AREsp 1823607 - DECISAO
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por EMPRESA DE ENGENHARIA CONCREART DO NORTE FLUMINENSE LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,...
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- Parties
- Agravante/recorrente: EMPRESA DE ENGENHARIA CONCREART DO NORTE FLUMINENSE LTDA; Imobiliária/primeira Ré: TRINDADE E SOUZA IMÓVEIS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Legal Topics
- Responsabilidade Por Vício Do Serviço, Solidariedade Ope Legis, Dano Material, Dano Moral, Comissão De Corretagem, Arras Confirmatórias (art. 418 Cc), Ônus Da Prova (art. 373 Cpc), Súmula N. 284 STF, Súmula N. 7 STJ, Honorários Advocatícios (art. 85, §11 Cpc), Obrigação De Assessoria Para Liberação De Financiamento
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Parties
EMPRESA DE ENGENHARIA CONCREART DO NORTE FLUMINENSE LTDA
Agravante/recorrente
TRINDADE E SOUZA IMÓVEIS LTDA
Imobiliária/primeira Ré
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Existência de solidariedade passiva entre construtora e imobiliária
- 2 Ônus da prova quanto aos fatos constitutivos do direito (art. 373 CPC)
- 3 Prova do dano material e natureza dos valores pagos (arrasto/arras, art. 418 CC)
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por EMPRESA DE ENGENHARIA CONCREART DO NORTE FLUMINENSE LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: PROCESSO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE POR VÍCIO DO SERVIÇO. CONDENAÇÃO SOLIDÁRIA DOS RÉUS À DEVOLUÇÃO SIMPLES DOS VALORES PAGOS PELA AUTORA. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO PEDIDO. RECURSO DAS PARTES. DOS RÉUS PARA VER REFORMADA A SENTENÇA, COM A IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. RECURSO DA AUTORA PARA CONDENAÇÃO DOS RÉUS À COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. OS RÉUS OFERTARAM PARA A AUTORA A COMPRA DE UM IMÓVEL, CONSTRUÍDO PELO PROGRAMA HABITACIONAL MINHA CASA MINHA VIDA, COM ENTRADA DE R$ 3.500,00 (TRÊS MIL E QUINHENTOS REAIS) SEM NENHUMA OUTRA PARCELA ALÉM DO FINANCIAMENTO DIRETO PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. INADIMPLEMENTO ABSOLUTO DOS RÉUS QUE FRUSTRARAM A EXPECTATIVA DA AUTORA EM ADQUIRIR O IMÓVEL NAS CONDIÇÕES OFERTADAS. VÍCIO DO SERVIÇO CARACTERIZADO. CONTRATO QUE SE FRUSTROU ANTES DE SEU APERFEIÇOAMENTO, AFASTANDO, COROLÁRIO, A INCIDÊNCIA DA DISCIPLINA ADOTADA PELO ACÓRDÃO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO Nº 1.601.149/RS, DO STJ, EM QUE A TRANSFERÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PELO PAGAMENTO DA COMISSÃO DE CORRETAGEM, DO CONSTRUTOR PARA O COMPRADOR, SE REALIZA N A PROMESSA DE COMPRA E VENDA, POR ELES FIRMADA, DESTACANDO-SE O VALOR TOTAL DA VENDA E O VALOR DA COMISSÃO. DANO MATERIAL DECORRENTE DO INADIMPLEMENTO CONTRATUAL DOS RÉUS, FRUSTRANDO A AUTORA QUANTO À AQUISIÇÃO DO IMÓVEL OFERTADO. SOLIDARIEDADE OPE LEGIS, INCIDÊNCIA DA NORMA DO § 1º DO ARTIGO 25 DA LEI 8.078/1999. DANO MORAL NÃO CARACTERIZADO COM O DESCUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL. INCIDÊNCIA DO VERBETE Nº 75 DA SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE DE JUSTIÇA. SENTENÇA MANTIDA INTEGRALMENTE. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, discute a recorrente sobre a inexistência de solidariedade passiva, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Em verdade o que se pretende fazer compreender é que todos os valores pagos pela Recorrida foram retidos pela imobiliária TRINDADE E SOUZA IMÓVEIS, exceto aquele objeto da Ação de Consignação Em Pagamento (processo nº 0031097-54.2012.8.19.0014). Ademais, quanto aos valores não repassados a esta Recorrente, conclusão não pode ser diferente, senão, que os mesmos devem ser havidos exclusivamente junto àquela que efetivamente os recebeu, qual seja: a imobiliária TRINDADE E SOUZA IMÓVEIS LTDA. Frise-se: não deve a Recorrente ser compelida a arcar com valores pagos pela Recorrida a título de comissão de corretagem contratada exclusivamente entre àquela e a imobiliária TRINDADE E SOUZA IMÓVEIS LTDA., negócio este do qual não faz parte a Recorrente, atuante apenas na construção do imóvel adquirido. (fl. 461). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 373 do CPC, no que concerne à ausência de comprovação dos fatos constitutivos do direito da autora, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O ônus da prova é o encargo atribuído às partes processuais que necessitam demonstrar a ocorrência dos fatos de seu próprio interesse para fundamentação das decisões a serem proferidas no processo. No caso em tela é direito da autora da ação, ora Recorrida, expor todos os documentos que constituem o direito requerido. A exposição de documentos constitutivos de direito da Recorrida não fora apresentada. (fl. 462). Quanto à terceira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 418 do CC e 131, 370 e 371, todos do CPC, no que concerne à falta de provas sobre os danos materiais, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Neste sentido, insta salientar que não há nestes autos documento desta Recorrente prometendo imóvel à venda a Recorrida, nem mesmo nenhum documento através do qual as partes pactuariam PRAZO ou DATA para entrega do imóvel à Recorrida, ou seja, existe flagrante equívoco. Não há como imputar a demora na conclusão do negócio à Recorrente, porquanto incumbia à Recorrida adotar as medidas necessárias ao procedimento de liberação do crédito do financiamento, o que não se verificou na espécie. Diante disso, conclui-se que o contrato definitivo não foi aperfeiçoado por fato imputável á própria Recorrida. .. . As arras confirmatórias possuem a função de estabelecer a perfeição do contrato, de forma que, quem dele desiste não usufrui de um direito, mas descumpre o negócio e fica obrigado a indenizar as perdas e danos que têm, como mínimo pagamento, aquele valor. Destaque-se que a proposta aderida pela Recorrida não prevê direito de arrependimento e, por conseguinte, arras penitenciais, a atrair o disposto no artigo 418, do Código Civil. No tocante à responsabilidade da ré, constitui dever do corretor executar a mediação com diligência e prudência, prestando ao comitente todos os esclarecimentos acerca da segurança do negócio, nos termos do artigo 723, do Código Civil. (fls. 462/463). É, no essencial, o relatório. Decido. No que concerne à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Os documentos juntados com a petição inicial, pdf. 28, corroboram as alegações da autora, quanto ao pagamento que efetuou a título de entrada para a compra do imóvel, sendo certo que a segunda ré figurava como a responsável pela construção do imóvel e a primeira, como responsável pelas vendas. No recibo assinado pela primeira ré, relativo à entrada de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais), não consta nenhuma advertência para a parte autora, no sentido de que o valor pago de entrada caracterizava arras, bem como a possibilidade de ser o valor pago retido, caso desse causa à inexecução do contrato, conforme prevê a norma do artigo 418 do Código Civil. Além do mais, não há prova de que a autora descumpriu o dever que lhe competia, ao contrário restou demonstrado que, após prover os pagamentos, aguardou a convocação para a assinatura da escritura de financiamento da compra do imóvel, que deveria ser providenciada pela primeira ré, conforme pactuado. A obrigação do primeiro réu quanto a esta questão, ou seja, promover o procedimento perante à Caixa Econômica Federal, para a consecução do contrato de financiamento, está claramente delimitada, na Cláusula 1, do Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria Documental, pdf 233, fls. 247/248, que firmou com a autora. A primeira ré não trouxe aos autos nenhum documento que comprove o cumprimento de sua obrigação, delimitada na cláusula acima referida, ou seja, nenhum documento da CEF em que tenha iniciado o processo para liberação do financiamento e para a formalização do instrumento de promessa de compra e venda. Mas, no referido contrato, a primeira ré estipula na Cláusula 3, que a comissão será "de 4% (quatro por cento) sobre o valor total do imóvel, incluso o sinal, que se deve única e exclusivamente ao pagamento dos serviços de CORRETAGEM..". .. . Logo, o instrumento assinado pela autora com o primeiro réu, nada mais caracteriza senão tratativas para a aquisição do imóvel, oferecido pelos réus à autora. E, o valor recebido pelo primeiro réu, não se consubstancia em comissão de corretagem, mas em entrada para a aquisição do imóvel, conforme a oferta veiculada pelos réus e acostada à petição inicial (fls. 389/391). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Quanto à terceira controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Assim, a falta de informação quanto à natureza dos documentos assinados pela primeira ré: recibo de pagamento da entrada, bem como o contrato de prestação de serviços para com a autora, não se configuram em arras, nem transferem a obrigação do construtor com a comissão de corretagem para a autora (fl. 391, grifo meu) Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no Resp 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp 1637445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1647046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.