AREsp 1927252 - DECISAO
O agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial porque a recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais supostamente violados (incidindo o óbice da Súmula 284/STF), e porque o mérito da pretensão exigiria reexame do conjunto fático-probatório (incidindo a Súmula 7/STJ); ademais, não foi...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: ELENICE RIBEIRO DOS REIS PIO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial; Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial Proferida Pelo STJ
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil Médica, Erro Médico, Nexo Causal, Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ, Honorários Advocatícios
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Parties
ELENICE RIBEIRO DOS REIS PIO
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial; Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial Proferida Pelo STJ
Legal Issues
- 1 responsabilidade do hospital por conduta da equipe médica no parto
- 2 existência de nexo causal entre suposto atraso e paralisia obstétrica
- 3 inadmissibilidade do recurso por ausência de indicação precisa de dispositivos legais (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial porque a recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais supostamente violados (incidindo o óbice da Súmula 284/STF), e porque o mérito da pretensão exigiria reexame do conjunto fático-probatório (incidindo a Súmula 7/STJ); ademais, não foi comprovada divergência jurisprudencial nos termos exigidos pelos arts. 1.029, §1º, do CPC e 255 do RISTJ, justificando a rejeição do recurso especial e a condenação em majorar honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ELENICE RIBEIRO DOS REIS PIO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DIREITO DO CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL MÉDICA. ALEGAÇÃO DE ERRO MÉDICO E FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR ATRASO NO PARTO QUE TERIA CAUSADO PARALISIA OBSTÉTRICA TIPO ERB NO RECÉM-NASCIDO. AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL. INEXISTÊNCIA DE FALHA. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTE OS PEDIDOS FORMULADOS PELA AUTORA. CHAMAMENTO AO PROCESSO DA SEGURADORA. INEXISTÊNCIA DE LIDE SECUNDÁRIA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA QUE SE IMPÕE. RECURSOS AOS Q UAIS SE NEGA PROVIMENTO (fl. 412). Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega que deve o hospital recorrido responder pelos danos causados pela equipe médica responsável pelo parto da recorrente, posto que a demora na realização do procedimento, na forma de cesárea, resultou em "paralisia obstétrica" (fl. 447). Quanto à segunda controvérsia, interpõe o recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional (fl. 444). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia,incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: .. a sentença fundamentou a improcedência do pedido baseado em laudo do expert que concluiu pela ausência de qualquer relação entre a conduta do profissional e a paralisia obstétrica, bem como inexistência de lesão permanente, senão vejamos: "Considerando, através de dados obtidos após avaliação presencial e dos documentos acostados ao processo judicial, concluo que: 1. Não foram identificadas lesões permanentes na Autora, decorrente da paralisia braquial obstétrica, diagnosticada na ocasião de seu nascimento. 2. A paralisia Obstétrica pode ocorrer independentemente da boa técnica médica utilizada, é evento que pode ter sua incidência diminuída com algumas práticas, porém seu risco de ocorrência não pode ser totalmente eliminado. 3. Não foram identificadas falhas na conduta obstétrica durante o período de internação e acompanhamento do parto da Autora. 4. Houve o pronto diagnóstico e correta propedêutica indicada, diante da patologia diagnosticada na ocasião de seu nascimento." Sendo assim, não se vislumbra a existência de negligência, imperícia, imprudência, ou qualquer outra conduta irregular do profissional a justificar as indenizações pretendidas pela requerente. Além disso, o expert foi categórico ao afirmar que "não ocorreu atraso na realização do procedimento", o que demonstra, mais uma vez, a correta prestação de serviço do nosocômio (fl. 417). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.