AREsp 1797219 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o agravo em recurso especial não atacou especificamente o fundamento que justificou a inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 7 do STJ), violando o requisito do art. 932, III, do CPC/2015; aplica-se ao caso o Enunciado Administrativo nº 3, exigindo-se os requisitos do NCPC,...
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- Parties
- Exequente: ALPARGATAS S.A.; Executado: LÍDER 77 COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI; Agravante: ELZA MARIANO DE OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (terceira Turma) Agravo Interno Negado Provimento
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento).
- Legal Topics
- Requisitos De Admissibilidade Recursal, Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Súmula Nº 7 Do STJ, Preclusão, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
ALPARGATAS S.A.
Exequente
LÍDER 77 COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI
Executado
ELZA MARIANO DE OLIVEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (terceira Turma) Agravo Interno Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Aplicação do NCPC aos recursos interpostos sob o CPC/2015 (Enunciado Administrativo nº 3)
- 2 Necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão que denega seguimento ao recurso especial (art. 932, III, CPC/2015)
- 3 Incidência da Súmula nº 7 do STJ como óbice à admissão do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o agravo em recurso especial não atacou especificamente o fundamento que justificou a inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 7 do STJ), violando o requisito do art. 932, III, do CPC/2015; aplica-se ao caso o Enunciado Administrativo nº 3, exigindo-se os requisitos do NCPC, e não é suficiente a impugnação genérica ou a mera reiteração das razões já apresentadas no recurso especial.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter o não conhecimento do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica quanto à incidência da Súmula nº 7 do STJ.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA E IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 7do STJ.). 3.Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Da leitura da minuta do agravo de instrumento que deu origem ao presente recurso, pode-se aferir que ALPARGATAS S.A. (ALPARGATAS) ajuizouexecução por quantia certa contra LÍDER 77 COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI (LÍDER 77)objetivando o recebimento deR$ 22.843,65 (vinte e dois mil, oitocentos e quarenta e três reais e sessenta e cinco centavos). No curso da ação, o d. Juízo de primeiro grau deferiu o pedido, formulado por ALPARGATAS, de desconsideração da personalidade jurídica da LÍDER 77 para incluir a sócia ELZA MARIANO DE OLIVEIRA (ELZA), no polopassivo da execução. Contra essa decisão interlocutória, ELZA interpôs agravo de instrumento alegando que (1) não foram preenchidos os requisitos do art. 50 do CC/02, pois o inadimplemento da obrigação, por si só, não é hábil a embasar a desconsideração; e (2)não houve desvio de finalidade, fraude a execução ou credores, ou confusão patrimonial. O agravo de instrumento não foi provido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, nos termos do acórdão relatado pelo Des. DÉCIO RODRIGUES, assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica acolhido. Preenchimento dos pressupostos legais específicos para o deferimento da desconsideração. Decisão mantida. Recurso improvido(e-STJ, fl. 251). Inconformada, ELZA interpôs recurso especial com fulcro no art. 105, III, a e c, da CF, apontando a violação doart. 50 do CC/02,ao sustentar que (1) não ficaram configurados os requisitos da desconsideração da personalidade jurídica; e (2) demonstrou odissídio jurisprudencial. O apelo nobre não foi admitido pelo Tribunal estadual diante da a)não demonstração da alegada vulneração do dispositivo arroladono recurso especial; b)incidência da Súmula nº 7do STJ; e c)não comprovação da divergência jurisprudencial (e-STJ, fls. 306/307). Seguiu-se o agravo em recurso especial interposto por ELZA que, em decisão monocrática da relatoria do Ministro Presidente do STJ, não foi conhecido, com amparo no art. 21-E, V, c/c 253, parágrafo único, I, do RISTJ, porque não foiatacadoespecificamente ofundamentoda decisão agravada quanto a incidência da Súmula nº 7do STJ(e-STJ, fls. 332/333). Nas razões do presente agravo interno,ELZA afirmou que todos os fundamentos foram devidamente impugnados(e-STJ, fls. 338/346). Foi apresentada impugnação (e-STJ, fls. 361/364). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA E IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 7do STJ.). 3.Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões externadas na decisão recorrida. Da análise do presente inconformismo se verifica que, conforme consignado na decisão impugnada, o agravo em recurso especial não se dirigiu especificamente contra todos os fundamentos da decisão que negou seguimento ao apelo nobre, pois ELZA, na ocasião,não refutou, de forma arrazoada, o óbice daincidência da Súmula nº 7do STJ. E isso não fez porque, além de repisar as razões do seu recurso especial, se limitou a alegar que(1)o recurso especial preencheu todos os requisitos para sua admissão; (2)foi demonstrada a violação do artigo de lei apontado nas razões do especial;e(3) a divergência jurisprudencial foi devidamente demonstrada. Assim, não houve a demonstração do adequado enfrentamento dofundamentoda decisão agravada no que tange àincidência da Súmula nº 7do STJ. Cumpre registrar que, quandose pretende impugnar, no agravo em recurso especial, a incidência da Súmula nº 7 do STJ, deve o agravante não apenas mencionar que o referido enunciado deve ser afastado, mas também demonstrar que a solução da controvérsia independe do reexame dos elementos de convicção dos autos soberanamente avaliados pelas instâncias ordinárias, não sendo suficiente a impugnação genérica ou a reiteração das razões expostas no recurso especial. Desse modo, observa-se que o agravo em recurso especial não impugnou adequadamente os óbices anteriormente mencionados, e nada trazido neste agravo interno é capaz de contrariar tal entendimento. Conforme já decidiu o STJ: .. à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge. (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJe 26/11/2008 - sem destaque no original) Por isso, o agravo em recurso especial não se mostrou viável, uma vez que apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/1973), devendo ser mantida a decisão agravada. Nesse sentido, seguem os precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade recursal proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015. 2. Consoante o entendimento da Segunda Seção do STJ, nas hipóteses de não conhecimento ou de improvimento dos recursos interpostos na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é cabível o arbitramento dos honorários advocatícios recursais, ante a incidência da norma do art. 85, § 11, do referido diploma processual. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.620.321/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 30/3/2020, DJe 6/4/2020) AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.JUROS REMUNERATÓRIOS. COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. .. 4. Nos termos dos artigos 932, inciso III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015, do artigo 259 do Regimento Interno do STJ e da Súmula 182/STJ, é inviável o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. 5. Tese mencionada no agravo interno, mas não ventilada no recurso especial, não merece conhecimento por configurar inovação argumentativa. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.643.618/DF, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. 23/3/2020, DJe 26/3/2020) Assim, como ELZA não demonstrou o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial, já que não é admissível a impugnação de seus fundamentos somente no âmbito do agravo interno, em virtude da preclusão. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.