AREsp 2697921 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, em parte, do recurso especial, e negou-se provimento nessa extensão porque a Corte estadual corretamente concluiu que a rescisão ou suspensão do contrato de plano de saúde coletivo não pode resultar em risco à preservação da saúde e da vida do paciente em tratamento oncológico...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: NOTRE DAME INTERMÉDICA SAÚDE S.A.; Empresa Estipulante (mencionada Nos Autos): Cabana Burguer; Operadora (mencionada Nos Autos): Amil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do STJ (conhecimento Do Agravo E Conhecer Em Parte Do Recurso Especial; Negar Provimento Nessa Extensão)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Rescisão/suspensão De Plano De Saúde Coletivo Durante Tratamento Médico, Prorrogação De Cobertura Enquanto Perdurar Tratamento, Interesse De Agir, Obrigação De Fazer, Honorários Sucumbenciais
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Parties
NOTRE DAME INTERMÉDICA SAÚDE S.A.
Agravante
Cabana Burguer
Empresa Estipulante (mencionada Nos Autos)
Amil
Operadora (mencionada Nos Autos)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do STJ (conhecimento Do Agravo E Conhecer Em Parte Do Recurso Especial; Negar Provimento Nessa Extensão)
Legal Issues
- 1 inadmissão de recurso especial
- 2 preservação da cobertura de plano de saúde coletivo durante tratamento médico grave
- 3 afastamento do interesse de agir em razão de nova contratação pela empregadora
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, em parte, do recurso especial, e negou-se provimento nessa extensão porque a Corte estadual corretamente concluiu que a rescisão ou suspensão do contrato de plano de saúde coletivo não pode resultar em risco à preservação da saúde e da vida do paciente em tratamento oncológico (pós-transplante de medula óssea), devendo-se prorrogar a vigência do plano até a conclusão do tratamento; além disso, parte dos fundamentos do acórdão recorrido não foi impugnada, justificando a aplicação, por analogia, da Súmula 283/STF, e a decisão está em consonância com a jurisprudência do STJ (Súmula 568/STJ).
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por NOTRE DAME INTERMÉDICA SAÚDE S.A. contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "PLANO DE SAÚDE EMPRESARIAL - Obrigação de Fazer - Rescisão do contrato de plano de saúde firmado entre a operadora e a empresa empregadora do coautor estipulante do seguro - Autora em tratamento oncológico após transplante de medula óssea - Prorrogação excepcional da vigência do plano usufruído até o encerramento do tratamento - A rescisão ou a suspensão de plano de saúde não pode resultar em risco à preservação da saúde e da vida do paciente, que se encontra em situação de extrema vulnerabilidade - Aplicação do art. 35-C da Lei n. 9.656/98 - Estado de emergência que autoriza a prorrogação - Recurso desprovido" (e-STJ fl. 979). No recurso especial, a recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 485, VI, do Código de Processo Civil - haja vista a ausência de interesse de agir dos recorridos na manutenção do plano de saúde, pois a empresa contratante teria firmado nova contratação com a operadora Amil; e (ii) arts. 421 e 422 do Código Civil e 13 da Lei nº 9.656/1998 - em virtude da legalidade da rescisão contratual unilateral de plano de saúde coletivo e da impossibilidade de manutenção de plano de saúde para um único beneficiário, ainda que na modalidade individual. Apresentadas contrarrazões às e-STJ fls. 1.051/1.060, o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. O tribunal de origem dirimiu a controvérsia nos seguintes termos: "(..) Conforme se extrai da fundamentação desta decisão: "a impossibilidade de suspensão ou rescisão do contrato durante a internação do usuário (titular ou dependente) não configura, por sua vez, limitação aplicável somente aos contratos individuais e familiares. A norma, fundada no princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, tem por escopo apenas ressaltar que, ainda quando haja motivo, a rescisão ou a suspensão de plano de saúde não pode resultar em risco à preservação da saúde e da vida do paciente, que se encontra em situação de extrema vulnerabilidade. Desse modo, no caso de usuário internado ou em tratamento médico relevante (como o caso de uma das recorridas que se encontra em tratamento de câncer), o óbice à rescisão ou suspensão do plano de saúde prevalecerá independentemente do regime de sua contratação (coletivo ou individual), devendo-se aguardar a conclusão do tratamento médico garantidor da sobrevivência e/ou incolumidade física". Tal inteligência se aplica à hipótese de rescisão do contrato pela operadora, diante do estado de emergência da coautora, que se encontra em tratamento oncológico, após ter se submetido a transplante autólogo de medula óssea, devendo ser prorrogado o contrato cujo titular é o esposo até a conclusão do tratamento, não sendo o fato de a empregadora ter contratado novo plano suficiente para afastar tal direito, considerando-se a possibilidade de diversidade de coberturas e de profissionais e rede credenciada, não se justificando que a paciente seja submetida ao risco de ter que substituir os médicos que a acompanham, os laboratórios e os hospitais, que já estão familiarizados com as peculiaridades do seu quadro de saúde e do seu tratamento, além de que o coautor não mais trabalha para a empresa Cabana Burguer, então estipulante (fls. 823), sendo que o plano de saúde oferecido por sua atual empregadora é básico, não atendendo às necessidades do tratamento, o que poderia por em risco a sua continuidade da exata maneira em que vem sendo realizado e a própria saúde, bem como a inclusão da coautora em plano diverso operado pela próprio ré, porquanto confessa a diferenciação de coberturas e da rede de credenciados, cabendo aos autores o pagamento integral das mensalidades" (e-STJ fls. 982/983 - grifou-se). De início, extrai-se das razões recursais que a agravante, então recorrente, não refutou o fundamento adotado pela Corte local de que "considerando-se a possibilidade de diversidade de coberturas e de profissionais e rede credenciada, não se justificando que a paciente seja submetida ao risco de ter que substituir os médicos que a acompanham, os laboratórios e os hospitais", o que desafia o óbice constante da Súmula nº 283/STF, aplicada por analogia: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Confiram-se: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESCISÃO DO CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. ENVIO DA NOTIFICAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. SÚMULA Nº 283 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A ausência de combate aos fundamentos do acórdão recorrido, suficientes por si só, para a manutenção do decidido acarreta a incidência da Súmula n.º 283 do STF. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.157.654/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023 - grifou-se) Quanto ao mérito, verifica-se que a Corte estadual decidiu em conformidade com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, atraindo a incidência da Súmula nº 568/STJ. A propósito: "RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. DEMISSÃO DO TITULAR. OFERTA DE PLANO INDIVIDUAL NÃO COMERCIALIZADO PELA OPERADORA. INVIABILIDADE. BENEFICIÁRIO EM TRATAMENTO DE SAÚDE. OBRIGAÇÃO DA OPERADORA DE MANTER A COBERTURA ASSISTENCIAL. ASSUNÇÃO DO CUSTEIO INTEGRAL PELO EX-EMPREGADO DEMITIDO. PARIDADE COM OS EMPREGADOS ATIVOS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRADA. 1. Ação de obrigação de fazer ajuizada em 15/12/2015, da qual foram extraídos os presentes recursos especiais, interpostos em 02/04/2018 e 23/04/2019, e conclusos ao gabinete em 11/05/2020. 2. O propósito dos recursos especiais é decidir sobre: (i) a negativa de prestação jurisdicional; (ii) a obrigatoriedade de a operadora do plano de saúde oferecer à usuária, que se encontra em tratamento médico, a portabilidade especial para plano individual, que não comercializa, após o decurso do prazo previsto no art. 30 da lei 9.656/1998; (iii) o valor da mensalidade a ser paga pela usuária. (..) 6. A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido de que, "nos planos coletivos de assistência à saúde e em caso de rescisão ou exoneração do contrato de trabalho sem justa causa, deve ser assegurado ao ex-empregado o direito à permanência no plano de saúde mesmo após o limite legal do prazo de prorrogação provisória contido no § 1º do artigo 30 da Lei nº 9.656/98, nas hipóteses em que o beneficiário esteja em tratamento de doença e enquanto esse durar, desde que suporte integralmente as contribuições para o custeio". (..) 10. Recurso especial da operadora parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido em parte. Recurso especial da beneficiária conhecido e provido em parte." (REsp 1.876.047/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 18/4/2023, DJe de 20/4/2023 - grifou-se) "CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. PLANO DE SAÚDE. DECURSO DO PRAZO FIXADO NO ART. 30, § 1º, DA LEI Nº 9.656/1998. OBRIGAÇÃO DA OPERADORA DO PLANO DE SAÚDE DE ASSEGURAR A DISPONIBILIDADE DE UM PLANO NA MODALIDADE INDIVIDUAL OU FAMILIAR ENQUANTO PERDURAR A NECESSIDADE DE TRATAMENTO MÉDICO DE EMERGÊNCIA OU DE URGÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 2. A resilição unilateral do plano de saúde, mediante prévia notificação, não obstante seja, em regra, válida, revela-se abusiva quando realizada durante o tratamento médico que possibilite a sobrevivência ou a manutenção da incolumidade física do beneficiário ou dependente. 3. Referida conclusão se impõe mesmo quando esgotado o prazo a que se refere o art. 30, § 1º, da Lei nº 9.656/98. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp 1.836.823/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 23/2/2022 - grifou-se) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 20% (vinte por cento) sobre o valor atualizado da causa, não cabendo a majoração prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil por já estar no limite máximo estabelecido no § 2º do mesmo dispositivo legal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA