AREsp 2834697 - DECISAO
O Tribunal manteve a decisão de origem por considerar que o acórdão recorrido contém fundamentação suficiente ao concluir que o banco não adotou medidas adequadas para evitar a fraude e que a alteração desse entendimento demandaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7 do STJ; assim, não há omissão nem...
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- Parties
- Agravante: ITAU UNIBANCO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade (instância De Origem)
- Outcome
- nego provimento ao agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil De Instituições Financeiras, Fraude Bancária, Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Inversão Do Ônus Da Prova, Danos Morais
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Parties
ITAU UNIBANCO S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade (instância De Origem)
Legal Issues
- 1 ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC (omissão)
- 2 responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes praticadas por terceiros
- 3 possibilidade de afastamento da responsabilidade sem reexame de prova (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve a decisão de origem por considerar que o acórdão recorrido contém fundamentação suficiente ao concluir que o banco não adotou medidas adequadas para evitar a fraude e que a alteração desse entendimento demandaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7 do STJ; assim, não há omissão nem contradição que justifique o provimento do agravo.
Court Disposition
nego provimento ao agravo em recurso especial
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial
- Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por ITAU UNIBANCO S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 386): AÇÃO DECLARATÓRIA EMPRÉSTIMO CONSIGNADO E SAQUES EM CONTA-CORRENTE TRANSAÇÕES FRAUDULENTAS - RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO FORNECEDOR DO SERVIÇO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NA RELAÇÃO DE CONSUMO DANO MATERIAL E MORAL CONFIGURADOS - MONTANTE ADEQUADO CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTENTE APELAÇÃO IMPROVIDA. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls.394-396). No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao art. 1.022 e 489 do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia, em especial sobre a segurança da tecnologia adotada pelo banco, que garante que as transações só podem ser realizadas com o cartão original e a senha correta; e comportamento do consumidor, que pagou as parcelas do empréstimo por quase três anos sem apresentar nenhuma oposição, o que seria incompatível com a alegação de desconhecimento da contratação e contrariando o princípio da boa-fé do consumidor. Aduz, no mérito, violação d os arts. 14, § 3º, I e II do CDC e 186, 188, I e 927 do CPC. Sustenta, em síntese, que, conforme jurisprudência do STJ, não há responsabilidade da instituição financeira por transações realizadas com o cartão original e senha pessoal do consumidor, salvo prova de negligência, imprudência ou imperícia por parte do banco. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 496-500). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 501-502), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fl. 602-606). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. Inicialmente, não há falar em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem, ao negar provimento à apelação, solucionou a lide em conformidade ao que foi apresentado em juízo, sobretudo porque considerou que o banco não adotou medidas adequadas para evitar a fraude, especialmente porque as transações destoavam do perfil de consumo do correntista, conforme demonstrado no extrato da conta-corrente, bem como reconheceu a boa-fé do autor, destacando que ele providenciou a lavratura de boletim de ocorrência logo após tomar conhecimento do empréstimo irregular em seu nome (fl. 387). Verifica-se, portanto, que o acórdão recorrido possui fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. Em relação à apontada ofensa aos arts. 14, § 3º, I e II do CDC e 186, 188, I e 927 do CPC, e à divergência jurisprudencial suscitada, o recurso especial não merece prosperar porquanto encontra óbices nas Súmulas 7 e 83 do Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia em harmonia com a jurisprudência do STJ. A proposito, cito o seguinte precedente: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO CUMULADA COM PEDIDO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS. RESPONSABILIDADE CIVIL. INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS. CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA E TERCEIROS. USO DE SENHA PESSOAL E ITOKEN. AUSÊNCIA DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Tema Repetitivo n. 466: "As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias" (REsp 1.197.929/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 24/08/2011, DJe de 12/09/2011). 2. No caso, o Tribunal de Justiça, com arrimo no acervo fático-probatório carreado aos autos, concluiu que não houve falha na prestação do serviço bancário prestado pela parte recorrida, ficando evidenciada a culpa exclusiva da vítima e de terceiro pelas transações bancárias, tendo em vista que foram realizadas com o uso de senha pessoal e confirmação por "iToken" do correntista, ora recorrente. A pretensão de alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria revolvimento de matéria fático-probatória, inviável em sede de recurso especial, conforme dispõe a Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.573.564/MG, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 23/6/2025, DJEN de 1/7/2025.) DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. FRAUDE BANCÁRIA. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. QUANTUM INDENIZATÓRIO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto por instituição financeira contra decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial, mantendo a condenação por danos morais devido a falha na prestação de serviço que resultou em fraude bancária. 2. O Tribunal de Justiça reconheceu a falha na prestação de serviço da ré, que resultou na criação de documentos falsos utilizados para fraudes, violando direitos da personalidade do recorrido. 3. A decisão agravada aplicou a inversão do ônus da prova, conforme o Código de Defesa do Consumidor, devido à hipossuficiência da autora e à verossimilhança das suas alegações. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a responsabilidade objetiva da instituição financeira por fraudes praticadas por terceiros pode ser afastada sem reexame de provas, em face da Súmula n. 7 do STJ; (ii) saber se o valor da indenização por danos morais fixado pela instância ordinária pode ser revisado em recurso especial. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. A responsabilidade das instituições financeiras é objetiva, fundamentada no risco da atividade, conforme o art. 14 do CDC, e não pode ser afastada sem reexame de provas, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ. 6. O valor da indenização por danos morais só é passível de revisão se for irrisório ou exorbitante, o que não se verifica no caso concreto, conforme a instância ordinária. 7. A decisão agravada está em consonância com a jurisprudência do STJ, que estabelece a responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes praticadas por terceiros. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Agravo interno desprovido. Tese de julgamento: "1. As instituições financeiras respondem objetivamente por fraudes praticadas por terceiros, caracterizando-se como fortuito interno. 2. A revisão do valor da indenização por danos morais é cabível apenas em casos de irrisoriedade ou exorbitância, o que não se verifica no presente caso". Dispositivos relevantes citados: CDC, art. 6º, VIII; CDC, art. 14, § 1º e § 3º, II; CF/1988, art. 5º, X. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 1.199.782/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 24/8/2011; STJ, AgInt no AREsp n. 1.690.580/CE, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 22/3/2021. (AgInt no AREsp n. 2.616.266/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 1/9/2025, DJEN de 4/9/2025.) Ademais, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à conclusão de que o banco não adotou medidas adequadas para evitar a fraude e que tinha plenas condições de detectá-la em contato com o titular do cartão, mas não o fez, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado, em recurso especial, pela Súmula n. 7 do STJ. Nesse sentido: 5. A responsabilidade das instituições financeiras é objetiva, fundamentada no risco da atividade, conforme o art. 14 do CDC, e não pode ser afastada sem reexame de provas, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ. (AgInt no AREsp n. 2.616.266/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 1/9/2025, DJEN de 4/9/2025.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA