AREsp 2681475 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as questões de direito federal indicadas pelo recorrente não foram devidamente prequestionadas pelo Tribunal de origem ou suas razões estavam dissociadas da fundamentação do acórdão recorrido, sendo, ademais, inviável o reexame fático-probatório em...
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- Parties
- Agravante/recorrente: EQUATORIAL GOIAS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.; Tribunal De Origem/recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decidido Agravo Conhecido E Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil Extracontratual, Danos Materiais E Morais, Responsabilidade Objetiva, Teoria Do Risco Administrativo (art. 37, §6º/cf), Prequestionamento, Impossibilidade De Reexame De Provas (súmula 7/stj), Honorários Advocatícios
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Parties
EQUATORIAL GOIAS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
Agravante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Tribunal De Origem/recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decidido Agravo Conhecido E Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 alegação de ofensa aos arts. 186 e 927 do Código Civil
- 2 alegação de excludente de responsabilidade (art. 393 do CC)
- 3 alegação de desproporcionalidade no quantum dos danos morais
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as questões de direito federal indicadas pelo recorrente não foram devidamente prequestionadas pelo Tribunal de origem ou suas razões estavam dissociadas da fundamentação do acórdão recorrido, sendo, ademais, inviável o reexame fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ); quanto ao quantum indenizatório, não houve excepcionalidade que justificasse a revisão, mantido o valor fixado pela instância ordinária; determinou-se ainda a majoração dos honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por EQUATORIAL GOIAS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, o qual não admitiu recurso especial fundado na alínea "a" do permissivo constitucional e desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 1048): APELAÇÃO CÍVEL E RECURSO ADESIVO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ACIDENTE OCASIONADO POR CABO ENERGIZADO DESPRENDIDO DO POSTE POR FALTA DE MANUTENÇÃO DA CELG. MICRO-ÔNIBUS QUE REALIZAVA O TRANSPORTE ESCOLAR DE CRIANÇAS E DA AUTORA ATINGIDO. CHOQUE ELÉTRICO QUE OCASIONOU A MORTE DO MOTORISTA E DE UMA CRIANÇA. QUEIMADURAS SOFRIDAS PELA REQUERENTE. CORRENTE ELÉTRICA PERCORRIDA PELO SEU CORPO. INCAPACIDADE LABORAL TOTAL E PERMANENTE. CULPA DA CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA. RESPONSABILIDADE CIVIL. DEVER DE INDENIZAR. PENSIONAMENTO VITALÍCIO. DANOS MORAIS - JUROS DE MORA DEVIDOS A PARTIR DO EVENTO DANOSO.APELO DESPROVIDO. RECURSO ADESIVO PROVIDO. HONORÁRIOS RECURSAIS MAJORADOS. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 1161/1176). No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação dos arts. 186, 393, 844 e 927, todos do Código Civil, argumentando que: a) tratando-se de responsabilidade por omissão, deve-se perquirir a culpa do agente prestador do serviço público, mitigando a teoria do risco administrativo do art. 37, §6º, da CF; b) ocorreu excludente de responsabilidade (força maior) e c) há exorbitância e desproporcionalidade no valor fixado para a indenização a título de danos morais (e-STJ fls. 1180/1195). Contrarrazões às e-STJ fls. 1259/1271. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Decisão da Presidência que atestou intempestividade recursal foi tornada sem efeito às e-STJ fls. 1568/1569. Passo a decidir. Em relação à alegada ofensa dos arts. 186 e 927 do CC, o Tribunal de origem se pronunciou, nos seguintes termos (e-STJ fls. 1051/1054): No presente caso, trata-se de responsabilidade civil extracontratual, que a autora alega culpa da ré sob o incidente que supostamente lhe desencadeou Transtorno de Estresse Pós-Traumático e, por conseguinte, incapacidade laborativa. O Código Civil, em seu art. 186, diz que, aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Ato ilícito é um ato praticado em desacordo com a ordem jurídica, que viola direitos e causa prejuízos a uma outra pessoa, situação na qual nasce o dever de reparar o dano. .. Nos termos do art. 186 do CC, o ato ilícito baseia-se na soma de dois fatores: (a) a lesão (violação) a um direito; (b) o dano causado. Ao preencher os dois requisitos supracitados, surge a obrigação de indenizar, isto é, de reparar o dano. Isso porque, nos termos do art. 927 do CC "Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo". Isto posto, para que a ilicitude indenizável seja reconhecida é necessário provar-se a culpa do agente, bem como o nexo de causalidade entre o dano e a conduta do agente. (..). Outrossim, no âmbito constitucional, por se tratar a ré de particular concessionária do serviço, atrai para si a aplicação da norma do direito administrativo demandada pelo artigo 37, §6º da Carta Magna: "§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. A Constituição brasileira, consoante artigo mormente citado, optou por um sistema de responsabilidade objetiva baseado na Teoria do Risco, mais favorável às vítimas do que às pessoas públicas ou privadas concessionárias de serviço público, no qual a simples demonstração do nexo causal entre a conduta do agente e o dano sofrido pelo administrado é suficiente para desencadear a obrigação de indenizar o particular que sofre o dano. Quanto ao incidente, restou comprovado pelo laudo da Polícia-Técnico científica, acostado aos autos, a presença do nexo de causalidade, transcrevo: (..). É indubitável o dever da concessionária quanto à manutenção e fiscalização das redes elétricas de alta tensão que compõem a malha estadual, sobretudo as que atravessam vias, logradouros públicos e propriedade rurais. A responsabilidade da ré nessa demanda é objetiva, ou seja, independe de dolo ou culpa, bastando à comprovação de que a parte autora suportou danos decorrentes da falha na prestação de serviços daquela. (Grifos acrescidos). Como se observa do trecho acima, a Corte goiana anotou que a hipótese dos autos trata da responsabilidade objetiva, que independe de dolo ou culpa para sua configuração. Ao esboçar nas razões recursais que, no caso, "deve-se perquirir a culpa do agente prestador de serviço público, mitigando a Teoria do Risco Administrativo, prevista no art. 37, § 6º da Constituição Federal, vez que a Recorrente é acusada de conduta omissiva" (e-STJ fl. 1189), o recorrente apresenta razões dissociadas do que foi decidido pelo acórdão recorrido, circunstância atrativa do óbice contido na Súmula 284 do STF. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. (..) 3. Nas razões do Recurso Especial, a parte deixou de atacar os fundamentos adotados pela Corte regional para decidir a controvérsia no que tange ao arbitramento de honorários advocatícios, limitando-se a sustentar que este deveria ser aplicado sobre o valor da causa, e não sobre o da condenação. Nesse contexto, tendo a parte recorrente se limitado a manifestar seu inconformismo com o resultado que lhe foi desfavorável, apresentando fundamento deficiente, com razões recursais dissociadas da fundamentação do acórdão objurgado, têm incidência, na espécie, por analogia, as Súmulas 283 e 284 do STF. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1860013/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22/06/2020, DJe 21/08/2020) Demais disso, observa-se que o Tribunal de origem não analisou, ainda que implicitamente, a tese recursal, o que demonstra a carência do requisito constitucional do prequestionamento. Esse é o entendimento pretoriano consagrado na edição da Súmula 282 do STF, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. No que toca à alegação de contrariedade ao art. 393 do CC (excludente de responsabilidade), registre-se que o presente apelo nobre carece do requisito constitucional do prequestionamento, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre o preceito tido por violado, tampouco o tema foi invocado nos embargos de declaração opostos, incidindo, mais uma vez, a Súmula 282 do STF. Conquanto não seja exigida a menção expressa ao dispositivo de lei federal, a admissibilidade do recurso na instância excepcional pressupõe que a Corte de origem tenha se manifestado sobre a tese jurídica apontada pelo recorrente, o que não ocorreu no presente caso. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 182/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CHEQUE. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA À LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 284/STF. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSÃO DE PREQUESTIONAMENTO FICTO. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO NCPC EM RELAÇÃO À MATÉRIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO NO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 283/STF. ARRESTO PRÉVIO À CITAÇÃO. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO AOS AUTOS. SENTENÇA POSTERIOR. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (..) 4. Não enseja a interposição de recurso especial matéria que não tenha sido debatida no acórdão recorrido e sobre a qual não tenham sido opostos embargos de declaração, a fim de suprir eventual omissão. Ausente o indispensável prequestionamento, aplicando-se, por analogia, as Súmulas 282 e 356 do STF. 5. É entendimento desta Corte Superior que "O reconhecimento da nulidade de atos processuais exige efetiva demonstração de prejuízo suportado pela parte interessada, em respeito ao princípio da instrumentalidade das formas (pas de nullité sans grief)" (AgRg no AgRg no AREsp 4.236/GO, de minha relatoria, Quarta Turma, DJe de 2/4/2014). 5. Agravo interno provido para conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 2.007.763/SP, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 26/8/2022). ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXTENSAS ÁREAS DA BARRA DA TIJUCA E JACARÉPAGUA (RJ). LEVANTAMENTO DE PRECATÓRIO. DÚVIDA SOBRE O DOMÍNIO. TESE AFASTADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO COM BASE NO CONTEXTO FÁTICO. DECISÃO ANTERIOR COM TRÂNSITO EM JULGADO APÓS RECURSOS AOS TRIBUNAIS SUPERIORES RECONHECEREM USUCAPIÃO TABULAR EM FAVOR DOS EXPROPRIADOS RECORRIDOS. PERMANÊNCIA DA DÚVIDA EM RELAÇÃO A TERCEIROS. SÚMULA N. 7/STJ. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE CERTIDÕES FISCAIS PRÉVIAS AO LEVANTAMENTO. TESE NÃO DISCUTIDA E NÃO OBJETO DE ACLARATÓRIOS NA ORIGEM. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. DIVERSOS PEDIDOS DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS REJEITADOS OU NÃO CONHECIDOS. AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL NÃO CONHECIDA. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. (..) 9. A tese recursal de ser necessária a apresentação de certidões de regularidade fiscal para levantamento dos precatórios há tempos expedidos, decorrentes de desapropriação iniciada em 1962 e transitada em julgado em 1994, não foi objeto de deliberação na origem, não tendo sido nem sequer opostos aclaratórios diante da suposta omissão. Ainda que se admita a criação legal de hipóteses de prequestionamento fictício, que aqui não se cogita, permanece o requisito constitucional de que o recurso especial se volte contra matéria decidida pela instância ordinária. Ante a ausência dos embargos ao acórdão recorrido, incide a pretensão nos óbices das Súmulas n. 282/STF (É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada) e 356/STF (O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento). 10. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. (AREsp n. 1.254.617/RJ, Relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 4/8/2022, DJe de 27/9/2022). A respeito do valor da indenização arbitrada a título de danos morais, observo que incide no caso o óbice da Súmula 7 do STJ, pois esta Corte entende que a revisão do quantum indenizatório somente é possível em hipóteses excepcionais, quando verificada a ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. No caso, não há excepcionalidade a suplantar o aludido óbice sumular, porquanto mantido no aresto recorrido o valor arbitrado na sentença R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), o qual fora fixado pelo princípio da razoabilidade e da proporcionalidade e considerado suficiente para compensar o abalo psíquico sofrido pela vítima (e-STJ fls. 1056/1057). Acerca da hipótese: CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ANIMAL DE ESTIMAÇÃO. MORTE POR ELETROCUSSÃO. IRREGULARIDADES NO SISTEMA DE ENERGIA. COMPROVAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7 DO STJ. PLEITO DE REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. VERBA FIXADA COM RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A parte ora agravante não desenvolveu argumentação que evidenciasse a ofensa aos arts. 489, II, § 1º, IV, e 1.022 do CPC/2015, apontados como violados, caracterizando a deficiência na fundamentação do apelo especial, circunstância que atrai, por analogia, a incidência da Súmula 284 do STF. 2. No caso, o eg. Tribunal de origem, com fundamento nas provas documentais trazidas aos autos, reconheceu a responsabilidade da agravante, em razão de irregularidades no sistema de energia, circunstância que acarretou a morte do animal de estimação da autora por eletrocussão. 3. A modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido, no sentido de demonstrar a ausência de provas da responsabilidade, demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 4. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que a revisão de indenização por danos morais só é possível em recurso especial quando o valor fixado nas instâncias locais for exorbitante ou ínfimo, de modo a afrontar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 5. Não se mostra excessivo o valor do dano moral fixado em R$ 10.000,00 (dez mil reais), sendo desnecessária a intervenção desta Corte para alterá-lo.6. Agravo interno desprovido.(AgInt no AREsp n. 2.347.685/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 19/4/2024) PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL. SERVIÇO DE ENERGIA ELÉTRICA. AMPLA. ALEGAÇÃO DE DESCARGA ELÉTRICA QUE LEVOU A ÓBITO CAVALO DA RAÇA "QUARTO DE MILHA". PRETENSÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, CUMULADA COM INDENIZATÓRIA POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação objetivando a condenação da ré, em caráter de urgência, a realizar reparos na rede elétrica de sua propriedade, com a troca do poste e fiação, além do pagamento de indenização por danos materiais. Na primeira instância, a ação foi julgada parcialmente procedente. O Tribunal a quo, em grau recursal, deu parcial provimento ao recurso. (..) V - Em relação aos artigos 884, 944, 402 e 403, ambos do Código Civil, e ao artigo 373, inciso I, do CPC/2015, apontados como violados, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria, especialmente no que tange a comprovação do nexo causal e preenchimento dos requisitos autorizadores da responsabilidade da ré. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". VI - Frise-se que o Superior Tribunal de Justiça só pode rever o quantum indenizatório fixado a títulos de danos morais em ações de responsabilidade civil quando irrisórios ou exorbitantes, o que não ocorreu na espécie. VII - Agravo interno improvido.(AgInt no AREsp n. 2.273.973/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 8/5/2023, DJe de 10/5/2023.) Ante o exposto, com base no art. 253, II, "a", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a majoração de tal verba, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA