AREsp 2882070 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade (incidência das Súmulas n. 7 e 83 e inviabilidade de exame de contrariedade constitucional). Contudo, diante da inadequada fundamentação da pena-base — fixada em 9 anos sem elementos concretos para...
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- Parties
- Agravante: Glaydson de Lima Carvalho
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo não conhecido; habeas corpus concedido de ofício.
- Legal Topics
- Requisitos De Admissibilidade Do Recurso Especial, Impugnação Da Súmula N. 7/stj, Incidência Da Súmula N. 83/stj, Súmula N. 182/stj, Fixação Da Pena Base, Habeas Corpus De Ofício
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Parties
Glaydson de Lima Carvalho
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por aplicação das Súmulas ns. 7 e 83 do STJ
- 2 exigência de impugnação específica dos fundamentos da decisão de admissibilidade
- 3 possibilidade de concessão de habeas corpus de ofício para correção de dosagem da pena
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade (incidência das Súmulas n. 7 e 83 e inviabilidade de exame de contrariedade constitucional). Contudo, diante da inadequada fundamentação da pena-base — fixada em 9 anos sem elementos concretos para superar as frações jurisprudenciais — concede-se habeas corpus de ofício para reduzir a pena, fixando a pena final em 6 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão.
Court Disposition
Agravo não conhecido; habeas corpus concedido de ofício.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Concedo ordem de habeas corpus de ofício para reduzir a pena para 6 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Glaydson de Lima Carvalho agrava de decisão que não admitiu recurso especial (e-STJ fls. 1.635/1642) interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. O Vice-Presidente do Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial pelo óbice das Súmulas ns. 7 e 83 do STJ, bem como pela inviabilidade de análise de contrariedade a artigos da Constituição na via do recurso especial. Manifestação do Ministério Público Federal às e-STJ fls. 1.749/1.754. É o relatório. Decido. Não merece conhecimento o agravo. A decisão que inadmitiu o recurso especial o fez pelo óbice das súmulas ns. 7 e 83 do STJ, bem como pela inviabilidade de análise de contrariedade a artigos da Constituição na via do recurso especial. Contudo, o agravante, nas razões do presente inconformismo, não impugnou corretamente os referidos fundamentos. Assinala-se que, conforme remansosa jurisprudência desta Corte, " a impugnação da Súmula n. 7 do STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica por ele conferida e a apreciação jurídica que lhes deveria ter sido efetivamente atribuída. .. O Recurso daí proveniente deveria se esmerar não em simplesmente reiterar as razões do Recurso Especial ou os argumentos referentes ao mérito da controvérsia, mas em demonstrar efetivamente que a referida Súmula não se aplica ao caso concreto e que, portanto, seria desnecessário revolver o acervo fático-probatório dos autos para a análise da insurgência" (AgInt no AREsp n. 2.371.208/PB, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023). Além disso, para afastar a incidência da Súmula n. 83 do STJ, é necessária a efetiva demonstração de que o julgado apontado na decisão de inadmissão do recurso especial é inaplicável ao caso ou foi superado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, colacionando-se precedentes contemporâneos ou supervenientes, ou de que exista distinção entre a matéria versada nos autos e aquela utilizada para justificar a aplicação da referida súmula, o que não ocorreu. Nesse contexto, aplica-se, por analogia, o disposto no enunciado n. 182 da Súmula do STJ. Nessa linha: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE. SÚMULA 182/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. 1. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de admissibilidade impede o conhecimento do respectivo agravo, nos termos do que dispõe a Súmula 182/STJ. .. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Concedido habeas corpus, de ofício, para declarar a prescrição da pretensão executória do agravante quanto ao crime do art. 90 da Lei n. 8.666/1993 (AgRg no Ag 1.378.279/MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 27/3/2017). A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não se subdivide em capítulos autônomos, exigindo-se impugnação integral dos fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para a negativa de seguimento ao recurso especial (ut, AgInt no AREsp n. 2.695.794/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, DJEN de 23/4/2025.) De todo modo, constato a necessidade de concessão de habeas corpus de ofício. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem aplicado critérios que atribuem a fração de 1/6 sobre o mínimo previsto para o delito para cada circunstância desfavorável; a fração de 1/8 para cada circunstância desfavorável sobre o intervalo entre o mínimo e o máximo de pena abstratamente cominada ao delito; ou, ainda, a fixação da pena-base sem nenhum critério matemático, sendo necessário apenas, neste último caso, que estejam evidenciados elementos concretos que justifiquem a escolha da fração utilizada, para fins de verificação de legalidade ou proporcionalidade. Na hipótese, diante da avaliação desfavorável de 3 vetores judiciais, a pena-base foi fixada em 9 anos de reclusão (e-STJ fl. 937), isto é, 5 anos acima do mínimo legal, sem que fosse apontado nenhum elemento concreto que pudesse justificar o aumento fora das frações consideradas por este STJ, devendo ser reduzida para 6 anos e 3 meses de reclusão. A menoridade deve conduzir a pena para o patamar de 5 anos, 2 meses e 15 dias de reclusão. Mantido o aumento de 1/3 na terceira fase, a pena resulta em 6 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, inciso III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Concedo ordem de habeas corpus de ofício para reduzir a pena para 6 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão. Intimem-se. EMENTA