AREsp 2631242 - DECISAO
Aplicam-se as normas do CPC/2015 (conforme Enunciado Administrativo n.3 do STJ) ao caso, tendo sido oportunizado o prazo previsto no art. 76 do CPC para regularização da representação processual; não tendo a parte sanado o vício dentro do prazo improrrogável de 5 dias, a juntada posterior é preclusa, e o...
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- Parties
- Embargante: JOSE AUGUSTO MEDEIROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Rejeito os Embargos de Declaração
- Legal Topics
- Representação Processual, Preclusão Temporal, Embargos De Declaração, Admissibilidade Recursal
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Parties
JOSE AUGUSTO MEDEIROS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 regularização da representação processual
- 2 prazo para juntada de procuração e cadeia de substabelecimento
- 3 aplicação do CPC/2015 (Enunciado Administrativo n. 3 do STJ)
Ratio Decidendi
Aplicam-se as normas do CPC/2015 (conforme Enunciado Administrativo n.3 do STJ) ao caso, tendo sido oportunizado o prazo previsto no art. 76 do CPC para regularização da representação processual; não tendo a parte sanado o vício dentro do prazo improrrogável de 5 dias, a juntada posterior é preclusa, e o substabelecimento é ineficaz sem procuração originária nos autos; por essas razões não há omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada, devendo os embargos ser rejeitados.
Court Disposition
Rejeito os Embargos de Declaração
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração
- Advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por JOSE AUGUSTO MEDEIROS à decisão de fls. 567/568, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: A decisão embargada, ao não conhecer do recurso, fundamentou-se na ausência de regularização da representação processual, alegando que a procuração e/ou cadeia completa de substabelecimento não foram juntadas aos autos dentro do prazo assinalado. No entanto, há contradição na decisão, uma vez que: Reconhecimento da Validade da Procuração: A Ministra Presidente reconheceu a validade da procuração anexada aos autos, conforme mencionado na decisão. Portanto, não haveria necessidade de nova juntada de documentos. Prazo Insuficiente para Cumprimento da Diligência: Foi oportunizado ao embargante um prazo de apenas 5 (cinco) dias para sanar a suposta irregularidade, o que se mostra insuficiente e macula o princípio da ampla defesa e do contraditório, garantidos constitucionalmente. Como se não bastasse a advogado que substabeleceu com reserva de poderes para este advogado não intimada para ela juntar a própria procuração, já que o substabelecimento é com reserva de poderes, então o prazo para a advogada principal do processo não começou a fluir em nenhum momento, o que permite o recebimento da procuração apresentada (fls. 571/572). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. No caso, a parte recorrente, no momento da interposição do recurso, não procedeu à juntada da cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento conferindo poderes ao subscritor do agravo e do recurso especial, Dr. Sinval Salomão Alves de Medeiros. Entretanto, o marco temporal de aplicação do Código de Processo Civil de 2015 é a intimação do decisum recorrido que, no presente caso, foi realizada após 18.3.2016, já sob a égide do novo códex processual. Assim, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3 do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC", em observância ao princípio do tempus regit actum, ou seja, no presente caso aplicam-se as regras do Código de Processo Civil de 2015. Dessa forma, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil, foi intimada a parte recorrente para regularizar a representação processual, no prazo improrrogável de 5 (cinco) dias, sob pena de não conhecimento do recurso. Mesmo diante da intimação da parte para sanear o vício, não houve a devida regularização, porquanto deixou o prazo transcorrer in albis. Ressalte-se que a petição de fls. 563/564, trazida aos autos em razão da certidão oportunizando a regularização do feito, não pode ser conhecida para os fins a que se destina, uma vez que protocolizada fora do prazo assinalado, ocorrendo a preclusão temporal da prática do ato. Observe-se que no momento da interposição do recurso especial e do agravo em recurso não havia procuração originária da parte ora embargante, conferindo poderes à Dra. Fábia Delgado Medeiros, OAB/RN n. 15.954, a causídica que substabeleceu à fl. 348. Dessa forma, o instrumento de substabelecimento ao Dr. Sinval Salomão Alves de Medeiros (fl. 348) não tem eficácia, pois o substabelecimento não subsiste por si só, sem uma procuração que lhe dê suporte, sendo impossível substabelecer um poder que não existe nos autos. Neste sentido, o AgInt no AREsp n. 2.028.800/RJ, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 25.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.946.028/MS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 24.3.2022; AgInt no REsp n. 1.945.390/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 16.2.2022. Somente agora, em sede de aclaratórios, a parte trouxe o instrumento de mandato com o fim de regularizar a representação, no entanto, não pode ser aceito, em razão da preclusão. (AgInt no AREsp 1520555/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 30.6.2020; AgInt no REsp 1788526/TO, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; e AgInt no REsp 1830797/SE, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 18.3.2020.) Outrossim, o processo deve ser uma sequência de atos ordenados, com o propósito de servir à prestação jurisdicional. Por outro lado, a prestação jurisdicional não pode durar para sempre. O processo nasce direcionado a um fim e ao seu próprio fim. Não pode ser um instrumento de perseguição infinita do direito material. Portanto, a observância dos prazos constitui direito das partes, representa a garantia de segurança jurídica, bem como garante a característica temporal do processo. É cediço, também, que o julgador não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (AREsp 1592147/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp 1639930/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1342656/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 7.5.2020.) Por fim, a pretensão de red iscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA