AREsp 3032025 - DECISAO
O acórdão recorrido incorreu em violação literal do art. 81 do CPC ao fixar a multa por litigância de má-fé em 1% do valor da causa, sendo necessário determinar o retorno dos autos à origem para que a multa seja fixada nos limites legais (superior a 1% e inferior a 10% do valor atualizado da causa).
Source-derived case information.
- Parties
- Compradora: JMT de Locação de Mão de Obra - ME; Vendedor: Divino Cabral de Sousa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Recurso Especial / Decisão De Agravo Com Conhecimento E Provimento Do Recurso Especial; Retorno Dos Autos À Origem Para Adequação Da Multa Por Litigância De Má Fé
- Outcome
- Conheço do agravo, conheço do recurso especial e dou-lhe provimento, determinando o retorno dos autos à origem para que seja fixada a multa por litigância de má-fé nos limites legais (superior a 1% e inferior a 10% do valor atualizado da causa).
- Legal Topics
- Rescisão De Contrato De Compra E Venda De Imóvel Rural, Descumprimento Contratual, Taxa De Fruição, Litigância De Má Fé, Teoria Da Causa Madura, Nulidade Por Julgamento Citra Petita, Multa Por Litigância De Má Fé (art. 81 Cpc)
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Parties
JMT de Locação de Mão de Obra - ME
Compradora
Divino Cabral de Sousa
Vendedor
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Recurso Especial / Decisão De Agravo Com Conhecimento E Provimento Do Recurso Especial; Retorno Dos Autos À Origem Para Adequação Da Multa Por Litigância De Má Fé
Legal Issues
- 1 existência de descumprimento contratual justificando resolução do contrato
- 2 cabimento de restituição das parcelas pagas
- 3 cobrança de taxa de fruição pelo período de ocupação pelo comprador inadimplente
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido incorreu em violação literal do art. 81 do CPC ao fixar a multa por litigância de má-fé em 1% do valor da causa, sendo necessário determinar o retorno dos autos à origem para que a multa seja fixada nos limites legais (superior a 1% e inferior a 10% do valor atualizado da causa).
Court Disposition
Conheço do agravo, conheço do recurso especial e dou-lhe provimento, determinando o retorno dos autos à origem para que seja fixada a multa por litigância de má-fé nos limites legais (superior a 1% e inferior a 10% do valor atualizado da causa).
Orders
- Conheço do agravo
- Conheço do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial pela incidência da Súmula n. 211 do STJ (fls. 328-332). O acórdão recorrido está assim ementado (fls. 298-300): DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. RESCISÃO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL RURAL. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. RESTITUIÇÃO DE PARCELAS PAGAS. TAXA DE FRUIÇÃO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. NULIDADE DA SENTENÇA POR JULGAMENTO CITRA PETITA. APLICAÇÃO DA TEORIA DA CAUSA MADURA. RECURSOS PREJUDICADOS. I. CASO EM EXAME Trata-se de apelação cível interposta por ambas as partes em face de sentença que julgou improcedentes os pedidos iniciais e reconvencionais, extinguindo o feito com resolução de mérito e condenando as partes ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios. Na origem, a empresa JMT de Locação de Mão de Obra - ME pleiteou a rescisão do contrato de compra e venda de imóvel rural com restituição das parcelas pagas e cancelamento de protesto, alegando descumprimento contratual pelo vendedor. Em contrapartida, o vendedor, Divino Cabral de Sousa, formulou pedido reconvencional de indenização pela ocupação do imóvel. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há três questões centrais em discussão: (i) definir se houve descumprimento contratual por parte do vendedor, justificando a resolução do contrato com restituição das parcelas pagas ao comprador; (ii) estabelecer se é cabível o pagamento de taxa de fruição pelo período em que o imóvel esteve na posse do comprador inadimplente; (iii) verificar a ocorrência de litigância de má-fé pela empresa JMT de Locação de Mão de Obra - ME ao alegar falsamente impedimento de posse e omitir cláusulas contratuais. III. RAZÕES DE DECIDIR A sentença foi declarada citra petita, pois frustrou a entrega da tutela jurisdicional, autorizando sua anulação de ofício, conforme jurisprudência consolidada. A análise das provas indicou que o descumprimento contratual alegado pela empresa JMT de Locação de Mão de Obra - ME não ocorreu, visto que a posse do imóvel foi transferida no ato da assinatura do contrato, e o imóvel foi ocupado pelos arrendatários indicados pela própria compradora. A hipoteca registrada sobre o imóvel após o início da inadimplência não interferiu na posse ou nas obrigações contratuais, razão pela qual o inadimplemento é imputável exclusivamente à empresa compradora. Considerando a teoria da causa madura, foi julgada procedente a resolução contratual com base no inadimplemento da compradora, determinando-se a restituição das parcelas pagas com correção monetária a partir de cada desembolso. De acordo com o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa, foi reconhecido o direito do vendedor à taxa de fruição pela ocupação do imóvel de maio de 2019 a março de 2021, fixada em 0,5% do valor do contrato por mês. Configurou-se a litigância de má-fé da empresa JMT de Locação de Mão de Obra - ME, que alterou a verdade dos fatos e omitiu cláusulas contratuais relevantes, sendo aplicada multa de 1% sobre o valor da causa corrigido, conforme artigo 81 do Código de Processo Civil (CPC). IV. DISPOSITIVO E TESE Sentença anulada de ofício por ser citra petita, com aplicação da teoria da causa madura para julgamento. Declara-se rescindido o contrato entre as partes, com a obrigação do vendedor de restituir as parcelas pagas pela compradora, corrigidas monetariamente. A empresa compradora é condenada ao pagamento de taxa de fruição de 0,5% sobre o valor do contrato por mês, pelo período de ocupação indevida. Multa por litigância de má-fé imposta à empresa JMT de Locação de Mão de Obra - ME, em 1% do valor corrigido da causa. Condenação de ambas as partes ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da causa, vedada a compensação de honorários. Teses de julgamento: A nulidade de sentença citra petita autoriza sua desconstituição de ofício e aplicação da teoria da causa madura, assegurando a entrega da tutela jurisdicional completa e célere. A resolução de contrato de compra e venda de imóvel por inadimplemento do comprador impõe a restituição das parcelas pagas, corrigidas monetariamente desde cada desembolso. A ocupação indevida de imóvel por comprador inadimplente autoriza o pagamento de taxa de fruição a favor do vendedor, fixada em 0,5% do valor do contrato por mês de ocupação, a título de indenização pela vedação ao enriquecimento sem causa. A alteração da verdade dos fatos e omissão de cláusulas contratuais relevantes pelo litigante configuram litigância de má-fé, ensejando a aplicação de multa de 1% sobre o valor corrigido da causa. Dispositivos relevantes citados: CF, art. 5º, LXXVIII; CPC, arts. 77, I e II; 80, II; 81; 487, I; 1.013, § 3º, III; CC, arts. 481, 482, 884, 885. Jurisprudência relevante citada no voto: STJ, AgInt no REsp 1760472/PR, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 19/10/2020; STJ, AgInt no AREsp 1985060/ES, j. 25/04/2022; STJ, AgInt nos EDcl no REsp 1931701/PE, j. 14/03/2022; TJTO, Apelação Cível 0001641- 09.2021.8.27.2702, Rel. Des. Adolfo Amaro Mendes, j. 17/04/2024. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 314-316). No recurso especial (fls. 317-322), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente alegou violação do art. 81, caput, do CPC. Alegou que a multa por litigância de má-fé, fixada em 1% do valor da causa, não teria observado o comando legal que exige percentual superior a 1% (um por cento) e inferior a 10% (dez) por cento do valor corrigido da causa. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 326). No agravo (fls. 333-337), afirma a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Não foi oferecida contraminuta (fl. 339). Juízo negativo de retratação (fls. 340-341). É o relatório. Decido. A irresignação merece prosperar. A Corte estadual aplicou expressamente o art. 81 do CPC, reconhecendo a litigância de má-fé da parte contrária e fixando a multa em 1% (um por cento), sob o fundamento de que esse percentual seria adequado ao caso concreto. O acórdão recorrido, embora tenha reconhecido a litigância de má-fé e detalhado o comportamento processual abusivo da parte adversa, estabeleceu a multa exatamente em 1% (um por cento), em afronta ao comando expresso do legislador. Dessa forma, o acórdão recorrido incorreu em violação literal da norma federal, impondo-se o devido reparo. Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para CONHECER do recurso especial e DAR-LHE provimento, determinando o retorno dos autos à origem, a fim de que seja fixada a multa por litigância de má-fé nos limites estabelecidos pelo legislador (superior a 1% e inferior a 10% do valor atualizado da causa). Publique-se e intimem-se. EMENTA