AREsp 2997339 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados porque a representação processual não foi regularizada de forma eficaz dentro do prazo determinado: o instrumento de mandato juntado tinha data posterior à interposição dos recursos e não havia procuração originária que legitimasse o substabelecimento, o que torna inexequível o...
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- Parties
- Embargante: LEONARDO COX PEIXOTO LTDA; Embargante: VDIP EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS, CONSTRUCOES E NEGOCIOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 October 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos
- Outcome
- Embargos de Declaração rejeitados
- Legal Topics
- Representação Processual, Procuração, Substabelecimento, Súmula 115/stj, Preclusão Temporal, Embargos De Declaração
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Parties
LEONARDO COX PEIXOTO LTDA
Embargante
VDIP EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS, CONSTRUCOES E NEGOCIOS LTDA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão De Rejeição Dos Embargos
Legal Issues
- 1 regularização da representação processual
- 2 data do substabelecimento em relação à interposição do recurso
- 3 eficácia de substabelecimento sem procuração originária
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados porque a representação processual não foi regularizada de forma eficaz dentro do prazo determinado: o instrumento de mandato juntado tinha data posterior à interposição dos recursos e não havia procuração originária que legitimasse o substabelecimento, o que torna inexequível o conhecimento do recurso, em conformidade com os arts.76 e 932 do CPC e a Súmula 115/STJ.
Court Disposition
Embargos de Declaração rejeitados
Orders
- Rejeição dos Embargos de Declaração
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por LEONARDO COX PEIXOTO LTDA e VDIP EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS, CONSTRUCOES E NEGOCIOS LTDA à decisão de fls. 189/190, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: 3.2 Através da Decisão vindicada fora apontada suposta irregularidade de representação processual em relação Agravo interposto por Leonardo Cox Peixoto LTDA e Outro, sob a dedução de inexistência de procuração e/ou cadeia de substabelecimentos outorgando poderes ao advogado subscritor. 3.3 De plano constata-se que através da documentação acostada às Fls. 65/66 o causídico Wilson Furtado Roberto, em 25/11/2024, substabeleceu em favor do Advogado subscritor do Agravo em Recurso Especial, os poderes a ele outorgados pelas Empresas Recorrentes. 3.4 Neste compasso, restando devidamente regularizada a representação processual mediante o substabelecimento conferido ao causídico subscritor do REsp, os Autos foram remetidos a este E. Tribunal Superior de Justiça. Através da Certidão de fls. 178, esta Corte determinou a regularização da representação processual, nos termos do art. 76 c/c art. 932, parágrafo único, do CPC, no prazo de 5 (cinco) dias. 3.5 Em atendimento ao comando Exarado, a parte Recorrente, através do Requerimento de Fls.182/186, acostou aos Autos nova Procuração, fazendo constar em anexo, também, o substabelecimento conferido ao causídico subscritor do REsp e já acostado às Fls. 65/66, sanando o óbice processual dentro do prazo assinalado, vejamos: .. 3.6 Em que pese a juntada tempestiva da documentação supramencionada, esta D. Relatoria entendeu por não conhecer do recurso sob a argumentação de que "porquanto os poderes consignados no instrumento de mandato de fl.183, foram outorgados ao subscritor dos recursos em data posterior à sua interposição.". 3.7 Ocorre que o Julgado padece de omissão, na medida em que deixa de considerar o substabelecimento acostado aos Autos em 25/11/2024, ou seja, em data ANTERIOR ao protocolo do Recurso Especial não conhecido. Tem-se, portanto, por inequívoca a regularidade na representação processual, uma vez que, repita-se, o Recurso Especial fora protocolado em 26/11/2025, e o substabelecimento em favor do causídico Antônio Carlos Gouveia subscrito em 25/11/2024. 3.8 Excelência! No momento do protocolo do Recurso Especial o causídico Wilson Furtado Roberto já havia substabelecido em favor do causídico Antônio Carlos Gouveia os poderes a ele conferidos pelas Empresas recorrentes, não havendo o que se falar, portanto, em irregularidade na representação processual. 3.9 Dessa forma, não há falar em ausência de regularização, tampouco em incidência da Súmula 115 do STJ, pois o substabelecimento de Fls. 65/66 já havia sido subscrito e protocolizado em 25/11/2025, e, em atendimento ao comando exarado, uma nova procuração foi acostada, restando o vício devidamente sanado de maneira tempestiva (fls. 195/197). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Impende ressaltar que, em se tratando de procuração ao subscritor do Recurso Especial, ou ao subscritor do Agravo em Recurso Especial, a regular cadeia de representação deveria estar demonstrada no momento da apresentação dos referidos recursos, o que não aconteceu no caso concreto. Porém, o Código de Processo Civil abre a possibilidade de regularização posterior do vício de representação, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil. Diante dessa premissa, foi percebido, nesta Corte, que o subscritor do Agravo e do Recurso Especial, Dr. ANTÔNIO CARLOS FREIRAS MELRO DE GOUVEIA, não tinha procuração nos autos, razão pela qual houve a intimação da parte embargante para que o referido vício fosse sanado (fl. 178). Apesar disso, mesmo tendo sido regularmente intimada para efetuar o saneamento, não houve a devida regularização da representação processual, porquanto o instrumento de mandato juntado à fl. 183 não pode ser aceito. Veja que o referido documento possui data posterior (12.08.2025) à da interposição do Recurso Especial que ocorreu em 26.11.2024 e do Agravo em Recurso Especial que ocorreu em 16.06.2025. Nesse sentido, os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DA CADEIA COMPLETA DE PROCURAÇÃO E SUBSTABELECIMENTO AO SIGNATÁRIO DO RECURSO DE EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. INSTRUMENTO DE MANDATO QUE CONFERE PODERES EM DATA POSTERIOR À INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA N. 115/STJ. PRECLUSÃO TEMPORAL. ART. 1.017, § 5º, DO CPC/2015. INAPLICÁVEL. CORTES SUPERIORES. ECONOMIA PROCESSUAL E PRIMAZIA DO JULGAMENTO DE MÉRITO OBSERVADOS. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Trata-se de embargos de divergência não conhecidos, após ter sido identificada falha na representação, a qual não foi corrigida mesmo após a intimação da parte embargante . II - Conforme consignado na decisão agravada, a Presidência desta Corte, à fl. 462, em razão da ausência de procuração e/ou cadeia completa de substabelecimento conferindo poderes ao subscritor dos embargos de divergência, determinou a intimação da parte recorrente para regularizar a representação processual, no prazo improrrogável de 5 dias, sob pena de não conhecimento do recurso. III - A parte, embora regularmente intimada para sanar referido vício, não o regularizou, uma vez que os poderes consignados no instrumento de mandato são posteriores à interposição do recurso. IV - Registre-se que "é firme o entendimento desta Corte de que a ausência da cadeia completa de procuração/substabelecimentos impossibilita o conhecimento do recurso, nos termos da Súmula 115 do STJ " (AgInt no AREsp n. 2.430.872/SP, relator o Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 17/5/2024). V - Assim, "o recurso não pode ser conhecido, pois é necessário que a outorga de poderes tenha ocorrido em data anterior à da interposição do recurso. Incidência da Súmula n. 115/STJ" (AgInt no REsp n. 2.109.263/CE, Relator o Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 24/5/2024). VI - Quanto às razões apresentadas no pedido de reconsideração e reiteradas no agravo interno, incabível a posterior apresentação da procuração, às fls. 483-485, porque "a juntada extemporânea do instrumento de representação não é bastante para corrigir a deficiência processual, visto que ocorrida preclusão temporal" (AgInt no REsp n. 2.089.326/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024). VII - Portanto, incide o disposto nos arts. 76, § 2º e seu inciso I, e 932, parágrafo único, do CPC/2015, segundo os quais não se conhece do recurso quando a parte descumpre a determinação para regularização da representação processual, em consonância com o enunciado n. 115 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.426.293/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024 e AgRg no REsp n. 2.073.540/AL, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 8/9/2023. VIII - Por fim, observa-se que os princípios da primazia do julgamento de mérito, da economia processual e da instrumentalidade das formas foram observados no momento em que a parte foi intimada para regularização de vício na representação processual, mas não procedeu à sua correção. Nesse contexto, "cabe à parte observar as regras instrumentais traçadas pelo Código de Processo Civil, o qual impõe responsabilidades a todos os envolvidos na resolução da controvérsia. Assim, em se tratando de vício que se tornou insanável diante das falhas imputadas à parte recorrente, não há que se falar em aplicação do referido princípio" (AgInt no AREsp n. 2.266.625/TO, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 18/5/2023). IX - Agravo interno improvido. (AgInt nos EREsp n. 2.059.568/GO, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 1.10.2024, DJe de 3.10. 2024.) PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO SUBSCRITO POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL NÃO REGULARIZADA APÓS INTIMAÇÃO. SUBSTABELECIMENTO COM DATA POSTERIOR À DO PROTOCOLO DO RECURSO. VÍCIO NÃO SANADO. RECURSO INEXISTENTE. SÚMULA N. 115/STJ. .. 1. Interposto recurso impugnando decisão publicada na vigência do CPC/2015, e constatada a ausência de instrumento de mandato e respectiva cadeia de substabelecimentos outorgando poderes ao subscritor da petição dirigida à instância superior, a parte deverá ser intimada para regularizar a representação processual, nos termos dos arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC, sob pena de não conhecimento da insurgência, em conformidade com a Súmula n. 115/STJ. Precedentes. 2. Para fins de regularização da representação processual (arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC), a juntada de instrumento de mandato conferindo poderes ao advogado subscritor do recurso, emitido com data posterior à da interposição da insurgência, não tem o condão de suprir o vício. Recurso inexistente. Incidência da Súmula n. 115/STJ. Precedentes. 3. Na espécie, apresentado recurso especial sem a juntada da procuração e/ou cadeia completa de substabelecimento conferindo poderes ao respectivo subscritor, a defesa foi intimada para regularizar o vício de representação processual, no prazo de 5 dias. Não obstante a defesa, após intimação, tenha providenciado a juntada de substabelecimento, o instrumento de mandato em questão não teve o condão de suprir o vício de representação processual apontado, porquanto datado de 13/6/2023, de modo que os poderes nele consignados foram substabelecidos ao advogado subscritor do recurso especial somente em data posterior à interposição do recurso, que ocorreu em 14/2/2023. 4. .. 13. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 2.073.540/AL, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 8.9.2023.) Ainda: AgInt no AREsp n. 2.451.346/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 7.3.2024; AgInt no AREsp n. 2.444.891/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 28.2.2024; AgInt no AREsp n. 2.426.293/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28.2.2024; AgRg no AREsp n. 2.455.628/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no AREsp n. 2.124.434/GO, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 24.3.2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.778.050/ES, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 22.9.2021; AgInt no AREsp n. 1.934.163/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4.11.2021 e, EDcl no AgRg no AREsp n. 150.976/GO, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 8.3.2017. Ademais, observe-se que não há a procuração originária da parte ora embargante, conferindo poderes à Wilson Furtado Roberto, OAB/SP n. 346.103, o causídico que substabeleceu às fls. 65 e 184. Dessa forma, o instrumento de substabelecimento ao Dr. Antônio Carlos Freitas Melro de Gouveia não tem eficácia, pois o substabelecimento não subsiste por si só, sem uma procuração que lhe dê suporte, sendo impossível substabelecer um poder que não existe nos autos. Neste sentido, o AgInt no AREsp n. 2.028.800/RJ, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 25.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.946.028/MS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 24.3.2022; AgInt no REsp n. 1.945.390/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 16.2.2022. Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA