrrogável de 5 dias, a procuração existente em autos principais não supre a falta nos autos deste recurso, e a juntada tardia em sede de embargos encontra-se preclusa.
Court Disposition
embargos rejeitados
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração
- Advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, do CPC)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de embargos de declaração opostos por GIL CÉSAR DANTAS BRUEL à decisão de fls. 307/308, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante que: A decisão monocrática em comento se deu nos seguintes termos: .. Porém, data vênia, há um equívoco nesta decisão monocrática, considerado como erro material, ao se afirmar que há vício quanto à representação processual, diante da suposta ausência de juntada de procuração. Contudo, na realidade, a procuração do Dr GIL CÉSAR DANTAS BRUEL outorgando poderes para a Dra. CECÍLIA ROSA ARAUJO BRUEL já havia sido juntada no mov. 1.260 dos Autos originários 0000022-84.1993.8.16.0001, em 20/08/2014 e também havia sido juntado procuração no mov. 49.1 dos mesmos Autos, de 20/11/2019. Portanto, não há o que se falar em correção de vícios, devendo o Agravo em Recurso Especial interposto pelo ora Requerente, ser conhecido por esta Presidência do Superior Tribunal de Justiça. Ainda, mesmo que seja evidente que não haja vício de representação processual, junta-se as procurações requeridas aos presentes Autos. De qualquer forma, caso o advogado afirme urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período, de acordo com o artigo 5º § 1º do Estatuto da OAB, Lei 8.906, de 4 de Julho de 1994, considerando que o presente ato é considerado urgente, considerando-se a idade do Requerente e o iminente prejuízo que o Embargante poderia sofrer, caso o Agravo em Recurso interposto não fosse conhecido. Ademais, tendo em vista que foram juntadas as procurações novamente, de acordo com o artigo 76 do Código de Processo Civil a seguir transcrito, e a jurisprudência brasileira, o vício de representação processual pode ser corrigido a qualquer tempo e grau de jurisdição, caso realmente haja vício, que seja ele sanado: .. Desta forma, como não há vício de representação processual a ser sanado, conforme aqui exposto, requer-se o reconhecimento do erro material e seja esclarecida a obscuridade apontada, quanto ao equívoco em tal alegação (fls. 315/316). Requer o conhecimento e acolhimento dos embargos declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É, no essencial, o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. No caso, a parte recorrente, no momento da interposição do recurso, não procedeu à juntada da cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento conferindo poderes à subscritora do agravo e do recurso especial, Dra. Cecília Rosa Araujo Bruel. Entretanto, o marco temporal de aplicação do Código de Processo Civil de 2015 é a intimação do decisum recorrido que, no presente caso, foi realizada após 18/3/2016, já sob a égide do novo codex processual. Assim, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3 do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC", em observância ao princípio do tempus regit actum, ou seja, no presente caso aplicam-se as regras do Código de Processo Civil de 2015. Dessa forma, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil, foi intimada a parte recorrente para regularizar a representação processual, no prazo improrrogável de 5 (cinco) dias, sob pena de não conhecimento do recurso. Mesmo diante da intimação da parte para sanear o vício (fl. 300), não houve a devida regularização, uma vez que se quedou inerte. Ainda, não tem o condão de sanar tal vício a alegação da existência de procuração em autos principais, pois cabe à parte providenciar a juntada de cópia ou novo instrumento aos autos onde pretende interpor o recurso. A responsabilidade pelo traslado do instrumento é da parte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. REGULARIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO NO PRAZO ESTABELECIDO. INÉRCIA. DOCUMENTO NOS AUTOS ORIGINAIS. ART. 1.017, § 5º, do CPC/2015. INAPLICABILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme prevê o art. 76, § 2º, I, do CPC/2015, não se conhece do recurso quando a parte recorrente, apesar de intimada, deixa de sanar vício na representação processual no prazo estabelecido. 2. "A jurisprudência do STJ entende que a procuração juntada em outro processo conexo ou incidental, não apensado, não produz efeito em favor do recorrente neste Tribunal Superior." (AgInt no AREsp n. 1.447.689/DF, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/10/2019, DJe 16/10/2019). 3. Inaplicável o art. 1.017, § 5º, do CPC/2015 no âmbito do recurso especial ou do respectivo agravo contra sua inadmissibilidade. Precedentes. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp 1496951/MS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 6/5/2020.) Somente agora, em sede destes aclaratórios, a parte trouxe o instrumento de mandato com o fim de regularizar a representação, no entanto, não pode ser aceito, em razão da preclusão. (AgInt no AREsp 1520555/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 30/6/2020; AgInt no REsp 1788526/TO, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; e AgInt no REsp 1830797/SE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 18/3/2020.) Outrossim, o processo deve ser uma sequência de atos ordenados, com o propósito de servir à prestação jurisdicional. Por outro lado, a prestação jurisdicional não pode durar para sempre. O processo nasce direcionado a um fim e ao seu próprio fim. Não pode ser um instrumento de perseguição infinita do direito material. Portanto, a observância dos prazos constitui direito das partes, representa a garantia de segurança jurídica, bem como garante a característica temporal do processo. Registre-se que, ao contrário do alegado, o art. 5º, §1º da Lei 8.906/1994 não o socorre, uma vez que não consta, quando da interposição dos referidos recursos, a afirmação de urgência com requerimento de juntada da procuração em 15 dias. É cediço, também, que o julgador não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (AREsp 1592147/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 31/08/2020; AgInt no AREsp 1639930/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 03/08/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1342656/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 07/05/2020.) Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28/8/2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA