AREsp 1946179 - DECISAO
O Tribunal verificou que o Tribunal de origem examinou integralmente as questões suscitadas, inclusive a alegação de culpa exclusiva do motorista, e que acolhê-las exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, circunstância vedada pela Súmula 7/STJ; assim conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso...
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- Parties
- Agravante: DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNIT; Agravado: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido Para Conhecer Parcialmente Do Recurso Especial E Negar Lhe Provimento
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil Do Estado, Culpa Concorrente, Embargos De Declaração, Súmula 7/stj, Reexame Do Conjunto Fático Probatório
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Parties
DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNIT
Agravante
parte autora
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido Para Conhecer Parcialmente Do Recurso Especial E Negar Lhe Provimento
Legal Issues
- 1 alegação de omissão quanto à análise da prova relativa à culpa exclusiva do motorista
- 2 violações apontadas aos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 3 necessidade de prova da culpa administrativa subjetiva pela Administração
Ratio Decidendi
O Tribunal verificou que o Tribunal de origem examinou integralmente as questões suscitadas, inclusive a alegação de culpa exclusiva do motorista, e que acolhê-las exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, circunstância vedada pela Súmula 7/STJ; assim conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento
Orders
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto pelo DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNITem face de decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que inadmitiu o recurso especial manejado contra acórdãoassim ementado: ADMINISTRATIVO. AÇÃO ORDINÁRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. OMISSÃO CULPOSA. CONFIGURADA. CULPA CONCORRENTE. NÃO DEMONSTRADA. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Os pressupostos dar responsabilidade civil do Estado são: a) ação ou omissão; b) dano injusto ou antijurídico sofrido por terceiro; c) nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano experimentado por terceiro. 2. No caso, os elementos de prova demonstram a existência de buracos na estrada, imputáveis à omissão do dever de manutenção da rodovia. O dano decorre desses, restando configurada a responsabilidade. 3. A prova produzida não demonstra haver culpa concorrente do motorista. 4. A correção monetária incide a partir do evento danoso. 5. Apelação da parte autora provida. Improvida a apelação da ré. Opostos embargos de declaração, foram acolhidos, apenas para fins de prequestionamento,em acórdão assim ementado: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO EMBARGADO. 1. Os embargos de declaração são cabíveis para o suprimento de omissão, saneamento de contradição, esclarecimento de obscuridade ou correção de erro material no julgamento embargado. A jurisprudência também os admite para fins de prequestionamento. 2. Os embargos declaratórios não se prestam à reforma do julgado proferido, nem substituem os recursos previstos na legislação processual para que a parte inconformada com o julgamento possa buscar sua revisão ou reforma. 3. Embargos declaratórios parcialmente providos apenas para fins de prequestionamento. Nas razões do recurso especial, o recorrente aduz que o Tribunal de origem violou os artigos489, II, §1, IV e 1.022,II, do CPC, tendo em vista que não teria sanado aomissão quanto à análise da prova dos autos da culpa exclusiva do motorista. Ademais, indica a existência de violação aos arts. 186,403, 844,927, 944e 945, do Código Civil, bem como ao art. 373 do CPC, ao argumento de que "em se tratando de condenação imposta à Administração (DNIT), era imprescindível a provada ocorrência da culpa administrativa, do tipo subjetiva, através da demonstração de vícios ou de faltas na prestação do serviço pelo Administrador, o que não foi, devidamente, realizado na instrução processual". Defende que houve culpa exclusiva da vítima e que não há sustentação para a fixação de danos morais. Foram apresentadas contrarrazões. O recurso especial foi inadmitido pelo Tribunal de origem à consideração de que incide no caso o óbice da Súmula 7/STJ. Nas suas razões de agravo, a parte agravante impugnou o fundamento da decisão de inadmissibilidade do recurso especial. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC . A parte agravante impugnou a fundamentação contida na decisão agravada e, mostrando-se preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade do presente recurso, adentra-se o mérito. No caso dos autos, conforme se extrai do acórdão recorrido, cuida-se de ação de indenização por danos materiais, proposta em face doDEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNIT,em razão de acidente de trânsito em rodovia federal. Em primeira instância,opedido foi julgado parcialmente procedente e, interpostas apelações, o Tribunal local negou provimento aorecurso do DNIT e deu parcial provimento ao recurso da parte autora, para reconhecer a responsabilidade integral da autarquia federal pelo dano, com os seguintes fundamentos (e-STJ, fl. 267): "No caso, os elementos de prova demonstram a existência de buracos na estrada, imputáveis à omissão do dever de manutenção da rodovia. Conclui-se que o acidente decorre desses, ensejando a responsabilidade do DNIT. A prova produzida, contudo, não evidencia a culpa concorrente do motorista. Não há elementos probatórios que indiquem excesso de velocidade, falta de cautela ou descumprimento de normas de trânsito. Tampouco é possível afirmar que em outra situação seria possível alguma manobra pelo motorista. Pelo contrário, a imagem da estrada demonstra a existência de quatro buracos que comprometiam substancialmente a pista. Embora elementos indiquem haver contrato de manutenção e que, no geral, a estrada estava em condições regulares, na data do acidente havia buracos e o dano decorre desses. Não se trata de imputar ao Estado a condição de segurador universal, mas apenas que o dano ocorrido decorre de omissão culposa. Assim, deve ser acolhida a alegação da parte autora e rejeitados os argumentos do DNIT." Primeiramente, acerca da alegação de violação dos artigos 489 e 1.022 do CPC, verifica-se que o Tribunal a quo apreciou todas as questões postas para sua análise, inclusive a alegação de culpa exclusiva da vítima. Ora, a solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao artigo 1.022 do CPC/2015, pois não há que se confundir decisão contrária aos interesses da parte com negativa de prestação jurisdicional. Ilustrativamente: DIREITO MINERÁRIO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPLORAÇÃO MINERAL ILEGAL. PATRIMÔNIO PÚBLICO. DOMÍNIO DA UNIÃO. ART. 20, IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE DECRETO AUTORIZATIVO. SUSPENSÃO DE LAVRA. ATO DE CONCESSÃO POSTERIOR. PRETENSÃO RESSARCITÓRIA. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. .. 3. Constata-se que não se configura a ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que a Corte Regional julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. O simples descontentamento da parte com o julgado não tem o condão de tornar cabíveis os Embargos de Declaração, que servem ao aprimoramento da decisão, mas não à sua modificação, que só muito excepcionalmente é admitida. In casu, fica claro que não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado e que os Aclaratórios veiculam mero inconformismo com o conteúdo da decisão embargada, que foi desfavorável à recorrente. .. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1740173/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/05/2019, DJe 23/05/2019) PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73 (ART. 1.022 CPC/2018). INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. ALEGAÇÃO DE OFENSA A ENUNCIADO DE SÚMULA. NÃO CABIMENTO. .. III - Não se configura, portanto, a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil de 1973 (art. 1.022 do CPC/15), uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. IV - Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp n. 1.486.330/PR, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 24/2/2015; AgRg no AREsp n. 694.344/RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 2/6/2015; EDcl no AgRg nos EAREsp n. 436.467/SP, Rel. Ministro João Otávio De Noronha, Corte Especial, DJe 27/5/2015. V - Dessarte, como se observa de forma clara, não se trata de omissão, mas sim de inconformismo direto com o resultado do acórdão, que foi contrário aos interesses da parte recorrente. VI - Ressalte-se que a mera insatisfação com o conteúdo da decisão embargada não enseja embargos de declaração. Esse não é o objetivo dos aclaratórios, recurso que se presta tão somente a sanar contradições ou omissões decorrentes da ausência de análise dos temas que lhe forem trazidos à tutela jurisdicional, no momento processual oportuno, conforme o art. 535 do CPC/73. .. XI - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1606681/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 05/04/2019) Ademais, verifica-seque o Tribunal de origem concluiu que aprova produzidanão evidencia a culpa concorrente do motorista. Destarte, o acolhimento da pretensão recursal de que foi não foi comprovadaa culpa da administração ou de que houve culpa exclusiva da vítima demandaria o revolvimento do conjunto fático probatório dos autos, esbarrando no óbice da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.DNIT. ACIDENTE DE TRÂNSITO CAUSADO POR DESNÍVEL DE PISTA (BURACO) E DESMORONAMENTO DO ACOSTAMENTO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. ACÓRDÃO DE ORIGEM QUE, À LUZ DA PROVA DOS AUTOS, CONCLUIU PELA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ENTE PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. DANOS MORAIS. REDUÇÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. ALÍNEA "C" PREJUDICADA. 1. Cuida-se, na origem, de Ação de Reparação de Danos, na qual a parte autora busca a responsabilização civil do DNIT por danos morais e materiais (ressarcimento e pensão vitalícia) em razão da morte do esposo/pai/irmão em acidente automobilístico, ocorrido em 11/07/2009. 2. A Corte de origem, com base nas provas carreadas aos autos, reconheceu o nexo de causalidade entre a omissão do Estado (não tomar as providências diante da existência de falha na pista de rolamento e acostamento, quer consertando o local, quer sinalizando para alertar os motoristas que por ali trafegavam) e o dano sofrido pelos ora recorridos. 3. Modificar o entendimento firmado no acórdão recorrido, aferindo se houve ou não omissão dos agentes públicos e existência de nexo causal, exige reexame do conjunto fático-probatório, circunstância que redunda na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 4. No que se refere ao valor da indenização, fixada a título de danos morais, o Tribunal a quo, em face das peculiaridade fáticas do caso, consignou que, "considerando a gravidade (perda do ente querido e provedor), cabe manter o montante indenizatório definido na decisão recorrida a título de danos morais de R$ 160.000,00, na base de R$ 50.000,00 para mãe e filhas menores e R$ 10.000,00 para o irmão" (fl. 272, e-STJ), quantum que merece ser mantido, por consentâneo com os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Conclusão em contrário também encontra óbice na Súmula 7/STJ. 5. Outrossim, a necessidade do nova análise da matéria fática inviabiliza o Recurso Especial também pelo art. 105, III, "c", da Constituição Federal, ficando, portanto, prejudicado o exame da divergência jurisprudencial. 6. Agravo conhecido para não conhecer do Recurso Especial. (AREsp 598.512/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 18/12/2020) Ante o exposto, com fundamento no art. 932, III, do CPC/2015,conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.VIOLAÇÃO DO ARTIGO 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DEVER DE INDENIZAR NO CASO CONCRETO. PROPORÇÃO DA CULPA.SÚMULA 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO.