REsp 1571600 - DECISAO
O Tribunal manteve o reconhecimento do nexo causal entre a omissão do DNIT/União e o acidente por animais na rodovia, não sendo possível o reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ). Quanto aos encargos moratórios, aplicou-se a orientação desta Corte sobre a inaplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO; Recorrido: Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT); Autora: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido Parcialmente E Provido Quanto À Adequação Dos Juros Moratórios E Da Correção Monetária
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial da UNIÃO e, nessa extensão, dou-lhe provimento para adequar os juros moratórios e a correção monetária nos termos da fundamentação.
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil Do Estado, Danos Morais E Materiais, Juros De Mora E Correção Monetária, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/1997 (lei 11.960/2009), Prequestionamento (súmula 211/stj), Impossibilidade De Reexame De Provas (súmula 7/stj)
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Parties
UNIÃO
Recorrente
Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT)
Recorrido
parte autora
Autora
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido Parcialmente E Provido Quanto À Adequação Dos Juros Moratórios E Da Correção Monetária
Legal Issues
- 1 responsabilidade do DNIT e da União por acidente causado por animais na rodovia
- 2 existência de omissão do Poder Público e nexo causal entre omissão e dano
- 3 aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação da Lei 11.960/2009) à correção monetária e juros de mora nas condenações impostas à Fazenda Pública
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve o reconhecimento do nexo causal entre a omissão do DNIT/União e o acidente por animais na rodovia, não sendo possível o reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ). Quanto aos encargos moratórios, aplicou-se a orientação desta Corte sobre a inaplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 à correção monetária das condenações impostas à Fazenda Pública e a necessidade de adequação dos índices de juros de mora e correção monetária conforme a natureza da condenação (itens fixados no julgamento do Tema 905/STJ), razão pela qual conheceu parcialmente do recurso da União e deu-lhe provimento na extensão de adequar juros e correção monetária conforme a fundamentação.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial da UNIÃO e, nessa extensão, dou-lhe provimento para adequar os juros moratórios e a correção monetária nos termos da fundamentação.
Orders
- Publique-se.
- Intimações necessárias.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela UNIÃO, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal (CF), no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO assim ementado (fl. 288): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. LEGTITIMIDADE PASSIVA. ACIDENTE FALTAL COM ANIMAIS EM RODOVIA FEDERAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO DNIT E UNIÃO. CONDENAÇÃO EM DANO MORAL E MATERIAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADDO. ART. 37, PARÁGRAFO 6º, DACONSTITUIÇÃO FEDERAL. DANOS MORAIS E MATERIAIS ESTIPULADOS DENTRO DO PERMISSIVO LEGAL. APELOS E REMESSSA OFICIAL IMPROVIDOS. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados nos termos da seguinte ementa (fl. 359): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 11.960/09. INAPLICABILIDADE. EMBARGOS NÃO PROVIDOS. 1. Levados estes autos a julgamento na Sessão de 14/10/14, o relator do feito deu parcial provimento aos embargos para que os juros e correção monetária fossem calculados com base no rendimento da caderneta de poupança, no que restou vencido pelos votos dos demais Desembargadores integrantes da eg. 4ª Turma. 2. O art. 5º da Lei nº 11.960/09 deu nova redação ao art. 1º-F da Lei 9.494/97, atribuindo nova sistemática para o cômputo dos juros de mora devidos pela Fazenda Pública, qual seja, juros aplicados à caderneta de poupança. 3. No entanto, o STF, no julgamento das ADINS 4357 E 4425, reconheceu, por arrastamento, a inconstitucionalidade do artigo 5ºda Lei nº 11.960/09. Segundo restou decidido, "O art. 1º-F da Lei 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, ao reproduzir as regras da EC nº 62/09 quanto à atualização monetária e à fixação de juros moratórios de créditos inscritos em precatórios incorre nos mesmo vícios de juridicidade que inquinam o art. 100, § 12, da CF, razão pela qual se revela inconstitucional por arrastamento, na mesma extensão dos itens 5 e 6 supra." (STF. Pleno. ADI 4425/DF. Rel. Min. AYRESBRITTO. Rel. p/acórdão Min. LUIZ FUX. Julg. 14/03/2013). 4. O sobrestamento do julgamento no col. STF, para fins de modulação dos seus efeitos, diz respeito apenas à forma como deverão ser pagos os precatórios judiciais. Nada impede que, de logo, se dê aplicação ao que nele restou decidido quanto à inconstitucionalidade por arrastamento do art. 5º da Lei 11.960/09. Nesse sentido, a decisão liminar do Ministro TEORI ZAVASCKI, nos autos da Medida Cautelar na Reclamação 16.745/SC, proferida em 13/11/2013 (DJe 20/11/2013). 5. Sendo inconstitucional o art. 5º da Lei nº 11.960/09, que determina que tanto dos juros de mora quanto a correção monetária seriam englobados num mesmo sistema de remuneração, segundo os índices da caderneta de poupança, devem ser restaurados a forma de cômputo e os índices anteriormente praticados. 6. Embargos de declaração não providos. Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação dos arts. 219 e 333, I, do Código de Processo Civil (CPC); 43, 927 e 944 do Código Civil (CC); e 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009; e à Súmula 362 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Sustenta, em síntese: (a) que a parte autora não comprovou nenhuma conduta omissa por parte do Poder Público; (b) a necessidade de redução do valor fixado a título de danos morais; (c) que o termo inicial da incidência dos juros de mora deve ser a data da citação; e (d) a aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 468/473). É o relatório. A irresignação não merece prosperar. Nos termos do que foi decidido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo 2). Inicialmente, em relação à alegada violação da Súmula 362/STJ, do recurso especial não se pode conhecer porque não é a via recursal adequada para exame de ofensa a enunciados de súmula por não se enquadrar no conceito de tratado ou lei federal de que trata o art. 105, inciso III, alínea a, da CF . Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015 NÃO CARACTERIZADA. ALEGADA OFENSA À SÚMULA 519/STJ. INVIABILIDADE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ESCOADO O PRAZO PARA PAGAMENTO VOLUNTÁRIO. CABIMENTO. RESP 1.134.186/RS. REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. .. 2. Quanto ao afrontamento à Súmula 519/STJ, é vedado ao STJ analisar violação de súmula porque o termo não se enquadra no conceito de lei federal. .. 7. Agravo Interno não provido (AgInt no REsp 1.889.960/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/2/2021, DJe 1º/3/2021 - sem destaques no original). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR QUE CULMINOU NA SUA DEMISSÃO. VERIFICAÇÃO QUE DEPENDE NO REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. NÃO CABIMENTO DE RECURSO ESPECIAL POR VIOLAÇÃO À SÚMULA. .. 3. De outro lado, no que se refere à alegada infringência à Súmula 343/STJ, esta Corte firmou entendimento de que enunciado ou súmula de tribunal não equivale a dispositivo de lei federal, restando desatendido o requisito do art. 105, III, a, da CF. Nesse sentido, sobressaem os seguintes precedentes: REsp 1.347.557/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 5/11/2012; AgRg no Ag 1.307.212/MS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 7/12/2012. .. 5. Agravo interno não provido (AgInt no AREsp 1.468.730/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 28/10/2019, DJe 4/11/2019 - sem destaques no original). Registro que esta Corte Superior editou a Súmula 518, segundo a qual, "para fins do art. 105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". No mais, nos exatos termos do acórdão recorrido, o Tribunal de origem assim se manifestou: A sentença é explicita em afirmar a inexistência de culpa do condutor do veículo em trecho transcrito que bem elucida a questão: "28. No caso dos autos, o Boletim de Acidente de Trânsito (identificador n. 36964) traz a informação de que, conforme vestígios e levantamentos feitos no local do acidente, o veículo do de cujus seguia fluxo normalmente e colidiu com animais que se encontravam sobre a pista de rolamento, perdendo, assim, o controle do veículo e saindo da pista em seguida, o que ocasionou o falecimento de Erivaildo Targino Maranhão. Logo, tal narrativa permite presumir que a colisão narrada no BOAT ocorreu quando o veículo, trafegando na via própria, esbarrou-se em animais que já se encontravam sobre a pista de rolamento, afastando-se, destarte, qualquer ilação sobre a existência de alguma conduta imprudente por parte do condutor, como causa provocadora do acidente automobilístico, e evidenciando a falha da fiscalização da parte ré em relação ao trânsito de animais no trecho rodoviário em questão. 29. Vale ressaltar que, em harmonia com o BOAT acostado aos autos, é perceptível que o local onde ocorreu o acidente de trânsito não dispunha de defensa e sarjeta, que a cerca encontrava-se danificada e que só existia sinalização vertical sem indicação de presença de animais, bem como que o veículo envolvido no acidente possuía pneus em bom estado de conservação e que o seu condutor não apresentava vestígio de ingestão de álcool. 30. Dessa maneira, observo que o BOAT emitido pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal é claro e conclusivo ao narrar que o V1 (veículo que era conduzido pelo motorista que faleceu no local do acidente), abalroou animais já posicionados na pista de rolamento regular de veículos, não dando margem a alguma reação imediata por parte da vítima que pudesse evitar a colisão frontal e fatal, de modo que não há de se falar em culpa exclusiva nem concorrente da vítima para a eclosão do evento lesivo." Assim, na espécie, o DNIT e a União não lograram comprovar que o acidente foi ocasionado por culpa exclusiva da vítima, o que poderia afastar sua responsabilidade. Ao contrário, encontra-se suficientemente evidenciada a omissão do Poder Público e sua relevância na existência do acidente. A Lei nº 10.233/2001, que criou o DNIT, prevê, em um de seus dispositivos (art. 82, IV), que cumpre a essa autarquia administrar programas de operação de rodovias, donde decorre o dever de fiscalização da presença de animais nas estradas, como, também, o dever de adoção de providências preventivas, a exemplo da atuação junto aos proprietários dos animais, instalação de barreiras físicas à beira da estrada, de modo a evitar ou minimizar a circulação de animais na pista, e instalação de sinalização indicativa da presença de animais (fls. 285/286 - sem destaques no original). O Tribunal de origem reconheceu o nexo causal entre a conduta omissiva do Poder Público e o evento danoso, tendo em vista o não cumprimento por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) do dever de fiscalização da presença de animais nas estradas e de adoção de providências preventivas. Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Sendo assim, incide no presente caso a Súmula 7/STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido, cito os seguintes julgados desta Corte: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. DNIT. ACIDENTE DE TRÂNSITO CAUSADO POR DESNÍVEL DE PISTA (BURACO) E DESMORONAMENTO DO ACOSTAMENTO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. ACÓRDÃO DE ORIGEM QUE, À LUZ DA PROVA DOS AUTOS, CONCLUIU PELA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ENTE PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. DANOS MORAIS. REDUÇÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. ALÍNEA "C" PREJUDICADA. 1. Cuida-se, na origem, de Ação de Reparação de Danos, na qual a parte autora busca a responsabilização civil do DNIT por danos morais e materiais (ressarcimento e pensão vitalícia) em razão da morte do esposo/pai/irmão em acidente automobilístico, ocorrido em 11/07/2009. 2. A Corte de origem, com base nas provas carreadas aos autos, reconheceu o nexo de causalidade entre a omissão do Estado (não tomar as providências diante da existência de falha na pista de rolamento e acostamento, quer consertando o local, quer sinalizando para alertar os motoristas que por ali trafegavam) e o dano sofrido pelos ora recorridos. 3. Modificar o entendimento firmado no acórdão recorrido, aferindo se houve ou não omissão dos agentes públicos e existência de nexo causal, exige reexame do conjunto fático-probatório, circunstância que redunda na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. .. 6. Agravo conhecido para não conhecer do Recurso Especial. (AREsp n. 598.512/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/11/2020, DJe de 18/12/2020 - sem destaques no original.) A alegação de violação dos arts. 219 do CPC e 944 do CC não é suficiente para se ter as questões de direito como prequestionadas, instituto que, para sua caracterização, exige, além da alegação, a discussão e a apreciação judicial pelo Tribunal de origem. A jurisprudência desta Corte Superior considera que a ausência de enfrentamento pelo Tribunal de origem da matéria impugnada, objeto do recurso, não obstante a oposição de embargos de declaração, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 211/STJ. Por fim, quanto aos consectários legais da condenação, no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, Tema 905/STJ, submetidos ao regime de recursos repetitivos, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário 870.947/SE, a Primeira Seção deste Tribunal fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável às condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo que se falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou o pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.492.221/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe 20/3/2018.) Assim, tratando-se de demanda referente a condenações judiciais de natureza administrativa geral, devem ser aplicados os índices de correção monetária e juros de mora consoantes disposto no item 3.1 da ementa acima colacionada. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I e III, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (RISTJ) , conheço parcialmente do recurso especial da UNIÃO e, nessa extensão, dou-lhe provimento a fim de adequar os juros moratórios e a correção monetária nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimações necessárias. EMENTA