REsp 1889693 - ACORDAO
Mantém-se a decisão agravada por conformidade com a jurisprudência do STJ de que contratos coletivos com poucos beneficiários (inferiores a 30) são vulneráveis, de natureza híbrida e exigem justificativa idônea para a rescisão unilateral; a agravante não apresentou argumentos aptos a deslocar esse entendimento,...
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- Parties
- Agravante: UNIMED DE CATANDUVA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO; Agravado: PAULO SERGIO AIROLDI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Colegiada Nega Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Rescisão Unilateral De Plano De Saúde Coletivo, Planos Coletivos Com Menos De 30 Beneficiários, Aplicação Do Art. 13 Da Lei N. 9.656/1998, Vulnerabilidade Do Estipulante
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Parties
UNIMED DE CATANDUVA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
Agravante
PAULO SERGIO AIROLDI
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Colegiada Nega Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 É válida a rescisão unilateral de plano de saúde coletivo com apenas 3 beneficiários?
- 2 É aplicável o art. 13 da Lei n. 9.656/1998 a plano coletivo com poucos beneficiários?
- 3 Incide a legislação consumerista sobre contratos coletivos híbridos?
Ratio Decidendi
Mantém-se a decisão agravada por conformidade com a jurisprudência do STJ de que contratos coletivos com poucos beneficiários (inferiores a 30) são vulneráveis, de natureza híbrida e exigem justificativa idônea para a rescisão unilateral; a agravante não apresentou argumentos aptos a deslocar esse entendimento, motivo pelo qual o agravo interno é negado; foi indeferido o pedido de aplicação de multa por ausência de conduta maliciosa.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Indefiro o pedido de aplicação de multa formulado pela parte agravada.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONTRATOS. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO COM APENAS 3 (TRÊS) BENEFICIÁRIOS. RECURSO ESPECIAL EM CONFRONTO COM JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. DECISÃO MANTIDA. 1. "Inquestionável a vulnerabilidade dos planos coletivos com quantidade inferior a 30 (trinta) beneficiários, cujos estipulantes possuem pouco poder de negociação diante da operadora, sendo maior o ônus de mudança para outra empresa caso as condições oferecidas não sejam satisfatórias. Não se pode transmudar o contrato coletivo empresarial com poucos beneficiários para plano familiar a fim de se aplicar a vedação do art. 13, parágrafo único, II, da Lei n. 9.656/1998, porém, a rescisão deve ser devidamente motivada, incidindo a legislação consumerista" (EREsp 1.692.594/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/2/2020, DJe 19/2/2020). 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 536/550) interposto contra decisão desta relatoria que não conheceu do recurso especial da parte ora agravante. Em suas razões, a agravante reitera a alegação do recurso especial, no sentido de ser válida a rescisão unilateral do plano de saúde coletivo, sendo inaplicável o art. 13 da Lei n. 9.656/1998. Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou sua apreciação pelo Colegiado. A parte agravada, intimada, apresentou impugnação, requerendo a aplicação de multa (e-STJ fls. 553/557). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONTRATOS. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO COM APENAS 3 (TRÊS) BENEFICIÁRIOS. RECURSO ESPECIAL EM CONFRONTO COM JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. DECISÃO MANTIDA. 1. "Inquestionável a vulnerabilidade dos planos coletivos com quantidade inferior a 30 (trinta) beneficiários, cujos estipulantes possuem pouco poder de negociação diante da operadora, sendo maior o ônus de mudança para outra empresa caso as condições oferecidas não sejam satisfatórias. Não se pode transmudar o contrato coletivo empresarial com poucos beneficiários para plano familiar a fim de se aplicar a vedação do art. 13, parágrafo único, II, da Lei n. 9.656/1998, porém, a rescisão deve ser devidamente motivada, incidindo a legislação consumerista" (EREsp 1.692.594/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/2/2020, DJe 19/2/2020). 2. Agravo interno a que se nega provimento. AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.889.693 - SP (2020/0207020-1) RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA AGRAVANTE : UNIMED DE CATANDUVA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO ADVOGADOS : ANDRÉ LUIZ BECK - SP156288 URBANO JUNQUEIRA DE ANDRADE NETO E OUTRO(S) - SP412574 YASMIN ANANIAS APAZ - SP310277 AGRAVADO : PAULO SERGIO AIROLDI ADVOGADO : EVANDRO BUENO MENEGASSO - SP223369 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): A insurgência não merece ser acolhida. A agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 530/532): Trata-se de recurso especial interposto pela UNIMED DE CATANDUVA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela Segunda Câmara de Direito Privado do TJSP assim ementado (e-STJ fl. 482): APELAÇÃO CÍVEL. Plano de Saúde. Denúncia unilateral de contrato coletivo. Aplicação dos ditames do CDC. A aparente proteção exclusiva do art. 13, parágrafo único, inciso II da lei 9656/98, aos contratos individuais, estende-se também ao presente contrato coletivo por adesão, eis que se trata de contrato "falso coletivo", que tem como usuários membros da mesma família. R. sentença mantida. RECURSO IMPROVIDO. Nas razões recursais (e-STJ fls. 489/504), a parte recorrente sustenta, em síntese, além de divergência jurisprudencial, que houve afronta aos arts. 13 da Lei n. 9.656/1998, sob fundamento de que a rescisão unilateral do plano de saúde coletivo foi legítima, ante a correção da cláusula estipulada no contrato. É o relatório. Decido. Ao reconhecer a invalidade da rescisão unilateral, entendeu o TJSP que, apesar de as partes terem firmado contrato coletivo, seria aplicável, no caso, a Lei n. 9.656/1998, no ponto em que veda a rescisão unilateral imotivada (art. 13), pois a recusa seria infundada e o contrato havido entre as partes beneficiaria poucos titulares titulares, membros de uma mesma família (e-STJ fls. 482/485): A recorrente pretende o afastamento do art. 13 da Lei n. 9.656/1998, mesmo tratando-se de plano de saúde coletivo com apenas 3 (três) beneficiários. Constata-se que o recurso contraria a jurisprudência do STJ, segundo a qual "A regulamentação dos planos coletivos empresariais (Lei n. 9.656/98, art. 16, VII) distingue aqueles com menos de trinta usuários, cujas bases atuariais se assemelham às dos planos individuais e familiares, impondo sejam agrupados com a finalidade de diluição do risco de operação e apuração do cálculo do percentual de reajuste a ser aplicado em cada um deles (Resoluções 195/2009 e 309/2012 da ANS). Nesses tipos de contrato, em vista da vulnerabilidade da empresa estipulante, dotada de escasso poder de barganha, não se admite a simples rescisão unilateral pela operadora de plano de saúde, havendo necessidade de motivação idônea" (REsp n. 1.776.047/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 23/4/2019, DJe 25/4/2019). Confira-se: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. RESCISÃO UNILATERAL E SEM MOTIVAÇÃO. CONTRATO COLETIVO COM POUCOS BENEFICIÁRIOS. FATO JURÍDICO RELEVANTE. QUEBRA DA BOA-FÉ OBJETIVA, OFENSA À FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO E AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a rescisão do contrato por conduta unilateral da operadora em face de pessoa jurídica com até trinta beneficiários deve apresentar justificativa idônea para ser considerada válida, dada a vulnerabilidade desse grupo de usuários, em respeito aos princípios da boa-fé e da conservação dos contratos" (REsp n. 1.708.317/RS, Relatora a Ministra Nancy Andrighi, DJe de 20/4/2018). Incidência da Súmula 83/STJ. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.763.223/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 26/3/2019, DJe 11/4/2019.) Ainda nesse sentido, julgado da Segunda Seção do STJ: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. CATEGORIA. MENOS DE 30 (TRINTA) BENEFICIÁRIOS. RESCISÃO UNILATERAL. PLANO INDIVIDUAL E COLETIVO. CARACTERÍSTICAS HÍBRIDAS. APLICAÇÃO DO CDC. VULNERABILIDADE CONFIGURADA. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. As avenças coletivas com número pequeno de usuários possuem natureza híbrida, pois ostentam valores similares aos planos individuais, já que há reduzida diluição do risco, além de possuírem a exigência do cumprimento de carências e, em contrapartida, estão sujeitos à rescisão unilateral pela operadora e possuem reajustes livremente pactuados, o que lhes possibilita a comercialização no mercado por preços mais baixos e atraentes. 2. Inquestionável a vulnerabilidade dos planos coletivos com quantidade inferior a 30 (trinta) beneficiários, cujos estipulantes possuem pouco poder de negociação diante da operadora, sendo maior o ônus de mudança para outra empresa caso as condições oferecidas não sejam satisfatórias. 3. Não se pode transmudar o contrato coletivo empresarial com poucos beneficiários para plano familiar a fim de se aplicar a vedação do art. 13, parágrafo único, II, da Lei n. 9.656/1998, porém, a rescisão deve ser devidamente motivada, incidindo a legislação consumerista. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 1.692.594/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/2/2020, DJe 19/2/2020.) Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 20% (vinte por cento) o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida, observando os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se. Intimem-se. Conforme exposto na decisão agravada, no caso, a recusa de renovação do contrato de plano de saúde coletivo não era legítima, porque era imotivada e seria aplicável o art. 13 da Lei n. 9.656/1998, uma vez que se trata de convênio coletivo com apenas 3 (três) dependentes. Esse entendimento está em conformidade com a orientação mais recente do STJ, segundo a qual "é descabida a resilição unilateral imotivada de contratos de plano de saúde empresariais com poucos beneficiários" (AgInt no REsp 1.749.942/SP, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 23/9/2019, DJe 26/9/2019). Nesse sentido, julgado da Segunda Seção do STJ: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. CATEGORIA. MENOS DE 30 (TRINTA) BENEFICIÁRIOS. RESCISÃO UNILATERAL. PLANO INDIVIDUAL E COLETIVO. CARACTERÍSTICAS HÍBRIDAS. APLICAÇÃO DO CDC. VULNERABILIDADE CONFIGURADA. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. As avenças coletivas com número pequeno de usuários possuem natureza híbrida, pois ostentam valores similares aos planos individuais, já que há reduzida diluição do risco, além de possuírem a exigência do cumprimento de carências e, em contrapartida, estão sujeitos à rescisão unilateral pela operadora e possuem reajustes livremente pactuados, o que lhes possibilita a comercialização no mercado por preços mais baixos e atraentes. 2. Inquestionável a vulnerabilidade dos planos coletivos com quantidade inferior a 30 (trinta) beneficiários, cujos estipulantes possuem pouco poder de negociação diante da operadora, sendo maior o ônus de mudança para outra empresa caso as condições oferecidas não sejam satisfatórias. 3. Não se pode transmudar o contrato coletivo empresarial com poucos beneficiários para plano familiar a fim de se aplicar a vedação do art. 13, parágrafo único, II, da Lei n. 9.656/1998, porém, a rescisão deve ser devidamente motivada, incidindo a legislação consumerista. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 1.692.594/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/2/2020, DJe 19/2/2020.) Assim não prosperam as alegações deduzidas, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Por fim, indefiro o pedido da parte embargada de aplicação da multa, porque não evidenciada até o momento conduta maliciosa ou temerária a justificar tal sanção. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.