REsp 2148841 - DECISAO
Diante do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal (RE 827996) sobre a competência para ações que possam comprometer o FCVS e do reconhecimento de conflito pela Corte Especial (CC 148.188/DF), a controvérsia possui viés constitucional e os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem para que este proceda ao...
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- Parties
- Recorrente: TEREZINHA PEREIRA TEIXEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça; Devolução Ao Tribunal De Origem Determinada
- Outcome
- Devolução dos autos ao Tribunal de origem com baixa no STJ para que o tribunal de origem proceda ao juízo de conformação nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC e art. 34, XXIV, do RISTJ.
- Legal Topics
- Responsabilidade Securitária, Vícios De Construção, Sistema Financeiro Da Habitação (sfh), FCVS, Competência Jurisdicional, Repercussão Geral, Recursos Repetitivos, Conflito De Competência
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Parties
TEREZINHA PEREIRA TEIXEIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça; Devolução Ao Tribunal De Origem Determinada
Legal Issues
- 1 competência para processamento e julgamento de ações relativas a contrato de mútuo habitacional com cobertura do FCVS
- 2 alcance temporal da MP 513/2010 e sua aplicação aos processos em curso em 26.11.2010
- 3 necessidade de devolução dos autos ao tribunal de origem para juízo de conformação após pronunciamento em repercussão geral/recursos repetitivos
Ratio Decidendi
Diante do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal (RE 827996) sobre a competência para ações que possam comprometer o FCVS e do reconhecimento de conflito pela Corte Especial (CC 148.188/DF), a controvérsia possui viés constitucional e os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem para que este proceda ao juízo de conformação nos termos dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC e art. 34, XXIV, do RISTJ, sendo necessário o exaurimento da instância ordinária antes do exame do recurso especial nesta Corte.
Court Disposition
Devolução dos autos ao Tribunal de origem com baixa no STJ para que o tribunal de origem proceda ao juízo de conformação nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC e art. 34, XXIV, do RISTJ.
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de recurso especial interposto pela TEREZINHA PEREIRA TEIXEIRA contra acórdão proferido pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região cujo tema é a responsabilidade securitária por vícios estruturais em imóveis adquiridos pelo Sistema Financeiro de Habitação (fls. 81/91e): ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIADE RESPONSABILIDADE OBRIGACIONAL SECURITÁRIA. SISTEMAFINANCEIRO DE HABITAÇÃO - SFH. COMPETÊNCIA DO JUIZADOESPECIAL FEDERAL. VALOR DA CAUSA. PEDIDO DE ATRIBUIÇÃO DEEFEITO SUSPENSIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO.1. A necessidade de realização de perícia técnica e a complexidade da causa não são suficientes para a modificação da competência do Juizado Especial Federal para apreciar o feito, que é absoluta e se dá pelo valor atribuído à causa. 2. Cabe à parte autora atribuir à causa um valor que corresponda ao benefício econômico por ela perseguido, a teor do artigo 292, inciso V, do Código de Processo Civil, competindo ao juiz, consoante o disposto no § 3º do referido dispositivo, corrigir, de ofício e por arbitramento, o valor da causa quando não corresponder ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido. 3. Agravo de instrumento desprovido. Interposto Recurso Especial, além do dissídio jurisprudencial, aponta-se violação ao art. 3º, da Lei n. 9.099/1995. Sustentou, em suma, que, "no presente caso, por se tratar de tema complexo, bem como a existência de prova complexa, e, cuja instrução processual implica na dilação probatória, de ordem técnica, apresente demanda não deve ser remetida ao Juizado Especial Federal" (fls. 117/118e). Com contrarrazões (fls. 128/138e), o recurso especial foi inadmitido (fls. 143/146e), interposto Agravo em Recurso Especial, determinei o sobrestamento do feito, até o julgamento definitivo dos Conflitos de Competência n. 140.456/RS e 148.188/DF, acerca da competência interna dessa Corte Superior para julgar a matéria em discussão (fls. 200/201e). Com o julgamento dos incidentes, o Agravo foi convertido em Recurso Especial (fl. 220e). O Ministério Público Federal opinou pelo improvimento do Recurso Especial (fls. 237/242 e). É o relatório. Decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Versa a controvérsia sobre a responsabilidade obrigacional securitária, em decorrência de vícios de construção em imóveis adquiridos pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com adesão ao seguro habitacional obrigatório, mediante apólice pública, com cobertura do FCVS. De início, cabe ressaltar que, nos autos do Conflito de Competência n. 148.188/DF, foi suscitado conflito de competência interna entre a Primeira e a Segunda Seção desta Corte, "no que respeita ao enquadramento dos processos relativos à cobertura de danos construtivos em imóveis com seguro celebrado mediante apólice pública (Ramo 66)". Em 04.10.2023, a Corte Especial concluiu o julgamento do CC 148.188/DF e, por unanimidade, "conheceu do conflito para declarar competente a Primeira Seção do STJ", para processar e julgar ações sobre o contrato de mútuo habitacional com cobertura do FCVS: PROCESSO CIVIL. CONFLITO NEGATIVO INTERNO DE COMPETÊNCIA. CONTRATO DE MÚTUO HABITACIONAL. COMPROMETIMENTO DO FCVS. APÓLICE PÚBLICA (RAMO 66). 1. Já se manifestou a Corte Especial do STJ no sentido de que, nos processos em que possa haver comprometimento dos recursos do Fundo de Compensação das Variações Salariais - FCVS, a competência para julgamento é da Primeira Seção. Precedentes: CC n. 121.499/DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgado em 23/4/2012, DJe de 10/5/2012; CC n. 36.647/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Corte Especial, DJ de 22/3/2004, p. 186. 2. As próprias Turmas da Primeira Seção reiteradamente já declararam sua competência para o julgamento de questões que envolvem os contratos de mútuo habitacional que impliquem comprometimento do FCVS. REsp n. 1.607.242/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/9/2016, DJe de 11/10/2016; AgInt no REsp n. 1.584.571/RS, Rel. Min. Relatora Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Segunda Turma, julgado em 7/6/2016, DJe de 13/6/2016; AgRg no AREsp n. 469.407/PE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15/9/2015, DJe de 23/9/2015. Conflito de competência conhecido para declarar competente a Primeira Seção. (CC n. 148.188/DF, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 4/10/2023, DJe de 16/10/2023). De outra parte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 29.06.2020, nos autos do Recurso Extraordinário n. 827.996/DF, julgou com repercussão geral, firmando a seguinte tese: Considerando que, a partir da MP 513/2010 (que originou a Lei 12.409/2011 e suas alterações posteriores, MP 633/2013 e Lei 13.000/2014), a CEF passou a ser administradora do FCVS, é aplicável o art. 1º da MP 513/2010 aos processos em trâmite na data de sua entrada em vigor (26.11.2010): 1.1) sem sentença de mérito (na fase de conhecimento), devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da União, caso haja provocação nesse sentido de quaisquer das partes ou intervenientes e respeitado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011; e 1.2) com sentença de mérito (na fase de conhecimento), podendo a União e/ou a CEF intervir na causa na defesa do FCVS, de forma espontânea ou provocada, no estágio em que se encontre, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997, devendo o feito continuar tramitando na Justiça Comum Estadual até o exaurimento do cumprimento de sentença; 2) Após 26.11.2010, é da Justiça Federal a competência para o processamento e julgamento das causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS, devendo haver o deslocamento do feito para aquele ramo judiciário a partir do momento em que a referida empresa pública federal ou a União, de forma espontânea ou provocada, indique o interesse em intervir na causa, observado o § 4º do art. 64 do CPC e/ou o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. O acórdão foi assim ementado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Contratos celebrados em que o instrumento estiver vinculado ao Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) - Apólices públicas, ramo 66. 3. Interesse jurídico da Caixa Econômica Federal (CEF) na condição de administradora do FCVS. 4. Competência para processar e julgar demandas desse jaez após a MP 513/2010: em caso de solicitação de participação da CEF (ou da União), por quaisquer das partes ou intervenientes, após oitiva daquela indicando seu interesse, o feito deve ser remetido para análise do foro competente: Justiça Federal (art. 45 c/c art. 64 do CPC), observado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. Jurisprudência pacífica. 5. Questão intertemporal relativa aos processos em curso na entrada em vigor da MP 513/2010. Marco jurígeno. Sentença de mérito. Precedente. 6. Deslocamento para a Justiça Federal das demandas que não possuíam sentença de mérito prolatada na entrada em vigor da MP 513/2010 e desde que houvesse pedido espontâneo ou provocado de intervenção da CEF, nesta última situação após manifestação de seu interesse. 7. Manutenção da competência da Justiça Estadual para as demandas que possuam sentença de mérito proferida até a entrada em vigor da MP 513/2010. 8. Intervenção da União e/ou da CEF (na defesa do FCVS) solicitada nessa última hipótese. Possibilidade, em qualquer tempo e grau de jurisdição, acolhendo o feito no estágio em que se encontra, na forma do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997. (RE 827996, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 29/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-208 DIVULG 20-08-2020 PUBLIC 21-08-2020) Nesse contexto, julgado o tema pela sistemática da repercussão geral, esta Corte Superior orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para que este faça o juízo de conformação, nos termos do que dispõe o art. 34, XXIV, do RISTJ. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado para esta Corte Superior, para serem analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Nesses casos, uma vez julgado o tema pela sistemática dos recursos repetitivos ou sob o rito da repercussão geral, os recursos que tratem sobre a mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para juízo de conformação, nos termos dos artigos 1.040 do Código de Processo Civil e 34, XXIV, do Regimento Interno desta Corte. A propósito, nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DEVOLUÇÃO AO TRIBUNAL A QUO. 1. Julgado o tema pela sistemática dos recursos repetitivos, esta Corte Superior orienta que os recursos sobre a mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para que este faça o juízo de conformação, nos termos do que dispõem os arts. 1.040 do CPC/2015 e 34, XXIV, do RISTJ. 2. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 729.327/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 21/11/2017, DJe 5/2/2018). Portanto, ultimada a análise da questão pelo Supremo Tribunal Federal, revela-se nítido o viés constitucional da controvérsia dirimida nos presentes autos, deve os autos serem remetidos ao Tribunal de origem. Nessa linha, decisões que, em casos de idêntica controvérsia, determinaram o retorno dos autos ao Tribunal de origem: REsp n. 1.706.330, Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 20.12.2023; REsp n. 2.038.193, Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 21.12.2023; AgInt no AREsp n. 2.371.719, Ministro Francisco Falcão, DJe de 19.12.2023 e AREsp n. 2.393.177, Ministro Herman Benjamin, DJe de 15/12/2023. Assim, não houve a manifestação do Tribunal de origem a teor do determinado nos arts . 1.039 e 1.040 do Código de Processo Civil, portanto, somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado para esta Corte Superior, para que aqui possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento da Corte a quo. Porto isso, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte, para que, considerando a publicação do acórdão submetido ao rito dos recursos repetitivos, aprecie o feito na forma dos arts. 1.040 e 1.041 do Código de Processo Civil, realize o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local, em razão do decidido pelo Plenário do STF no julgamento do Tema n. 1.011. Publique-se. Intimem-se. EMENTA